Pivô - Copan

A cidade ganha um presente de artistas que colocaram o Pivô, no Copan, de volta à ativa

Caio Amaral/Divulgação
Pivô, na base do Edifício Copan

A abertura da Bienal, em 7 de setembro, marca o início de um mês especialmente artístico para São Paulo. Mas, entre todos os eventos do agitado calendário do período, uma das mais interessantes é a inauguração do Pivô como espaço permanente, em 8 de setembro.

Ele promete se tornar um dos melhores lugares da cidade para a arte e a cultura atuais – e, o que o torna ainda mais especial, fica dentro de um dos mais emblemáticos edifícios da cidade: o Copan, projetado por Oscar Niemeyer e cuja silhueta curvilínea pontua o horizonte urbano como um imenso e gracioso gesto.

No Pivô, que ocupa uma área reservada de três andares na ponta do térreo do Copan, uma ampla galeria com colunas forma o salão principal de exposições, que pretende ser um “espaço artístico experimental”, nas palavras da fundadora, a jovem artista Fernanda Brenner. Trata-se, portanto, de um “pivô”, como diz o nome, em torno do qual giram jovens artistas e arquitetos, fãs de arte e curiosos. E até mesmo galerias: duas bem-sucedidas da cidade, a Emma Thomas (atualmente sem casa fixa, mas prestes a ter um novo espaço nos Jardins) e a Mendes Wood, participam da exposição de abertura do espaço (a primeira participa com duas mostras individuais, de Lucas Simões e Alexandre Brandão, e a segunda com uma mostra coletiva).

Fazendo acontecer
Fizemos, em agosto, uma visita guiada pelo espaço e conheceu a jovem equipe responsável por ele. Pedreiros e marceneiros, artistas e designers movimentavam-se pelo espaço de 3,5 mil metros quadrados, trabalhando nos preparativos para a grande inauguração. Com curadoria do crítico de arte e arquiteto Diego Matos, ‘Da próxima vez eu fazia tudo diferente’ é a primeira exposição da Pivô como espaço permanente – a mostra ‘Imóvel’ foi apresentada por lá
no ano passado.

Fazendo de uma das enormes varandas do edifício seu ambiente de trabalho, onde embute pequenos tesouros dentro de blocos de resina transparente, a artista Paloma Bosquê acaba de terminar a inglória tarefa de costurar metros e metros de tripa de linguiça. Na forma de uma cortina meio transparente, meio murmurante, o estranho tecido – “fino e delicado, mas inacreditavelmente forte também”, diz Bosquê – faz parte de uma instalação que ocupa várias salas e que também inclui uma escultura de cera. 

Dando vida ao espaço
A interação com a própria estrutura da construção dos anos 1960 é um tema-chave na exposição – confira o labirinto de Lucas Simões, que serpenteia pelo corredor para ligar um ambiente ao outro, no já labiríntico edifício; ou o detalhado desenho a lápis do artista Nazareno Rodrigues, que preenche as paredes de um compacto vestíbulo. Ou então as instalações de portas de Vitor César – colocadas perto da intervenção de Eduardo Frota, que removeu um conjunto de vidros de uma janela da varanda e o pendurou novamente, só que a um metro de distância das esquadrias.

É fascinante ver esse espaço, que ficou vaziou durante 20 anos até ser alugado por Brenner e sua turma, que o despertou e o colocou novamente na ativa. E por que ficou vazio por tanto tempo? “O tipo de gente que poderia alugar um espaço como este (empresas) procura por escritórios com 45 vagas de garagem em edifícios comerciais da Berrini”, analisa Brenner. “Elas não querem um Frankenstein, um elefante branco como este. Para elas, ele não faria sentido algum sem uma reforma radical. Somos sobreviventes da onda de especulação imobiliária no Centro. Este é um ato de resistência.”


Pivô Edifício Copan. Av. Ipiranga, 200, lj. 48, República, 3255-8703.

Escrito por Claire Rigby
 

Comentários dos leitores

blog comments powered by Disqus
 

© 2011 - 2016 Time Out Group Ltd. All rights reserved. All material on this site is © Time Out.