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Divulgação

A exemplo dos outros títulos da filmografia da diretora paulistana Tata Amaral, que inclui Um Céu de Estrelas (1996), Através da Janela (2000) e Antônia (2006), Hoje é um filme com alma. E para quem aprecia uma digestão mais lenta, é iguaria de excelente qualidade. A dramaturgia enclausurada em um só ambiente, tão cara e costumeira à cineasta, tem sua poesia. Mas por alguns momentos se torna difícil, principalmente aliada ao ritmo mais teatral que cinematográfico e a edição sem firulas do longa.

Vera, personagem central do filme, se beneficia da lei promulgada em 1995 que reconhece oficialmente como mortos aqueles que foram presos em atividades políticas e desapareceram sob custódia dos agentes do governo entre 1961 e 1979 – e que também concede indenização aos parentes desses desaparecidos.

Com o dinheiro recebido pela morte de seu marido – e companheiro em uma organização de esquerda –, ela finalmente se enxerga viúva e realiza o sonho da casa própria, comprando um antigo apartamento no centro de São Paulo. É ali que a encontramos, animada com a retomada de sua vida, resolvendo questões práticas com os carregadores da empresa de mudança e aturando a vizinha intrometida. Quando um barulho anuncia que mais alguém está no imóvel: um homem cuja a identidade e significado para Vera não é entregue de bandeja. Aos poucos descobrimos que é Luis, seu marido, que reapareceu depois de quase 30 anos.

Enquanto o contexto do reencontro é revelado bem lentamente, percebemos em Vera uma emoção intensa, embora sutil. Sutil é, inclusive, uma palavra que descreve bem todo o trabalho de Tata Amaral. O restante do filme são diálogos, recordações encenadas, tensão sexual, catarse. As perguntas óbvias nunca são respondidas: onde ele estava esse tempo todo? Como a encontrou no apartamento? A ideia é causar, até certo ponto, dúvida se ele voltou mesmo ou se aquele é um flerte com a loucura.

Projeções de imagens nas paredes do apartamento servem como efeito estético e têm também a elaborada intenção de se mostrar como uma outra camada narrativa, de emoções concretas. De fato, o amor dos dois é tocante, principalmente pelo desempenho da sempre ótima Denise Fraga. Já o ator uruguaio César Troncoso causa um pouco de estranheza: um filme onde o foco está na interação verbal entre dois personagens em um ambiente concentrado é um desafio gigantesco para um intérprete que não tem o português como primeiro idioma.
 

Escrito por Marina Monzillo

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Duração 82 minutes

País de origem Brasil

Ano de produção 2001

Classificação Not available

Estreia 19 Abr 2013

Diretor Tata Amaral

Elenco Denise Fraga, César Troncoso

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