Savages: entrevista

Jehnny Beth, vocalista do Savages, conversa sobre placas de “proibido conversar” em shows e a busca pelo equilíbrio entre alto e suave

Divulgação
A banda britânica Savages

Conheça o Savages: quatro mulheres de Londres que não levam desaforo para casa e cujo explosivo disco de estreia, Silence Yourself, de 2013, faz até a mais suja das bandas punk parecer careta. Musicalmente falando, a banda é tão impermeável que parece que, se um parafuso sair do lugar, a máquina toda vai cair aos pedaços.

A guitarra de Gemma Thompson predomina, sempre pronta para detonar; a bateria de Fay Milton confere ao som uma característica militar, reminiscente de seus antecessores pós-punk; e os sons do baixo de Ayse Hassan são tão profundos, que daria para se afogar neles. E, ofuscando isso tudo, a presença berrante e desdenhosa de Jehnny Beth, indo furiosamente de um lado para outro do palco, tecendo crítica sobre crítica a respeito de tudo que considera errado no mundo.

Dentro de poucas semanas, Beth e suas colegas chegarão a São Paulo, provavelmente vestidas de preto, para causar no Lollapalooza. Conversando com Beth em seu quarto de hotel em Osaka, Japão – por onde a banda passou em turnê –, descobrimos que a vocalista é segura, articulada e, como suas músicas, bastante econômica nas palavras. 

Para quem nunca ouviu Silence Yourself, como você descreveria o som do Savages?
Música para ouvir em primeiro plano, radical, incendiária e que vai direto ao ponto.

Costumam-se fazer muitas comparações entre Savages, Public Image Ltd. e Siouxsie and the Banshees. É uma lisonja? 
São todas bandas muito boas, mas não vejo razão em comparar uma banda nova com uma antiga. E conectar a música ao momento em que vivemos agora? E o presente? Você não consegue sentir nada?

Que tipo de música você tem o hábito ouvir durante as turnês?
No momento, tenho escutado bastante a trilha sonora de Blade Runner, Susumu Yokota, HTRK e Lou Reed.

Tende a ouvir músicas mais calmas fora da banda, para balancear o ritmo rápido e as guitarras explosivas do Savages?
Acho que você precisa das duas coisas na vida para ser feliz: barulho e silêncio, noite e dia, velocidade e lentidão. Pratico meditação transcendental duas vezes ao dia. É algo que realmente me ajuda a focar meus pensamentos e a me livrar de ansiedades desnecessárias.

Quão é importante fazer um show que seja cheio de energia, fisicamente falando?
O trabalho físico por trás de uma música sempre foi um dos nossos principais focos, desde o início. Este é inclusive o assunto do nosso novo clipe, “Strife”. Queríamos focar no físico e nas formas de expressão humanas, de um jeito atemporal – uma busca por compreensão, a partir dos movimentos, ação e reação de dois personagens. Fora isso, treinamos muito, o que é fundamental para uma banda focada em performances ao vivo.

A imagem do Savages é intensa. Você busca um estilo que seja condizente com sua música, ou isso vem naturalmente?
A gente pensa muito a respeito disso e vem naturalmente; as duas coisas são verdade. Nunca corremos para fazer clipes, a não ser que acreditemos muito na ideia por trás deles e tenhamos tido tempo para desenvolvê-la com os diretores. Não gostaríamos de lançar algo em que não acreditássemos muito – sejam músicas ou clipes. 

No passado, vocês penduravam placas em casas de shows pedindo para o público não usar celulares ou conversar durante as apresentações. Isso vale para festivais também?
Depois que começamos a colocar as placas, a atmosfera geral dos shows melhorou demais. As pessoas se sentiram mais relaxadas com a ideia de se envolver com a música, elas começaram a dançar e pular. Não temos como colocar as placas em um festival, claro, mas tudo bem. É bem diferente de tocar em uma casa, onde nós ditamos as regras. As regras do festival são as regras do festival; mas tudo bem, a gente não liga.

Savages toca no Lollapalooza no dia 6 de abril.


 

Escrito por Thomas Moir
 

Comentários dos leitores

blog comments powered by Disqus
 

© 2011 - 2016 Time Out Group Ltd. All rights reserved. All material on this site is © Time Out.