Dez wine bars em São Paulo

Desvendamos os caminhos para se provar os melhores vinhos na cidade

Keiny Andrade/Divulgação
Bardega
Máquinas de autosserviço Enomatic


Clubes de coquetéis
experimentais e bares de cerveja artesanal podem até ser a modinha em Nova York e Londres, mas, aqui em São Paulo, o vinho é protagonista de uma tendência que promete dar nova dimensão à cena de bares da cidade – tradicionalmente voltada para outro ramo, o dos cervejeiros. E os ventos da mudança cheiram a chardornnay e merlot.

Embora tomar tintos e brancos certamente não seja nenhuma novidade nos círculos mais altos da sociedade paulistana – os restaurantes refinados há muito têm amplas cartas de vinho e sommeliers bem preparados –, os bares finalmente estão matando a sede cada vez maior de seus clientes por vinho. Novos e charmosos wine bars, tavernas subterrâneas e híbridos de loja e bar começaram a surgir nos últimos dois anos, oferecendo uma bem-vinda alternativa para o chope e as caipirinhas.

Na maior parte dos casos, rótulos importados do Velho Mundo e dos vizinhos Argentina e Chile dominam as cartas dessa nova safra de estabelecimentos, embora haja bons vinhos nacionais também.

Mesmo que já seja possível encontrar, em taça, vinhos brasileiros exclusivos e fabulosos nos cada vez mais numerosos bares especializados da cidade, isso ainda é muito mais difícil do que deveria. Difícil, mas não impossível, como você descobrirá em nossa seleção de dez dos melhores wine bars. Com os sommeliers de cada casa, conseguimos dicas de bebidas nacionais superiores e, onde não há nenhuma no menu, recomendamos uma alternativa importada mais acessível. Um brinde a isso!

Bravin | Divine Wine Bar | Bardega | Vino! | Rouge Bar a Vin
Avek | Bodega Franca | La Madrileña | Rubi Wine Bar | Sacra Rolha

Bravin

Rua Matogrosso, 154, Higienópolis (2659-2525).

Os devotos do vinho se reúnem no bar e restaurante Bravin, cuja proprietária nada convencional – a sommelière tatuada e careca Daniela Bravin – tem uma abordagem tão original quanto sua aparência. Não há carta de vinhos. Os clientes se colocam inteiramente nas mãos dela, acompanhando-a à adega para encontrar a melhor opção da noite. Ao som de uma trilha sonora muito agradável de clássicos brasileiros, ela examina seus produtos maravilhosamente selecionados, com cerca de 40 vinhos brasileiros exclusivos, mas também com rótulos do mundo todo. 

Nossa dica
: Ocasionalmente, o Bravin abre para uma Domingueira – um churrasco harmonizado com vinhos aos domingos. As datas são anunciadas no Instagram da proprietária:
@danielabravin. Melhor custo-benefício: Routhier e Darricarrère Cabernet Sauvignon/Merlot 2012 (R$ 23). Melhor brasileiro pelo custo-benefício: A.R.M.M., Cab. Lot 3 (R$ 110). 

Divine Wine Bar

Alameda Jaú, 1844, Jardim Paulista (3063-3961/divinewinebar.com.br).

O subsolo com cara de porão do Divine é exatamente como deve ser um bar de vinho: pouco iluminado e misterioso. Apesar de ter apenas cerca de 16 opções servidas na taça, o Divine é um wine bar muito dedicado aos tintos, brancos e rosés. Leve sua taça até a máquina Enomatic, que serve automaticamente uma seleção de oito vinhos de ponta; a pequena dose de 25 ml possibilita que reles mortais provem bebidas vintage caríssimas. O ponto forte do Divine são os rótulos do Novo Mundo, marcados no menu com símbolos que representam os vintages excepcionais, os biodinâmicos (produzidos por meio de metódos naturais bem específicos) e os recomendados pela casa. 

Nossa dica: Vale a pena pagar o couvert artístico de R$ 20 para ouvir o jazz ao vivo às quinta-feiras, a partir das 21h30. Melhor custo-benefício: Alento Tinto 2010, Portugal (R$ 100). Indicação do sommelier: Stoneburn Pinot Noir 2009, Nova Zelândia (R$ 138).

Bardega

Rua Doutor Alceu de Campos Rodrigues, 218, Itaim Bibi (2691-7579 /bardegawinebar.com.br).

É fácil sentir-se intimidado no Bardega, seja pelo grande número de opções ou pela tecnologia. A sofisticada casa é um dos mais novos bares de vinho do Itaim, consolidando o bairro como o destino principal de enófilos. Majoritariamente frequentado após o expediente, o Bardega – um espaço tipo celeiro, com vigas de madeira e algumas luzinhas pendentes – é dominado por uma parede inteira de máquinas de autosserviço Enomatic. As máquinas, aliás, são a bênção e a maldição do Bardega. Quase 100 vinhos podem ser servidos, em taças de 30 ml e 60 ml, ou no tamanho mais generoso de 120 ml. Pegue uma taça, insira o cartão e vá em frente. iPads estrategicamente localizados oferecem textos sobre cada vinho ao toque de (outro) botão. 

Nossa dica: Bolinhas pretas nas máquinas indicam quais vinhos estão na promoção 2 taças por 1 durante a happy hour (ter. a qui., 18h30-20h30). Melhor custo-benefício: Eugen Müller Forster Mariengarten Riesling Kabinett 2011, Alemanha (R$ 96). Indicação do sommelier: La Rioja Alta Viña Alberdi Reserva Rioja 2005, Espanha (R$ 180).

Vino!

Rua Professor Tamandaré de Toledo, 51, Itaim Bibi (3078-6442/lojavino.com.br).

