Time Out São Paulo

Pina

Pina Bausch, Regina Advento, Malou Airaudo.

Pina

Diretor Wim Wenders

As palavras são as inimigas no misterioso e profundo tributo em 3D a uma das pioneiras da dança, Pina Bausch. Um a um, os dançarinos do Tanztheater Wuppertal, a companhia que ela dirigiu por 36 anos, comentam sua relutância em se expressar usando palavras. “Dance por amor”, ela costumava dizer.

Wenders segue a dica dada pela forma minimalista como Bausch abordava a arte. Apesar de quase sucumbir ao tradicional expediente dos depoimentos em close-up, acaba recuando neste que é um filme pouco convencional. Vemos os dançarinos, filmados em primeiro plano, mas eles estão em silêncio e apenas ouvimos suas palavras. A própria Bausch aparece poucas vezes, a não ser por alguns trechos, inseridos de forma inteligente, dançando ou fumando, sentada à sua mesa na sala de ensaio.

As palavras ganham poder mesmo nos relatos das memórias sobre Bausch, que ouvimos dos dançarinos. Contudo, o que mais há no filme é performance. Vemos trechos de quatro obras de Bausch, Le Sacre du Printemps, Kontakthof, Café Müller e Vollmond, todas interpretadas no Tanztheater Wuppertal. Com o auxílio da tecnologia 3D, essas sequências nos levam a mergulhar no trabalho da coreógrafa e se distanciam o máximo possível de qualquer ideia tradicional em torno do ‘teatro filmado’.

A beleza do filme de Wenders reside no fato de seu olhar partilhar das principais características da obra de Bausch: despojamento e uma divertida ironia. E os espectadores encontrarão um filme fascinante e realmente inspirador.

Escrito por Dave Calhoun
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