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O Lobo de Wall Street: crítica do filme

O Lobo de Wall Street: crítica do filme

Estreia 24 Jan 2014

Diretor Martin Scorsese

Elenco Leonardo DiCaprio, Jonah Hill, Matthew McConaughey.

O diretor, o tema, o tempo épico de duração. Tudo isso era indício de que a história sobre a bolsa de valores de Nova York contada em O Lobo de Wall Street seria um bom e velho filme de Martin Scorsese, com drogas, palavrões, grandes discursos, performances ainda maiores, um toque de crítica social e explosões de rock clássico. Mas, enquanto muitos desses elementos estão presentes no longa, algo inesperado veio junto: gargalhadas abertas do grande público.

Este é sem dúvida o filme mais engraçado da carreira de Scorsese – trabalhos anteriores como O Rei da Comédia e Depois de Horas podem ter sido brilhantes, mas as risadas que trouxeram foram mais frias e desconcertantes. O Lobo de Wall Street transforma tragédia moderna em farsa épica, e nos lembra do quão divertido Scorsese pode ser quando está de bom humor.

O longa também prova – de maneira igualmente inesperada – que Leonardo DiCaprio é capaz de fazer comédias. Ele interpreta Jordan Belford, um inescrupuloso prodígio da bolsa de valores que, aos vinte e poucos anos, se tornou multimilionário ao tirar dos americanos seu suado dinheiro para investimentos. Belfort – junto com seu ajudante dentuço Donnie Azoff (Jonah Hill) – usufruiu da ‘vida boa’ pela maior parte de uma década inteira: um festival de álcool, iates, prostitutas e drogas pesadas. Até a hora em que as autoridades bateram à sua porta.

Previsivelmente, O Lobo de Wall Street tem mais estilo do que substância. Scorsese nunca chega a analisar a fundo o comportamento repreensível de playboy babaca de seus personagens e há momentos em que a fotografia grandiosa, a edição rápida e a música animada conspiram para quase – quase – nos fazer gostar deles. Mas quando o filme está no seu auge, é impossível não ser levado por ele.

As cenas de mais destaque – um discurso regado a cocaína de um ganancioso Matthew McConaughey, um estranho encontro entre DiCaprio e Joanna Lumley em um banco de parque em Londres, um cruzeiro no Mediterrâneo que dá errado e, o mais memorável, uma grandiosa sequência pastelão envolvendo um carro esportivo e um punhado de drogas tranquilizantes – estão entre as mais memoráveis da carreira de Scorsese, rivalizando em vitalidade com Os Bons Companheiros. O resultado pode não ser a mais incisiva das análises da atual crise financeira, mas é sem dúvida a mais divertida.

Escrito por Tom Huddleston
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