Time Out São Paulo

Todos os Dias: crítica do filme

Todos os Dias: crítica do filme

Estreia 24 Jan 2014

Diretor Michael Winterbottom

Elenco Shirley Henderson, John Simm, Shaun Kirk

Michael Winterbottom (diretor de A Festa Nunca Termina e O Preço da Coragem) passou cinco anos gravando esta história fictícia sobre Karen (Shirley Henderson), uma mãe de quatro filhos que precisa lidar com a prisão de seu marido, Ian (John Simm), por um crime pequeno, a respeito do qual o público não chega a conhecer detalhes.

Mas não se trata de uma história de crime ou de um retrato da vida na prisão: é um estudo íntimo de uma família despedaçada tentando se adaptar às novas circunstâncias, e não é diferente em ritmo e temperamento de filmes como Wonderland e Genova – trabalhos anteriores do diretor em conjunto com o roteirista Laurence Coriat. Wonderland, em particular, é evocado pela trilha sonora pungente, mais uma vez, composta por Michael Nyman.

Enquanto cada protagonista de Todos os Dias sutilmente envelhece (ou não tão sutilmente, no caso dos filhos), nós vemos Karen em visitas ocasionais ao marido na prisão, com as crianças a tiracolo – reuniões carregadas de tensão e melancolia. Em casa, eventos rotineiros (refeições, aulas, turnos no bar) são marcados pelo vazio e preocupação.

O atípico longo período de filmagem e a decisão do diretor de colocar irmãos para interpretar as crianças faz com que o retrato da passagem de tempo e dos ritos de infância seja íntimo e poderoso. 

Winterbottom mantém um olhar calmo, observador e focado no momento: nós não sabemos, por exemplo, a duração da sentença de Ian e, em dado momento, o que parece ter sido a sua libertação se revela como apenas uma soltura temporária de algumas horas. Esse estilo fragmentário e descompromissado de se contar uma história – aliado a demonstrações fantásticas de medo, raiva e pesar reprimidos de Henderson e Simm – conferem ainda mais poder ao clímax comovente do filme.

Escrito por Dave Calhoun
Compartilhe

Comentários dos leitores

blog comments powered by Disqus