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As Flores da Guerra

As Flores da Guerra

Data 11 Mai 2012-29 Jun 2012

Diretor Zhang Yimou

 Zhang Yimou – indiscutivelmente, o melhor estilo da quinta geração de cineastas chineses – dirigiu filmes comerciais com paletas deslumbrantes (O Sorgo Vermelho e Lanternas Vermelhas), opulentos espetáculos históricos (Herói e A Maldição da Flor Dourada) e parábolas neorrealistas (A História de Qiu Ju e Nenhum a Menos). Mas ele nunca tinha tentado misturar as três tendências em um mesmo filme. Sua mais recente e ambiciosa produção – ambientada durante o trágico Estupro de Nanquim, na Segunda Guerra Sinojaponesa – confirma que ele deveria, de fato, apegar-se a um “gênero” de filmar de cada vez. Quando o terror começa, um agente funerário americano (Christian Bale) abre caminho entre balas e baionetas, até chegar a uma igreja local.

Compartilhando esse santuário sagrado com meninas de um orfanato e um grupo de belas prostitutas, o ianque simplesmente bebe muito sangue de Cristo e se apaixona pela concubina principal (Ni Ni). Em dado momento, ele passará por um despertar de consciência, é claro; sacrifícios serão feitos e ações heróicas, também.

Essencialmente um melodrama dos anos 1940, recheado de representações modernas de brutalidade, As Flores da Guerra beneficia-se, de fato, da intensidade característica de sua estrela principal (depois de Bale ter interpretado um jovem que sofre nas mãos de soldados japoneses durante a Segunda Guerra Mundial, em Império do Sol, sua presença como herói aparece como um contraponto não intencional). Mas a mistura feita por Zhang de violência impiedosa, sentimentalismo enjoativo e ornamentação extravagante cria uma estética desconfortável. Depois de assistir a explosões dilacerantes que lançam vestuários brilhantes em direção ao céu e tentativas de estupro com vitrais descoloridos como pano de fundo, o espectador se pergunta se essas imagens estetizantes e inadequadamente vistosas se submetem aos horrores da guerra, ou vice-versa.

Estreia em 11 de maio.

Escrito por David Fear
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