Boyhood - Da Infância à Juventude: crítica do filme

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Divulgação
Ellar Coltrane
O jovem ator Ellar Coltrane em cena de 'Boyhood - Da Infância à Juventude'

Vendo por um lado, Boyhood - Da Infância à Juventude representa um jeito espetacular de economizar nos salários dos atores: para capturar esse incoerente mas envolvente drama familiar do Texas, o diretor Richard Linklater (Bernie - Quase um Anjo, Antes da Meia-Noite) firmou acordos com vários artistas - incluindo a sua filha de 8 anos, Lorelei - para gravar aos poucos um filme com eles por mais de doze anos. As vozes de adolescente mudam, as cinturas afinam e, em uma virada que ninguém poderia imaginar, o garoto, Ellar Coltrane, que interpreta o filho mais novo de um casal divorciado, se desenvolve em um estudante que parte corações.

Por mais legal que pareça, essa longa engenhoca não garante automaticamente profundidade. Richard, o diretor americano menos pretensioso e mais relaxado de Hollywood, provavelmente diria a mesma coisa. Mas, impressionantemente, é profundidade que ele alcança ao deixar os anos fazerem os seus trabalhos durante as ininterruptas três horas, e mantendo momentos que a maioria dos filmes teria cortado. Boyhood - Da Infância à Juventude parece inédito na sua intimidade; o processo é silenciosamente radical, mas o modesto roteiro é ainda mais. Somos apresentados ao clã em saltos impressionistas. Olivia (Patricia Arquette), uma mãe solteira voltando para a faculdade, prepara seus filhos para uma mudança à cidade de Houston, enquanto o pai bacana Mason (Ethan Hawke) aparece em um carrão nos finais de semana para passeios e jogar boliche.

Você torce pela reconciliação, mas o roteiro tem outros planos, trazendo uma parada de novos namorados para Olivia, sendo o mais notável deles um professor universitário que se torna alcoólatra (Marco Perella). O personagem de Ethan Hawke, enquanto isso, muda sua atitude e o volante, eventualmente se casando com uma doce conservadora de uma família religiosa. Os dois se tornam retratos suaves de compromissos longos, e Richard Linklater os guia até um tipo de sabedoria que os pais só podem desenvolver com o tempo.

Da mesma forma vívida, as crianças experimentam vários tipos musicais (de Britney Spears até Bright Eyes) e pequenos atos de rebeldia, crescendo e se tornando pensadores independentes. Boyhood é o mais sutil filme sobre família? Não, e o classificar assim diminuiria o feito do diretor. É melhor dizer que ele nos incentiva a deixar as expectativas melodramáticas de lado e simplesmente deixar a vida acontecer, uma ambição bastante sofisticada. Em certo ponto, é isso que Richard tem feito com a sua trilogia Antes do Pôr-do-Sol, criada ao longo de dezoito anos. Mas Boyhood - Da Infância à Juventude tem um escopo que é mais meticuloso e épico. Espirituoso e que faz sentir, o filme vai continuar pagando dividendos emocionais por muito, muito tempo. 

Escrito por Joshua Rothkopf

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Mais sobre Boyhood - Da Infância à Juventude: crítica do filme

Duração 166 minutes

País de origem USA

Ano de produção 2014

Classificação Not available

Estreia 30 Out 2014

Diretor Richard Linklate

Elenco Patricia Arquette), Ethan Hawke, Marco Perella, Ellar Coltrane

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