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Capitão América 2 - O Soldado Invernal: crítica do filme

Capitão América 2 - O Soldado Invernal: crítica do filme

Estreia 10 Abr 2014

Diretor Anthony e Joe Russo

Elenco Scarlett Johansson, Chris Evans, Samuel L Jackson, Robert Redford, Anthony Mackie

Com seus bíceps e justiça à toda, o Capitão América de Chris Evans é um tiro certeiro bem no centro do alvo, mesmo que a mira do universo Marvel no cinema não seja lá das melhores. A sequência do primeiro filme solo do super-herói – Capitão América: O Primeiro Vingador, de 2011 – é ainda melhor que seu predecessor, inserindo o personagem a cenário político surpreendentemente sombrio.

Estamos na Washington atual, um lugar utópico onde imensos arranha-céus de vidro brilham e onde Steve Rogers (Evans) passa uma agradável manhã acompanhado de seu amigo e ex-parceiro do exército de super-soldados Sam (Anthony Mackie). Porém, a capital americana é também um grande território militarizado, com três gigantescos porta-aviões voadores armazenados abaixo do rio Potomac prontos para invadir a privacidade de seus cidadãos. Quem diria que veríamos a paranoia da vigilância retratada em um blockbuster baseado em quadrinhos?

Enquanto você aprecia o compromisso ético do caolho Nick Fury (Samuel L. Jackson), a arma secreta do filme aparece: o caçador de esquerdistas Alexander Pierce (Robert Redford), um oficial do governo americano graúdo que não vê a hora de usar seus novos brinquedos. Muito rápido para gerar suspense suficiente (ainda que competente ao criar um clima de total descrença), O Soldado Invernal flerta com clássicos thrillers políticos dos anos 1970, como Três Dias do Condor e A Trama. Isso resulta em um vertiginoso épico cheio de reviravoltas onde senadores americanos sussurram lealdade à organização terrorista Hydra e os mocinhos estão mais fugindo do que combatendo o mal.

Os fãs mais fiéis da Marvel vão pirar nas cenas de ação, onde os diretores, os irmãos Anthony e Joe Russo, adicionam uma precisão incomum às sequências de combate urbano. Mas, diferentemente do magicamente bem equilibrado Os Vingadores (2012), aqui há um certo problema na profundidade de alguns personagens. O título do filme, na verdade, faz alusão a uma ameaça feroz (Sebastian Stan) que nunca se desenvolve em um oponente carismático. Scarlett Johansson não faz esforço para chamar atenção como a Viúva Negra, embora ela já poderia ter ganho um papel mais complexo até agora. Ainda assim, a história fornece uma boa e bem-vinda dose de paranoia administrada com cuidado entre batalhas realizadas com muito estilo.

Escrito por Joshua Rothkopf
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