O Homem da Máfia

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A adaptação do romance policial dos anos 1970 Cogan’s Trade, de George V Higgins, traz para o ano de 2008 a história nua e crua de jogos de pôquer, criminosos cruéis e mafiosos. Mas mantém o visual decadente daquela década, em um cenário quase apocalíptico de Nova Orleans e em seu comprometimento com o cinema de entretenimento sério americano. Também consegue funcionar como um filme de gângster – esses mafiosos têm missões a completar e pessoas a matar –, ao mesmo tempo em que questiona sarcasticamente tais indivíduos, os atribuindo uma alta dose de incompetência.

Na história, peixinhos nadam junto a tubarões. Dois jovens e pobres criminosos, Frankie (Scoot McNairy) e Russell (Ben Mendelsohn), chegam atirando em um jogo clandestino comandado por Markie (Ray Liotta). Não dá nem tempo de acusá-los de ingênuos: Jackie (Brad Pitt), assassino contratado pela máfia, está na cola deles e contrata outro assassino, Mickey (James Gandolfini), para fazer o trabalho sujo. O ajudante de Mickey é o engravatado Driver (Richard Jenkins).

O filme tem alta dose de testosterona – a única mulher que abre a boca é uma prostituta. Mas O Homem da Máfia também é, de alguma maneira, antimachista quando apresenta o mundo dos gângsteres como um show de horrores caótico, subvertido pela falibilidade humana.

Os ocasionais rompantes de violência são contrabalançados por momentos como quando um personagem chora e... bem, vomita após uma surra.

O roteirista e diretor Andrew Dominik (O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford; Chopper – Memórias de um Criminoso) sai um pouco da superfície, dos dois lados da moeda, com amplas cenas televisivas de Barack Obama e George W. Bush passando ao fundo e a ideia de que esse filme noir é uma metáfora para a loucura e a estupidez do setor financeiro. Mas, a despeito dessas críticas, o longa é uma história precisa, com um equilíbrio contido entre diálogos soltos e rompantes visuais sagazes – e ainda é permeado por um humor negro delicioso.

Dominik traz a estética na medida certa, além de ser um excelente filme de atores: todos eles em um de seus melhores trabalhos, desde Mendelsohn em seu personagem repulsivo, metido e comicamente petulante, até Gandolfini, na pele do assassino bêbado e decadente com uma língua bem afiada. Agradável demais e inteligente o suficiente. 

Escrito por Dave Calhoun

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Duração 97 minutes

País de origem EUA

Ano de produção 2012

Classificação Not available

Estreia 30 Nov 2012

Diretor Andrew Dominik

Elenco Brad Pitt, Ray Liotta, Richard Jenkins, Javier Barden

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