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Magic Mike

Magic Mike

Estreia 2 Nov 2012

Diretor Steven Soderbergh

Elenco Channing Tatum, Matthew McConaughey e Cody McMains


O cineasta norte-americano Steven Soderbergh andou ameaçando se aposentar. Mas a carreira de nenhum diretor estaria completa, ao que parece, até que consiga fazer Channing Tatum mover os quadris para frente e para trás, dignas de premiação (Oscar, talvez?). Nem até que tenha dirigido homens de casacos manuseando vulgarmente um guarda-chuva que fariam Gene Kelly chorar.

Por isso mesmo, Soderbergh fez Magic Mike – um filme leve e divertido sobre strippers masculinos. A premissa por si só já seria suficiente para afastar os fãs do diretor, o que é uma pena, pois, em se tratando de Soderbergh, ele empresta o melhor de seu estilo ao striptease masculino.

Tatum é ator e produtor no longa. A ideia do filme surgiu dos oito meses em que ele trabalhou como stripper, na vida real, quando tinha 18 anos. Aqui, ele é Mike, atração principal em uma pequena casa de strip na Flórida.

Cada um dos artistas da casa tem seu talento especial: o garanhão latino, o ciclista cabeludo, o sósia de David Gandy, o Richie Pau Grande. Na trama, Mike é um típico garoto norte-americano. Durante o dia, ele trabalha em uma construção, onde conhece Adam (Alex Pettyfer), a quem ele passa a treinar para transformá-lo no mais novo talento da casa e por cuja irmã (Cody Horn) se apaixona. Em sua jornada noturna, Mike se vê como um empreendedor. Fazer striptease é um meio para chegar a um objetivo, e o que ele realmente quer é montar um negócio de design de móveis.

Soderbergh também consegue de Tatum uma atuação simpática e doce, na pele de um homem que está chegando aos 30 (um velho para o que faz) com a terrível constatação de que sua vida pode não ser tão emocionante como um dia acreditou que pudesse ser.

Mas é Matthew McConaughey quem rouba a cena no papel de Dallas, o proprietário da casa de strip, com um bronze artificial e a convicção de que é o messias do strip masculino.

As cenas de dança são hilárias e direcionadas ao público feminino. O roteiro adota o formato típico do romance hollywoodiano. Mas Soderbergh capta a pieguice desse mundo: nos bastidores, você vê um deles raspando as pernas, e outro atrás de uma máquina de costura reforçando a costura de sua minúscula tanga dourada, e outro ainda bombeando sua masculinidade. E, quando Adam cai no buraco do coelho com sujeitos drogados e bêbados, Soderbergh aperta o botão do realismo.

Agora, tudo de que precisamos é que a versão em 3D venha com uma camada de gloss a mais.

Escrito por Cath Clarke
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