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Prometheus - Crítica do filme

Prometheus - Crítica do filme

Data 15 Jun 2012-01 Jul 2012

Chegou a hora. Depois de todo o hype, roteiro vazado, rumores – é um prelúdio para Alien – O Oitavo Passageiro? Ridley diz que não, todo mundo diz que sim – os clipes virais, os teasers, os trailers, as coletivas, a ansiedade, e Prometheus é… bem, apenas mais um filme de monstros no espaço. Claro que isso não resume tudo – assim como outros filmes de ficção científica, esse é um exemplo de épico de grande orçamento com certa profundidade, mas está longe de ser um marco para o gênero que o público estava esperando.

Leia a entrevista com o diretor do filme, Ridley Scott

Se você viu os trailers, conhece a trama básica: no ano 2089, os arqueólogos Elizabeth Shaw (Noomi Rapace) e Charlie Holloway (Logan Marshall-Green) tropeçam em um pictograma escondido em uma caverna na Ilha de Skye, na Escócia. Após comparar a descoberta com outras gravuras espalhadas pelo mundo, eles concluem que os desenhos são um mapa estelar. Quando um bilionário moribundo (Guy Pearce) concorda em financiar uma missão, os dois embarcam na nave Prometheus na esperança de achar uma resposta a questões que envolvem vida e universo. O que eles acham é, claro, muito mais pegajoso e menos amistoso que o esperado. Ao chegar a uma distante lua rochosa na companhia do androide David (Michael Fassbender), da executiva durona Vickers (Charlize Theron), da Capitã Janek (Idris Elba), e de outros vários personagens supérfluos que habitam a nave, eles dão de cara com uma estrutura gigante enterrada. Poderia aquela coisa guardar as chaves para a origem da humanidade?

Há muito o que recomendar em Prometheus: a fotografia é ótima e o design é impressionante, remetendo muito bem a Alien e suas sequências. E há alguns momentos estimulantes – uma cena dentro de uma unidade médica é sem dúvida a mais palpitante desse blockbuster até o momento no ano.

Mas suas falhas são impossíveis de serem ignoradas. O roteiro é sem graça – mesmo que tenha algumas boas referências ao filme original, os diálogos são preguiçosos, enquanto a trama, mesmo que cheia de boas ideias, falha em uní-las de forma coerente. Após um bom começo, o meio do filme é solto, confuso, e algumas vezes um pouco entediante, enquanto o climax é cheio de luzes e explosões, mas que não empolgam.

Parece que não há muita lógica no filme. Alguns eventos – como um membro do grupo que enlouquece e parte para cima de seus colegas – acontecem apenas porque esse tipo de coisa é esperada nesse gênero, não porque faz sentido. Fãs de Alien vão sentir algumas mudanças: o roteiro não se esforça em ser um prelúdio daquele filme, aliás, fica satisfeito em ignorá-lo enquanto ao mesmo tempo é ávido em explorar o belo visual da nave de HR Giger. O final deixa espaço para uma sequência, o que pode servir para explicar algumas questões não concluídas, mas ainda sofre por uma frustrante falta de cuidado.

Talvez Prometheus lembre, mais do que qualquer outro filme, A Origem, de Chris Nolan: é esperto, tem um belo visual e está recheado de conceitos intrigantes. Mas o produto não resulta poderoso. Os personagens são superficiais e frios. O roteiro é previsível e tudo parece ter sido construído a partir de ideias de seus predecessores, que são melhores (além das referências de Alien, aqui há um pouco de 2001 - Uma Odisseia no Espaço, uma pitada de O Segredo do Abismo e muito de Jornada nas Estrelas). Não há dúvida que Prometheus fará a sua noite no cinema mais divertida – mas nos foi prometido muito mais do que isso.

Estreia em 15 de junho.

Escrito por Tom Huddleston
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