Time Out São Paulo

Os Infratores

Irmãos fora da lei na Virgínia do ano de 1931

Os Infratores

Diretor John Hillcoat

Elenco Tom Hardy, Shia LaBeouf, Guy Pearce, Gary Oldman

A Virginia de 1931 foi uma época de homens bons, tiras maus, garotas bonitas e um mundo decadente e perigoso em virtude da pobreza e da lei seca. O cinema já esteve nesse mundo glorificado muitas vezes, e John Hillcoat e o cantor Nick Cave (que assina o roteiro, na segunda colaboração com Hillcoat – a primeira foi em A Proposta, de 2005) não surpreendem com a força da arrebatadora história dos irmãos fora da lei Bondurant: Jack (Shia LaBeouf), Forrest (Tom Hardy) e Howard (Jason Clarke). Nos confins da área rural, os meninos encontram vários obstáculos, como um policial maldoso transferido de Chicago, Charles Rakes (Guy Pierce); um tipo mafioso da cidade grande, Floyd Banner (Gary Oldman); e duas lindas mulheres cujos passados atrapalham o amor (Mia Wasikowska e Jessica Chastain).

Os Infratores não é uma história sutil: os Bondurant começam como uma família honesta, embora extremamente violenta, e terminam do mesmo jeito. O Jack de LaBeouf é jovial e extrovertido, enquanto o Forrest de Hardy é sério e resmungão e sua decência nunca é questionada. Até mesmo os policiais da cidade pequena parecem se desculpar quando precisam perguntar algo incômodo aos irmãos. Na cidade, os garotos têm fama de serem invencíveis, tal é sua capacidade de contornar as adversidades – uma ideia que garante os poucos momentos de humor.

A decisão de Hillcoat e Cave de abusar do derramamento de sangue e das gargantas cortadas – rostos apanhando de soco-inglês, chutes no saco – não impede que o filme pareça bonito demais (da mesmo forma que Wasikowska e Chastain talvez sejam muito bonitas e limpinhas para os interesses amorosos de Jack e Forrest, respectivamente). O que este filme tem de melhor é a fotografia de Benoît Delhomme, com lindas tomadas no campo, e uma direção bem tranquila de Hillcoat, que dá tempo a atuações emotivas e garante uma forte noção de tempo e espaço. LaBeouf oferece o carisma de um novato da mesma forma que Hardy apresenta o anti-carisma de um cara rodado que já teve as costelas quebradas dezenas de vezes. No entanto, os atores são fetichizados por Hillcoat, que dá a ambos grandes entradas e momentos a sós admiráveis. Pearce, principalmente, conseguiu espaço para se transformar em um vilão dos quadrinhos.

Pouca coisa aqui incomoda a visão romântica da vida e das experiências dos Bondurant. Isso com certeza acontece porque o roteiro de Cave é baseado em um romance de 2008, The Wettest County in the World, de Matt Bondurant, neto de um dos irmãos. Hillcoat e Cave contam essa história a partir da perspectiva dos fãs, como se fossem parentes idosos em torno da lareira, romantizando seus ancestrais. A experiência é confortável, considerando-se a morte e o sangue, elementos centrais do filme.

Escrito por Dave Calhoun
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