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Como Não Perder Essa Mulher: crítica do filme

Como Não Perder Essa Mulher: crítica do filme

Estreia 6 Dez 2013

Diretor Joseph Gordon-Levitt

Elenco Scarlett Johansson, Julianne Moore, Joseph Gordon-Levitt, Tony Danza, Glenne Headley, Brie Larson.

O grosseirão de Nova Jersey Jon Martello (Joseph Gordon-Levitt) é obcecado pelo seu físico, dedicado aos amigos e à família e representa a melhor definição de um ‘ímã de garotas’ (não é à toa que seu apelido é Don Jon). Ele também é viciado no que alguns que se ofendem facilmente chamariam de “filmes obscenos”.

Sim, Don Jon gosta muito de pornografia, ao ponto de interações humanas genuínas parecerem uma distração obrigatória entre os orgasmos tidos com a ajuda do pornô. Então ele conhece Barbara Sugarman (Scarlett Johansson), aparentemente seu par ideal. Ela está pronta para se comprometer, e ele pensa que também está, mas sua dependência do erotismo online pode interferir no romance de conto de fadas.

Assim como em muitos filmes inaugurais, esta estreia mais ou menos de Gordon-Levitt na direção é cheia de ambição. As cenas iniciais, que carregam na caricatura, prometem derrubar muitas das ilusões arrogantes que giram em torno dos relacionamentos modernos. O clã sufocante de Don Jon – muito bem interpretado e com sotaque exagerado por Tony Danza, Glenne Headley e Brie Larson – poderia muito estar em um quadrinho de Robert Crumb. Há também uma cena engraçada na qual nosso herói macho e sua namorada vão a uma sessão de comédia romântica tonta de Hollywood (com muitos atores famosos) e a desconstroem a partir de seus pontos de vista bem específicos.

Mas daí Gordon-Levitt introduz a frágil Esther (Julianne Moore), de quem Don Jon fica amigo em uma aula noturna na faculdade. Com a intenção de ser um canal entre a superfície estilizada e satírica do filme e suas entrelinhas mais complexas, a mulher mais velha e perturbada acaba sendo uma fantasia de outro tipo – uma figura materna cheia de defeitos que mostrará a nosso herói caricatural o que significa estar realmente ligado a alguém, sexualmente e de outras formas.

Ela é a (não) Virgem Maria do menino inocente, uma construção tão artificial quanto qualquer outra gostosona que o filme mostra, mas com um desdém perturbador, como figuras que todo homem realmente maduro deve recusar. Don Jon – e o filme em si – simplesmente troca uma ilusão erótica por outra.

Escrito por Keith Uhlich
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