Time Out São Paulo

White Cube no Brasil

O circuito de arte de São Paulo acaba de ganhar um presente: uma filial da conceituada galeria londrina


Quando uma porta se fecha, outra se abre. Para a galeria londrina White Cube, a máxima foi mais do que verdadeira entre 2011 e 2012: ela fechou o endereço original na Hoxton Square, em Londres, e abriu um novo e imenso espaço, de mais de 5.000 metros quadrados, no distrito de Bermondsey. E, no final de 2012, como resultado de sua longa relação com São Paulo, a White Cube se instalou também por aqui em novíssima sede – sua segunda filial internacional, depois de Hong Kong – com mostra inaugural da artista britânica Tracey Emin (leia mais sobre a exposição aqui).

Para a White Cube e seu fundador, Jay Jopling, trata-se do resultado de um relacionamento longo e cuidadosamente construído com a cidade de São Paulo. Esse processo culminou, no ano passado, com uma grande exposição de obras do artista britânico Antony Gormley, em uma mostra soberba no CCBB – que se estendeu para os topos dos prédios do Centro de São Paulo, que ganharam esculturas vigilantes de forma humana durante o período da mostra. Outra parte da mostra de Gormley também aconteceu no espaço da Vila Mariana que agora é ocupado pela filial brasileira da galeria. “Jay tem uma ligação forte com São Paulo, tem amigos antigos aqui e vem muito para cá”, comenta Tracey Emin, que esteve na cidade para a abertura de sua exposição (leia nossa entrevista com a artista aqui)

A diretora artística da galeria, Susan May, enumera uma série de galerias que estenderam os braços à White Cube, bem como algumas das figuras mais importantes da cena artística da cidade – um mercado sofisticado por mérito próprio, mas que ganha prestígio extra com a chegada da galeria inglesa, uma das mais renomadas do circuito de arte contemporânea do mundo. “Todas as galerias disseram: ‘Estamos felizes que vocês estejam vindo’”, afirma May. “Não encontrei nada assim em nenhum outro lugar.” Ela cita Luisa Strina, Galeria Vermelho, Mendes Wood e Fortes Vilaça.

A própria Susan May visita São Paulo há dez anos e também tem uma queda óbvia pelo lugar. “A cidade tem um contexto cultural impressionante – tem a segunda Bienal mais antiga e todos esses museus e galerias incríveis, além da feira de arte [SP-Arte], que parece estar crescendo muito.”

A White Cube compareceu à SP-Arte no ano passado com um estande, e, segundo May, a resposta do mercado confirmou que precisava levar a nova filial a sério. “Não será uma coisa passageira. Demandará muito trabalho e investimento. Mas, na SP-Arte, percebemos que sim, podemos fazer isso, podemos fazer isso funcionar.”

Além de trazer alguns dos artistas de seu portfólio para expor no novo espaço em São Paulo, a galeria também está planejando exibir artistas brasileiros em Londres e outros lugares. Para este ano, estão previstas mostras de Jac Leirner e Marcius Galan em Londres.

E como a White Cube se encaixa na cena artística da cidade? “Acho que teremos uma ideia melhor depois dessa mostra”, explica May, referindo-se à exposição de Emin, que traz uma variedade de nus em uma diversidade de meios, incluindo guache, escultura, néon, animação em vídeo e bordado.

“Queremos ter uma noção do que funciona em vez de apenas export artistas aleatoriamente. Queremos chegar suavemente e nos tornar parte da comunidade artística – queremos nos sentir como parte da história”, diz May.

Na sequência da exposição de Emin, ela assina a curadoria de uma mostra coletiva chamada ‘The Gesture and the Sign’, que incluirá obras de artistas como Mark Bradford, Julie Mehretu e Sterling Ruby, com abertura no dia 1 de abril. “O tipo de obra que oferecemos em Hong Kong, por exemplo, pode não funcionar em São Paulo, e vice-versa. Por exemplo, a arte conceitual: acho que aqui há a disposição de se esforçar um pouco mais para olhar uma obra e compreendê-la. Mas acho que descobriremos isso conforme avançarmos. Ainda estamos traçando nosso caminho.”

Outras galerias estrangeiras sem dúvida ficarão de olho para ver como as coisas acontecem para a White Cube por aqui – a Gagosian, por exemplo. A galeria americana já tem 11 filiais internacionais, e montou uma exposição magnífica de esculturas na Art Rio do ano passado, com uma seleção de obras-primas lindamente iluminadas.

No mais, May e seus colegas estão interessados em ver se a galeria atrairá outros tipos de negócios para sua órbita. “Acho que estamos esperando que outros venham para a região”, fala ela, referindo-se à localização na Vila Mariana, fora do circuito de arte mais conhecido. “Sejam galerias, sejam restaurantes ou que for. Foi isso que aconteceu com a Hoxton Square [praça de Londres], que era bastante degradada. Agora, é cheia de bares e cafés.”

White Cube R. Agostinho Rodrigues Filho, 550, V. Mariana, 4329-4474. Ter. a sáb., 11h-19h. whitecube.com

Escrito por Claire Rigby
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