Solte o gogó pelos karaokês de São Paulo

Ornamentados ou básicos, a cidade tem karaokês para toda garganta

André Giorgi
Tequila’s Karaokê

A grande colônia japonesa de São Paulo fez com que a cidade fosse uma das primeiras do mundo a entrar na onda mundial do karaokê. Introduzido no Brasil no fim dos anos 1970, hoje ele está tão enraizado na cultura da cidade, que a União Paulista de Karaokê, fundada há 21 anos, afirma ter mais de 10 mil cantores registrados.

Ainda que, como era de se esperar, o coração do karaokê paulistano seja o bairro oriental (a Liberdade), é possível encontrar opções por toda a cidade, de espeluncas com assentos grudentos até lugares estilosos como o Bar Secreto, passando pelo Coconut Brasil  (R. Canuto do Val, 41, Vila Buarque, 3224-0586. coconutbrasil.com.br), uma megacasa de dois andares abarrotada com monitores de tela plana e com capacidade para mais de mil pessoas – o estabelecimento afirma ser o maior “videokê” da América Latina.

Por onde começar? Ao que parece, o lugar com o maior número de opções continua sendo a Liberdade, mais precisamente a Rua da Glória. Inicie a noite soltando a voz no Samurai (R. da Glória, 608, Liberdade, 3208-6969. restaurantesamurai.com.br), uma casa escura e não tão conhecida que também tem um restaurante de comida caseira. A hostess, exuberante no alto de seus 50 anos, anota o nome de quem chega e indica os assentos. Mais tarde, canta junto com os clientes, tocando pandeiro na frente do palco. Espaçoso o suficiente para acomodar quase um time de futebol (falamos por experiência própria), o alto palco se abre para um ambiente com iluminação suave, junto a uma sala de jantar em estilo japonês (mesas baixas e comensais sem sapatos). Por isso, os cantores frequentemente sobem ao palco descalços.

No que diz respeito aos aperitivos, a porção de tempurá é bem servida e com boa apresentação (em formato de leque). O preparo é melhor do que seria de se esperar em um lugar onde as pessoas param de comer de repente para subir ao palco e improvisar um backing vocal. A espera para cantar é razoavelmente breve, e os funcionários são atenciosos.

No outro extremo (no quesito visual), completamente diferente do sóbrio – e meio apagado – Samurai, você encontrará a Choperia Liberdade, talvez o karaokê mais conhecido da cidade. A assinatura da casa é a decoração exagerada: dezenas de bolas de plástico coloridas balançam no teto, há luzes de Natal, luminárias listradas e paredes vermelhas.

O cardápio do bar, razoável, tem opções de sushi por um bom preço – prove o combinado de sushi e sashimi. As cervejas nacionais são muito pedidas, mas enveredar por algo mais exótico pode se revelar uma boa pedida conforme a noite avança. Cuidado, porém: ao lado de coquetéis interessantes – mojito, sex on the beach, margarita e lagoa azul –, você encontrará ‘a espanhola’, uma criação nada inspirada que mistura vinho tinto, abacaxi e leite condensado. Decididamente você não precisa experimentá-la. Aliás, ir com calma é uma atitude sábia: podem se passar horas até que finalmente lhe entreguem o microfone e, depois de meia dúzia de chopes, talvez seja difícil reunir a energia necessária para fazer jus a 'The Final Countdown', do Europe.

Descendo um pouco mais a rua, você encontrará o Tequila’s Karaokê (R. da Glória, 543, Liberdade, 3207-0377. tequilas.com.br). É como entrar em uma discoteca: espelhos por todos os lados e muito néon azul. Nos fundos do ambiente profundo, uma plataforma elevada garante que os cantores sejam o centro das atenções – desde que nenhum dos clientes decida improvisar uns passos de pole dance bem na frente do palco. Japoneses mais velhos e impassíveis, junto de suas acompanhantes, são a maioria do público.

Os recém-chegados, por sua vez, podem se sentir preteridos pelos funcionários. Se, porém, você chegar cedo ou em um dia de semana, não deve esperar mais do que 30 ou 45 minutos até ser chamado, com o respeitoso ‘san’ ao fim de seu nome. Mais tarde e aos fins de semana, o tempo de espera aumenta, e até mesmo pedir uma bebida pode se revelar um desafio. Se estiver com fome, lembre que o sushi é suspeito, o tempurá é mais ou menos e a porção de queijo parece ser apenas tragável.

Por outro lado, o Tequila’s tem tantos álbuns de canções espalhados pelos sofás, que é quase impossível pensar em uma música que não esteja ali. Em uma passada de olhos, você encontrará tudo, dos últimos sucessos de Lady Gaga a canções asiáticas de fazer chorar, passando por clássicos do rock brasileiro, obscuras músicas punk dos anos 1980 e baladas românticas italianas dos 1960.

Já em Pinheiros, o fashionista Bar Secreto organiza, todas as quartas, a festa ‘Isto não é um karaokê’. Foi ali que Bono em pessoa se rendeu à ‘Psycho Killer’, na after party do show do U2 em abril de 2011. Cantar acompanhado por uma banda de rock com cinco integrantes é uma mudança e tanto em relação ao tradicional vídeo de fundo. Porém, acompanhar as letras no livro, todo molhado, pode se mostrar uma tarefa um tanto difícil. Nossas dicas: escolha músicas que você sabe de cabeça e vá com a carteira cheia, já que uma rodada de drinques pode custar bem caro por aqui.

Finalmente, se você prefere esconder seu talento no karaokê ou, ainda, não consegue dar o melhor de si interpretando ‘Believe’, de Cher, na frente de estranhos, talvez deva conhecer as cabines privadas do Karaokê Box Porque Sim (R. Tomaz Gonzaga, 75, Liberdade, 3277-1557. karaokeboxporquesim.com.br). A seleção musical é razoável, as salas parecem um dormitório estudantil dos anos 1980 e, se você precisar ir ao banheiro, terá de enfrentar um longo caminho até chegar a uma traiçoeira escada. Mas, uma vez lá dentro, com a porta fechada, os microfones e a noite são todos seus.

Escrito por CM Gorey
 

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