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Deus da Carnificina - Crítica do filme

Deus da Carnificina - Crítica do filme

Data 08 Jun 2012-08 Jul 2012

Estreia 7 Jun 2012

Diretor Roman Polanski

Nessa representação, Roman Polanski mostra seu talento para dramas claustrofóbicos em espaços fechados (um tema recorrente desde Faca na Água até O Escritor Fantasma, passando por Repulsa ao Sexo e O Inquilino). Mas na adaptação da peça Deus da Carnificina, da dramaturga francesa Yasmina Reza, ele transfere o cenário da Paris burguesa para o Brooklyn de classe média.

Trata-se de um exercício cáustico, preso no confinamento e na histeria, que começa quando um casal – Nancy (Kate Winslet), profissional do setor financeiro e sem personalidade, e Alan (Christoph Waltz), um executivo atormentado – bate à porta de Penelope (Jodie Foster), uma escritora liberal e consciente, e Michael (John C Reilley), um vendedor bonzinho, para discutir sobre uma briga entre seus filhos. Cada um tenta ser diplomático, mas as palavras viram armas, os preconceitos vêm à tona e a noite entra em colapso com uma tempestade de fúria e violência.

É um confronto entre atores, mas Polanski controla qualquer atuação teatral para tornar o filme coeso. Cada uma de nossas quatro vítimas executa uma dança primitiva de poder no apartamento.

O filme ameaça se perder: o terceiro ato parece acelerado e exagerado se comparado com os movimentos mais dissimulados do início. Ainda assim, Waltz rouba a cena ao encarnar as atitudes amorais de seu personagem. Ele também tem uma das melhores falas, quando sorri torto para Foster, que está sempre contando vantagem, e lança: “Vi sua amiga Jane Fonda na TV outro dia”. Sucinto, brutal e excêntrico.


Escrito por Dave Calhoun
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