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A Música Nunca Parou: crítica do filme

A Música Nunca Parou: crítica do filme

Estreia 13 Dez 2013

Diretor Jim Kohlberg

Elenco Lou Taylor Pucci, J.K. Simmons, Julia Ormond

Baseado em um estudo de caso do neurologista Oliver Sacks, a saga familiar dirigida por Jim Kohlberg coloca o engenheiro durão de classe média Henry Sawyer (J. K. Simmons, sólido como sempre) para enfrentar o filho de espírito livre, Gabriel (Lou Taylor Pucci) – ou melhor, a amnésia do filho agora adulto.

Nos idos de 1968, Gabriel era só um jovem hippie se inteirando das coisas e louco para cair fora. Mas depois que ele e seu pai discutem sobre a Guerra do Vietnã, a faculdade e o rock’n’roll, o adolescente vai embora. Há um corte para meados dos anos 1980, quando, após décadas de estranhamento, a família se reúne novamente, enquanto Gabriel se reabilita após a remoção de um tumor no cérebro. Há um problema: ele não se lembra de nada que aconteceu depois de Woodstock. Então, Henry troca seus discos de Count Basie pelo acid rock – especialmente pelos da banda predileta de Gabriel, Grateful Dead – a fim de se comunicar com o filho.

A música não só acalma a fera, como também pode curar todas as fraturas geradas pela distância entre as gerações (que isso aconteça durante a era Reagan, quando o conservadorismo dos anos 1950 e a nostalgia dos 60 lutaram pela supremacia cultural, é duplamente irônico. Aparentemente, todo mundo poderia ter se conectado simplesmente ouvindo a música ‘Truckin’!).

Esse tipo de drama alimentado pela doença já tende a ser meio novelesco, mas Kohlberg não se arrisca. Quando chega ao ponto de pai e filho estarem juntos em um show do Grateful Dead, o diretor já tocou insistentemente nos corações dos espectadores, como Jerry Garcia em um longo solo. A música um dia acaba; a insipidez do filme, no entanto, continua sempre e sempre.

Escrito por David Fear
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