Cosmópolis

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Imagem Filmes/ Divulgação


Um retrato estranho, fascinante e emocionante da alienação individual em um mundo corporativo milionário, onde dinheiro, sexo, amor, felicidade – e morte – rapidamente perdem o sentido: eis a nova produção do canadense David Cronenberg. Baseado no romance de 2003 de Don DeLillo, não se trata de um filme realista, embora faça uma referência superficial à atual crise financeira com imagens e eventos dela, como protestos e mercados em quebra.

Cronenberg volta ao território que não explorava desde eXistenZ e Crash - No Limite. Trata-se de um longa psicológico e sexual que fica lado a lado com filmes como Trabalho Interno e Margin Call – O Dia Antes do Fim.

Leia a nossa entrevista com o diretor do filme David Cronenberg. 

Aqui ele mostra um jovem rodando por Manhattan em uma limusine em um dia que, cada vez mais, parece ser seu apocalipse particular. Ele é o nova-iorquino ricaço Eric Packer (Robert Pattinson), bilionário de 28 anos que comanda mercados financeiros e indústrias de tecnologia. Ele insiste em atravessar a cidade para cortar o cabelo, mesmo com seu motorista o alertando para um congestionamento infernal.

O mundo de Packer fica confinado dentro do carro de luxo, recheado de telas e eletrônicos. É ali que ele recebe um funcionário e depois duas mulheres, uma interpretada por Juliette Binoche e outra por Samantha Morton. Fora da limusine, Packer encontra um manifestante (Mathieu Amalric), sua futura ex-mulher Sarah Gadon e um homem que planeja se vingar dele (Paul Giamatti).

O filme é uma odisseia definida por uma série de encontros isolados. Há exames médicos prostrantes, corpos nus, discussões sobre Rothko e papos turbinados sobre a filosofia dos sistemas de segurança financeira. A maior parte não faz sentido de início: o clima é de uma peça de teatro experimental de linguagem erotizada e intensa.

Pode-se dizer que ele tenta virar a mente de Packer do avesso: tornar real o psicológico. Algo mais difícil de fazer no cinema do que na literatura, e é aí que Cosmópolis atinge seu auge quando transcende e clama por criatividade.

Seu ponto fraco é quando lhe pesa uma verborragia cansativa, ou quando deixa a limusine – a arena da surrealidade do filme – para entrar em um mundo mais realista. Ele ameaça alçar voo, mas dá apenas flashes de lucidez. Dito isso, o filme tem indícios consistentes de ameaça apocalíptica, que Cronenberg trata com um senso impecável de precisão e confiança. E ele está bem servido, com um Pattinson malicioso e deteriorante, que faz um retrato de um homem consumido por seu próprio poder e vaidade. 

Escrito por Dave Calhoun

Mais sobre Cosmópolis

Duração 109 minutes

País de origem França Canadá, Portugal, Itáli

Ano de produção 2012

Classificação Not available

Estreia 7 Set 2012

Diretor David Cronenberg

Elenco Robert Pattinson, Samantha 
Morton, Paul Giamatti

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