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Blue Jasmine: crítica do filme

Blue Jasmine: crítica do filme

Estreia 15 Nov 2013

Diretor Woody Allen

Elenco Cate Blanchett, Alec Baldwin, Peter Sarsgaard.

 Para os fãs de Woody Allen, assistir a seus filmes mais recentes tem sido como abrir os olhos depois de um terremoto. Será que tudo voltará a ser como antes? Ou será sempre como O Sonho de Cassandra, seu ponto baixo de 2007, com Colin Farrell como um mecânico londrino? Por enquanto, podemos respirar aliviados. Blue Jasmine é o filme mais forte de Allen desde Vicky Cristina Barcelona. E é preciso procurar bastante na filmografia do nova-iorquino para encontrar uma única atuação tão comovente e cuidadosa quanto a de Cate Blanchett neste longa.

Sua frágil e trêmula Jasmine é uma socialite de Manhattan, cujo mundo desmorona com o colapso do esquema comandando por seu marido trapaceiro, Hal (Alec Baldwin). Falida e sem ter para onde ir, Jasmine decide morar com a irmã, a pé no chão Ginger (Sally Hawkins), em São Francisco. Enquanto ela tenta se reerguer, Allen nos mostra flashbacks da boa vida que ela compartilhou com Hal em Nova York.

A Jasmine de Blanchett fica entre agradável e hostil. Será ela uma vítima? Ou a arquiteta de seu próprio destino? Devemos nos importar com o quanto está abalada? Alguns dos filmes mais fortes de Allen – tais como Interiores (1978) e A Outra (1988) – deixaram as piadas de lado e encontraram riqueza em mulheres problemáticas.

Blue Jasmine não se afasta totalmente da comédia, mas seu melhor humor é do tipo negro e desconfortante, como quando o dentista que é o novo chefe da protagonista chega perto dela e pergunta: “Você já ficou chapada com óxido de nitrogênio?”. Mas o filme não disfarça o trauma de sua cena final e seu verdadeiro interesse: uma mulher triste, em queda livre.


Escrito por Dave Calhoun
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