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Anna Karenina

Anna Karenina

Estreia 15 Mar 2013

Diretor Joe Wright

Elenco Keira Knightley , Matthew Macfadyen, Jude Law


Muita gente nem percebeu que Joe Wright dirigiu dois filmes desde Orgulho e Preconceito (2005) e Desejo e Reparação (2007). A biografia de um violoncelista indigente, O Solista (2009), teve pouco público. Mais pessoas viram Hanna (2011), um assustador suspense de perseguição com Saoirse Ronan, mas podem não ter reconhecido o longa como obra de um cineasta cujos maiores méritos na carreira vieram quando colocou Keira Knightley em belos vestidos de época.

À primeira vista, seu mais recente trabalho, mais uma adaptação de Anna Karenina, o tijolo de Leon Tolstói já filmado diversas vezes, pode parecer uma aposta ‘testada e aprovada’. Knightley está de volta. Os vestidos de época também. Mas este Anna Karenina – bem humorado e, por vezes, glorioso – parece ter pegado mais características da outra heroína
de nome parecido, Hanna, do que seria de se esperar, sendo que Wright elevou em alguns degraus a brilhante estilização do último filme, entrando num território que lembra o diretor Baz Luhrmann (o longa começa com cortinas de veludo vermelho, provável referência à trilogia teatral de Luhrmann: Vem Dançar Comigo, Romeu+Julieta e Moulin Rouge!).

As músicas pop foram evitadas na exuberante trilha sonora, mas a grande artimanha do filme foi ambientar o épico romance russo – com corridas de cavalo, lagos congelados e tudo mais – quase que inteiramente dentro de um teatro, com os personagens alheios ao seu contexto enquanto expressam emoções em torno de iluminadores e roldanas. Trata-se de uma jogada corajosa e desorientadora; a “peça dentro do filme” é uma metáfora eficaz do inevitável olhar da alta sociedade moscovita sobre a repulsa de Anna ao seu tedioso marido (Jude Law) em favor às atenções mais viris do oficial da cavalaria Vronsky (Aaron Taylor-Johnson).

É o filme mais bonito de Wright, e Knightley, com exagerados casacos de pele e véus de renda, nunca pareceu tanto com uma autêntica estrela de cinema. Mas, como Anna bem aprende, toda essa beleza tem um preço e, embora a suntuosa adaptação de Wright impressione, o filme na verdade nunca nos emociona: a paixão entre Anna e o afetado Vronsky de Taylor-Johnson é obscurecida pelo cenário, enquanto a adaptação do roteirista Tom Stoppard não consegue criar a ligação emocional entre suas histórias e o romance paralelo mais puro de Levin (Domhnall Gleeson) e Kitty (a maravilhosa Alicia Vikander). É como se Wright tivesse gastado tanta energia em reenquadrar o enredo já tão conhecido, que a história em si se tornou secundária.  
 

Escrito por Guy Lodge
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