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O Príncipe do Deserto

O Príncipe do Deserto

Diretor Jean-Jacques Annaud

Elenco Antonio Banderas, Mark Strong, Tahar Rahim

Nas mãos de Hollywood, esta seria uma história americana sobre as aventuras de texanos que exploram petróleo. Mas com dinheiro europeu, um diretor francês e um produtor tunisiano, a descoberta de petróleo ainda é o catalisador, mas a reação de diferentes líderes árabes a essa descoberta demarca a substância do drama. Embora o período seja o início do século 20, o poder feudal ainda reina, e o emir Nesib (Antonio Banderas) explora petróleo para começar a modernização, enquanto seu rival, o devoto sultão Amar (Mark Strong), exige que se fechem as jazidas, temendo a contaminação social vinda da inevitável chegada de infiéis. No meio deles está Auda (Tahar Rahim, astro de O Profeta), filho de Amar que foi criado por Nesib como parte de um tratado de paz anterior. Mas, dessa vez, o conflito se desenrola.

Assim como faz o fantasma de Lawrence da Arábia, o diretor Jean-Jacques Annaud comanda centenas de figurantes em cenas espetaculares e renovadas de batalhas no deserto feitas sem computação gráfica. Embora não haja um grande objetivo, já que o enredo evita tomar partido.

Na ânsia de refletir uma diversidade de opiniões árabes, o filme vê bondade e maldade em ambos os líderes rivais, uma abordagem narrativa que não combina com um épico, já que assistimos a ela com interesses acadêmicos. Além disso, a ambição de atingir uma autenticidade cultural parece questionável em face do elenco famoso, empurrando a história com protagonistas internacionais nada convincentes – dos quais apenas Strong merece algum crédito. Tais escolhas constituem um filme fascinante em muitos aspectos, mas que não funciona como o entretenimento que pretende ser.
 

Estreia em 13 de abril.

Escrito por Trevor Johnston
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