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Sombras da Noite - Crítica

Sombras da Noite - Crítica

Mergulhe no armário de fantasias de Johnny Depp (provavelmente um lugar muito louco) e encontrará uma capa e uma dentadura de vampiro penduradas no fundo: Barnadas Collins, o soberano personagem sugador de sangue da série de TV Dark Shadows, foi, segundo Depp, seu modelo.

A adaptação que o diretor Tim Burton fez para as grandes telas está mais para o filme The Rocky Horror Picture Show e para o estilo de terror suburbano do cineasta. Qualquer um que reclamar em alto e bom som desse filme – em que nosso confuso herói, desenterrado em 1972, chama uma luminária psicodélica de de “urna de sangue pulsante” – está determinado a não se divertir.

Cheio até as tampas de olhares vorazes e colarinhos altos (e até Alice Cooper fazendo uma ponta), Sombras da Noite ostenta mais glamour que qualquer outro filme desde Velvet Goldmine – e isso é outro ponto positivo.

Quando estamos nos acostumando com o vampiro apaixonado encarnado por Depp, que tenta ressuscitar a fábrica de conservas da família, chega Eva Green em forma de demônio sexy. Ela emana um quê desengonçado, para dar exagero ao filme. Como sempre, Burton é ótimo em criar atmosferas e manter o ‘timing’ cômico (esses são seus momentos mais esquisitos desde Ed Wood), mas nem tanto em ter controle de um enredo extremamente complicado e em cenas de ação à meia-luz. 

Escrito por Joshua Rothkopf
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