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Abendland

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Diretor Nikolaus Geyrhalter

Na Inglaterra, uma equipe de segurança persegue alguns jovens que estão matando o tempo em uma praça pública. Policiais alemães fazem treinamentos em simuladores computadorizados para se prepararem para as piores situações e para o controle de multidões. Em Praga, estrelas pornô improvisam diante de câmeras que transmitem as cenas pela internet. Centenas de fãs de cerveja se embebedam em um enorme biergarten de Munique; depois, o público espia os trabalhadores que lavam a louça dos clientes e os que limpam os banheiros dos aeroportos. Um advogado diz a um senhor de Lagos que, sendo ele um imigrante ilegal, não conseguirá nem mesmo tais empregos. Enquanto isso, imigrantes apanham de policiais italianos. Em algum lugar muito distante –
ou talvez muito, muito perto – de onde tudo isso acontece, políticos debatem a situação no Afeganistão.

Se essas cenas lhe parecerem aleatórias, você mudará de ideia quando assistir a este olhar do cineasta austríaco sobre a Europa, em que imagens de segurança e tecnologia correm freneticamente e o multiculturalismo se choca contra sérias questões sociais.
Quem já viu os trabalhos anteriores do documentarista, como O Pão Nosso (2005), sabe que a força de seus mosaicos sem enredo deriva do efeito cumulativo de uma sucessão de cenas distintas. Seu olhar crítico sobre o velho continente que se desprega dos valores do Novo Mundo é emocionante. Embora ele termine com uma rave nos Países Baixos, ainda assim a mensagem é: enquanto Nero toca a lira, Roma arde.

Este filme faz parte da 36ª Mostra Internacional de Cinema 

Escrito por David Fear
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