Time Out São Paulo

Domingo é o novo sábado

As festas diurnas estão mudando a cara do ex-patinho feio da semana. Mais leves e com pegada caseira, elas tiram qualquer deprê antes da segunda-feira

Já pensou em trocar as luzes da noite de sábado e a ressaca da manhã seguinte por uma festa fresquinha que começa depois do almoço no domingo? Essa é a proposta de uma série de celebrações que se estendem até a noite, pintando o dia mais morto da semana com cores de diversão e leveza. E com duas vantagens: a maioria é grátis, permite levar os filhos e até os cachorros.

No Pari Bar, por exemplo, as versões diurnas da festa itinerante Voodoohop têm se tornado frequentes. Antigo reduto de boêmios e intelectuais, o bar da década de 1940 reabriu recentemente no mesmo endereço, a charmosa Praça Dom José Gaspar, atrás da Biblioteca Mário de Andrade, bem no centro da cidade. É lá que se vê uma multidão animada, domingo após domingo, dançando ao som de música pop, eletrônica e brasileira, comandada por DJs que se revezam nas picapes.

A mudança no relógio da balada traz uma atmosfera diferente, mais intimista e não por isso menos animada. Há os que se jogam na pista e os que ficam conversando com os amigos na praça. O espírito colaborativo é outra faceta.

Um frequentador pode ser também uma atração, como no caso de Rafael Felice Dias. De roupas coloridíssimas e chapéu, ele traz na mochila outros acessórios extravagantes, que vai vestindo e tirando, tudo para fazer danças e performances ao longo da festa. “Começou meio por acaso e virou uma coisa que sempre faço”, explica. Já a habitué Caroline Malinowski criou o projeto Grite Poesias. Junto com uma amiga, a designer distribui elementos lúdicos gratuita mente como flores, balões com versos escritos e broches. “Percebo que nesses eventos diurnos as pessoas estão mais abertas a receber e que entendem melhor o que fazemos”, acredita.

O idealizador da Voodoohop Thomas Haferlach conta que a ideia de reunir pessoas à tarde já existia há algum tempo. Filho de pai alemão e mãe inglesa, ele teve contato com esse tipo de evento em Berlim, onde há o costume de aproveitar a cidade durante o dia. “Além de ter um público maior, com crianças, por exemplo, as pessoas bebem menos e a atmosfera da festa é outra, mais leve”, conta. “Também é uma oportunidade para ficar ao ar livre e usar o espaço público.” Tamanho o entusiasmo, a domingueira se expandiu para além do Pari Bar e tomou conta do enorme quintal do Teatro Oficina, no último fim de semana de novembro, onde o coletivo montou uma tenda especial.

Mas o cardápio é mais extenso. A Casa das Caldeiras, em Perdizes, é outra opção para domingos festeiros e repletos de atividades. A ex-unidade fabril da família Matarazzo foi um espaço dedicado à produção de energia para o parque industrial local durante a década de 20. Após anos abandonada, foi restaurada e tombada em 1986 pelo Condephaat, e, em 2008, passou a receber projetos como o Todo Domingo. A cada semana acontece uma festa diferente, grátis, das 16h às 22h. A programação vai de apresentações de hip hop a atividades culturais, passando por exposições de arte que preenchem o interessante espaço que inclui um túnel no andar inferior, com tijolinhos expostos nas paredes. “No começo, vinham dez gatos pingados, hoje a casa recebe mais de mil pessoas por domingo”, conta o diretor de projetos da Casa, Joel Borges.

Segundo ele, há um quê de “caseiro” no conceito dessas festas, que foge da massificação da indústria cultural. É o caso do evento Ilú Obá De Min, que mostra a cultura negra com feira de artesanato, música e oficina de dança. Uma das preocupações é mostrar a importância de preservar o patrimônio – e de aproveitá-lo.

O Espaço Zé Presidente também tem sua participação no universo da diversão free e ao ar livre. Os proprietários desse espaço organizam festas periódicas no Beco Aprendiz das Letras, mais conhecido como Beco do Grafite, um cantinho da Vila Madalena com muros inteiros desenhados. Em pleno domingo, esses eventos apresentam performers, VJs, DJs, exposição de artistas plásticos e bandas convidadas.

Abertas, iluminadas e democráticas, proporcionam a chance de vivência do espaço urbano em seu dia mais calmo. Mas que de morto, não tem mais nada: só fica em casa, sofrendo com os suplícios da segunda, quem quiser.


Sábado à tardinha

Se você se animou com a ideia de celebrações diurnas, a festa mensal Sunset, no Museu da Imagem e do Som (MIS), é outra alternativa – mas aos sábados. Com uma ótima programação de DJs nacionais e internacionais, o conceito também envolve vivenciar o espaço urbano durante o dia. O produtor Marcos Guzman se inspirou nas festas nova-iorquinas Warm Up – no Moma do Queens – e trouxe o conceito para São Paulo, por volta de 2006. Ainda sem o nome Sunset, o evento foi feito em lugares como o Pátio do Colégio e em frente ao CCBB. “A intenção é fazer com que o público tenha uma experiência arquitetônica, com um lado utópico e romântico, com pessoas de vários estilos, idades e classes sociais convivendo em harmonia naquele momento”, explica. Inicialmente grátis, hoje há um ingresso de R$ 10, para limitar o número de pessoas e garantir a boa estrutura. Por causa das chuvas de verão, a festa volta a acontecer apenas em fevereiro.


Menu do dia

Casa das Caldeiras, festa Todo Domingo, casadascaldeiras.com.br/tododomingo
Espaço Zé Presidente, zepresidente.com.br/(programação atualizada na página no Facebook)
MIS, festa Sunset, mis-sp.org.br
Voodoohop voodoohop.com (programação atualizada na página no Facebook)
 

Escrito por Larissa Linder
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