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Tudo por um Furo: crítica do filme

Tudo por um Furo: crítica do filme

Estreia 28 Fev 2014

Diretor Adam McKay

Elenco Will Ferrell, Christina Applegate, Harrison Ford

O que era para ter sido a manchete do dia acabou virando nota de pé da página: “a continuação de O Âncora – A Lenda de Ron Burgundy é ok”. Sim, Tudo Por um Furo não é o desastre que alguns temiam que pudesse ser, mas também não é a sequência deliciosamente idiota e cheia de frases hilárias que muitos de nós esperávamos com otimismo. Esta pode ser a primeira vez na história em que a campanha de marketing acabou sendo mais divertida que o próprio filme.

O enredo é desnecessariamente complicado e acompanha o maior jornalista de San Diego, Ron Burgundy (Will Ferrell) e sua nêmesis-transformada-em-musa, Veronica Corningstone (Christina Applegate), enquanto eles brigam, terminam, reatam e desbravam o novo mundo dos noticiários 24 horas por dia.

É uma alegria ter Ron de volta em nossas vidas, e é exatamente a atuação agressiva, beirando o exagero, de Ferrell que mais uma vez sustenta o filme. O tom, desta vez, é mais satírico e mordaz – Allenby, o clone mal disfarçado de Rupert Murdoch (vivido por Josh Lawson), talvez seja o maior deboche de um magnata da mídia desde Cidadão Kane, de Orson Welles – mas, tirando isso, Tudo Por um Furo não tenta ir muito além. Em algum ponto da segunda parte, ultrapassa a fronteira delicada de divertido-sem-fazer-muito-esforço para realizado-com-preguiça.

O filme arranca algumas risadas – muitas delas graças a Steve Carell como o bobão nato, Brick Tamland – mas são raras as gargalhadas (não há nenhum momento no nível do primeiro filme). Muitas das piadas envolvem confusões raciais que devem ter sido engraçadas há três décadas, e vários atores talentosos – em especial, Paul Rudd e Kristen Wigg – são mal aproveitados.

O longa culmina com uma enérgica batalha de celebridades, que é divertida, de um jeito meio ‘quantos-famosos-você-consegue-reconhecer?’. Mas a sensação é de que grande parte desta continuação agradável, mas desnecessária, foi feita mais no piloto automático do que com inspiração.


Escrito por Tom Huddleston
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