A sofisticada rede de Curitiba funciona como empório de vinho e restaurante italiano, e é um lugarzinho ultracasual para beber sem culpa. Encontre um banquinho diante do balcão em forma de U – a peça central da loja e popular entre os comensais solitários, que querem uma bebida após o trabalho sem a preocupação de se sentarem à mesa sozinhos. A clientela engravatada do início da noite dá lugar a casais coladinhos e famílias na hora do jantar, quando pratos substanciosos podem ser harmonizados com cerca de 570 vinhos em garrafa, incluindo uma dezena de rótulos brasileiros. 

Nossa dica: Nos horários mais concorridos, praticamente todos os vinhos da loja podem ser pedidos em taça. Melhor brasileiro: Cave Geisse Brut 2010 (R$ 79). Melhor custo-benefício: Viña Chocalan Gran Reserva 2010, Chile (R$ 99).

Rouge Bar a Vin

Rua Doutor Mário Ferraz 561, Itaim Bibi (2628 8377/rougebar.com.br).

Em um trecho da Rua Dr. Mário Ferraz que é sinônimo de bares badalados, o recém-chegado Rouge Bar a Vin traz uma agradável mudança de cenário. Com uma atitude despretensiosa em relação ao vinho e preços que não são de fazer chorar, é fácil passar uma noite deliciosa aqui.  A música ambiente tranquila toca enquanto você examina as opções de vinhos em taça, a maior parte francesa e de outras partes do Velho Mundo, convenientemente apresentadas em um gráfico que os classifica como seco, leve, frutado e encorpado. Sente-se no arejado pátio da frente para ver o mundo passar, ou então esconda-se no jardim dos fundos, mas será preciso chegar cedo para conseguir uma mesa durante a semana – a excelente promoção de duas taças por uma durante a happy hour (ter. a sex., 18h-20h) atrai tanto os enófilos mais abastados como os sedentos por uma pechincha, aos montes.

Nossa dica
: Ostras frescas chegam de Santa Catarina às quintas-feiras à noite. Melhor em taça: Chateau Lagrézette’s Malbec Purple 2009, França (R$ 23). Indicação do sommelier: E. Guigal Crozes-Hermitage 2009, França (R$ 192).

Avek

Rua Joaquim Antunes, 48, Jardim Paulistano (2507-5932).

Aberto há apenas três meses, o Avek ainda tem muito chão para que o atendimento e a comida sejam tão brilhantes como suas novíssimas taças de cristal. O restaurante consiste em um salão nos fundos – decorado e iluminado de forma charmosa, com um labirinto de abajures em uma parede – e um espaço na frente, mais iluminado, com pé-direito duplo e paredes de tijolos brancos, que é um misto de loja e bar. Ali, caixas e prateleiras de vinho competem por espaço com as mesas, cadeiras e o balcão com banquetas. Você pode se esbaldar com a comida francesa enquanto bebe um dos mais de 100 vinhos. 

Bodega Franca

Alameda Franca, 1045, Jardim Paulista (3081-3870/bodegafranca.com.br).

O ambiente de dois andares na recém-aberta Bodega Franca incorpora uma bem iluminada loja de vinhos no térreo e um charmoso restaurante à luz de velas no subsolo, onde há candelabros de ferro envelhecido, pequenas jabuticabeiras e uma cobertura de folhagens. Se for passar por aqui só para uma tacinha de vinho, encontre um lugar na varanda que dá para a rua ou sente-se no fundo da loja, onde duas mesas criam um aconchegante refúgio. Para beber, leia o menu ou analise as prateleiras para mais opções. Todas as garrafas em exposição – mais de 350 ao todo – podem ser consumidas no local, com o mesmo preço de loja. 

La Madrileña

Rua Cônego Eugênio Leite, 1127, Pinheiros (3034-0344/lamadrilenasp.com.br).

O serviço cordial prestado pelos proprietários hispano-brasileiros Edson Sarabia e Emerson Mafra, e a novidade de poder escolher sua bebida em uma prateleira com seletos 45 vinhos espanhóis a preços razoáveis – vindos majoritariamente de Rueda, Ribera Del Duero e La Rioja – fazem de uma visita a esse wine bar de Pinheiros um deleite. As tapas são feitas pela mãe de Sarabia, o que aumenta o ar caseiro do lugar. Se o tempo estiver bom, pegue uma mesa no jardim dos fundos. Ou, para um tête-à-tête mais intimista, vá a um dos cantos mais tranquilos do andar superior, recém-inaugurado.

Rubi Wine Bar

Alameda Jaú, 1595, Jardim Paulista (4323-1667/rubiwinebar.com.br).

'Wine bar' pode até formar dois terços do nome desse lugarzinho rústico dos Jardins, mas, com não mais que 12 vinhos disponíveis na taça, ele certamente não faz jus ao nome. Mas os muitos lugares ao longo do balcão de madeira – ideais para clientes solitários – compensam a falha. Mesas pesadas de madeira e paredes cor de terra dão um ar de taverna italiana ao ambiente, e a Itália é o foco do cardápio, com 20 rótulos italianos e, para acompanhar, risotos, filés e massas. Se você procura burburinho, não espere encontrar isso aqui após as 22h.

Sacra Rolha

Rua Rio Grande, 304, Vila Mariana (4304-0300/sacrarolha.com.br).

O mosaico de engradados de vinho que forma a fachada dessa autodenominada 'champanheria' deixa claro, desde o início, que o projeto aqui partiu para a decoração temática em vez da elegância sofisticada geralmente associada a bares de champanhe. Dito isto, o espaço é agradável o bastante – prefira o jardim verdejante da frente se o tempo estiver bom. É possível escolher entre 130 vinhos, 12 dos quais estão disponíveis na taça.


Escrito por Kevin Raub
 

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