Time Out São Paulo

O Monge

O Monge

Diretor Dominik Moll

Elenco Vincent Cassel, Déborah François e Joséphine Japy.

Com o soturno ator francês Vincent Cassel no papel de um monge, você pode ter certeza de que a castidade e a santidade desse personagem não são 100% garantidas. E é exatamente isso o que acontece nessa adaptação em língua francesa do romance gótico de 1796, de Matthew Lewis, sobre Ambrosio (Cassel), um respeitado religioso da Espanha do início do século 17 que é gradativamente atraído pelos desejos da carne após ser corrompido pelo, bem, pelo diabo.

No início, Ambrosio mostra uma devotada retidão ao entregar uma freira desvirtuada a seus superiores. No entanto, logo ele é tentado por uma garota disfarçada de monge, Matilda (Déborah François), e uma jovem mulher, Antonia (Joséphine Japy), desesperada para que ele reze ao lado de sua mãe doente, Elvira (Catherine Mouchet), cujo passado é ameaçadoramente misterioso.

O diretor Dominik Moll é mais conhecido por Harry Chegou para Ajudar e Instinto Animal, ambos suspenses psicológicos modernos e esteticamente bonitos, calcados no mundo real. Embora seja superficialmente diferente, a abordagem aqui é bastante parecida – só que o mundo ‘real’ de um monge medieval, principalmente o do filme, envolve visões do paraíso e do inferno com flashbacks de peripécias carnais. A coisa toda poderia ter sido muito mais antiquada nas mãos de alguém como Ken Russel em seu tempo de glória, e vai depender do seu gosto se sentirá falta ou não de tais floreios.

Sendo assim, Moll vai direto ao assunto, mas luta para manter o fio da meada ou para fazer a queda de Ambrosio tão sinistra e convincente quanto deve ser. A fotografia e o cenário são pontos fortes, com uma procissão noturna que é, no mínimo, estranha.

Estreia em 14 de setembro. 

Escrito por Dave Calhoun
Compartilhe

Comentários dos leitores

blog comments powered by Disqus