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Tudo por Justiça: crítica do filme

Tudo por Justiça: crítica do filme

Estreia 27 Mar 2014

Diretor Scott Cooper

Elenco Christian Bale, Zoe Saldana, Woody Harrelson.

Teria Christian Bale feito um favor para o mundo ao pendurar sua capa do Batman? No momento, ele é onipresente, voltando à versatilidade e nos lembrando de que vai além da máscara de látex e dos sussurros ameaçadores. Hilário em Trapaça, como um vigarista calvo e gordo, ele é a melhor coisa neste thriller violento e cheio do estereótipo “americano machão”, do mesmo diretor de Coração Louco, Scott Cooper. Bale mergulha no papel de homem comum lutando contra o mundo, em uma atuação tensa e autêntica. Pena que o resto do filme, no estilo Bruce Springsteen de ser, com temática operária e emoções de show de rock, acabe sendo só um clichê roqueiro.

Bale é Russel, tipo forte e calado que segue as regras. O problema é que as regras não valem mais. A metalúrgica na Pensilvânia onde trabalha está fechando – é mais barato importar da China. Russel cuida do pai doente e mantém seu irmão, o soldado Rodney (Casey Affleck), longe de problemas. Após ser preso por causa de um acidente, Russel encontra Rodney – veterano do Iraque orgulhoso demais para ser operário – envolvido em lutas ilegais de boxe para pagar dívidas de jogo. Entra em cena o psicopata caipira e fã de pirulitos Harlan DeGroat (Woody Harrelson).

Na vida real, há uma epidemia de suicídios entre veteranos do Iraque; após voltarem para casa, eles começam a se ferir e a ferir as pessoas que mais amam. Mas isso não é romântico nem poético como em O Franco Atirador (que o diretor deve ter visto umas cem vezes). Então, lutar boxe com caipiras é o que tem para hoje.

Tudo por Justiça não ganha o prêmio de originalidade. O próprio roteiro reconhecede seus clichês: “A intenção é que eu tenha medo de você porque está chupando um pirulito”, Affleck diz a Harrelson. O filme seria uma piada, não fossem algumas cenas imprevisíveis e tensas, e atuações inegavelmente poderosas. Bale não poderia estar melhor, Harrelson mostra por que é o psicopata favorito de Hollywood e Willem Dafoe está excelente como um sórdido traficante de drogas. O resto do filme, porém, passa sem um pingo de autenticidade.

Escrito por Cath Clarke
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