A hora do coquetel

A alquimia dos bartenders ganha cada vez mais seguidores 

Luna Garcia

Sob o assoalho de azulejos clássicos do popular bar Astor, na Vila Madalena, uma nova onda espreita. Nos porões do estabelecimento, tingidos de vermelho-sangue e preto, surge um novo espaço querido pelos mauricinhos e patricinhas da cidade, que com certeza não vão ao endereço em busca de um chopp básico. O SubAstor abriu as portas em 2009 com um cardápio de 35 coquetéis e não é muito diferente dos bares chiques de Nova Iorque ou Londres: eles têm até um mixologista trabalhando para a casa.

“Muitos brasileiros que viveram no exterior para estudar e, por acaso, acabaram trabalhando como bartenders voltaram com técnicas modernas de mixologia”, explica Márcio Silva, que trabalhou suas habilidades em lugares como Espanha e Londres antes de assumer o controle das receitas de coquetéis no SubAstor. “Agora, nós estamos acrescentando ingredientes e tradições culinárias da nossa própria cultura às técnicas dos melhores mixologistas do mundo. A cultura do coquetel começou a mudar no Brasil, graças à globalização”.

Parecido com o SubAstor, o MyNY no Itaim Bibi também se inspira na era da Lei Seca dos EUA para criar a decoração, mas o cardápio é ainda mais ambicioso, coordenando os drinks às estações do ano e usando quatro tipos de gelo para manter as bebidas bem geladas do começo ao fim.

Por ser extremamente sofisticados, era difícil encontrar os coquetéis eram difíceis em São Paulo na primeira década do século XXI. Para apreciar um martini clássico ou algum drink frutado que não fosse uma variação da caipirinha, você provavelmente teria que ir a um bar de hotel ou bar com piano ao vivo. Mas isso está mudando. Desde 2009, os coquetéis vêm ganhando seu devido espaço nos vários bares descolados e sofisticados da sempre efervescente vida noturna paulistana.

Misturas e combinações
“Em 2006, eu criei um menu de martinis para o Skye Bar no Hotel Unique, que foi o primeiro aqui”, diz Talita Simões, que trabalhou tanto na Europa quanto nos Estados Unidos antes de abrir o At Nine na região da Consolação. “Antes disso, tudo no Brasil era voltado para os chefs e a cultura gourmet, mas comida e bebida trabalham juntos com a mesma intensidade. Cítricos e ácidos são perfeitos para ir junto de pratos e petiscos”.

A crescente economia brasileira contribuiu para o novo caso amoroso da cidade com o coquetel – um efeito da ascensão das classes médias. “A cultura do coquetel, até 20 anos atrás, era proibitiva pelo preço elevado – bebidas importadas eram raras e extremamente caras”, conta o austríaco Markus Kleissl, dono do Cobee no Itaim Bibi, especializado em coquetéis com champanhe. “[O seriado] Sex and the City ajudou muito e mais e mais brasileiros têm viajado ao exterior e conhecido os diferentes coquetéis”.

E agora que a cena dos coquetéis está alinhada com o igualmente crescente PIB, toda essa sofisticada novidade pode ser uma mão na roda: R$30 pode ser um preço muito alto para um drink – uma quantia similar às de Nova Iorque e Londres, mas é mais barato que uma passagem de avião. O dono do MyNY, Daniel Fialdini, está consciente disso: “Hoje”, ele conta, “paulistanos buscando a experiência dos coquetéis não precisam mais fazer uma viagem internacional”.

Escrito por Time Out São Paulo editors
 

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