Time Out São Paulo

Amor Pleno

Amor Pleno

Estreia 12 Abr 2013

Diretor Terrence Malick

Elenco Ben Affleck, Javier Bardem, Rachel McAdams, Olga Kurylenko.


Novo questionamento espiritual do excêntrico cineasta Terrence Malick, Amor Pleno parte de uma história íntima, o romance entre o americano Neil (Ben Affleck) e a europeia Marina (Olga Kurylenko). O filme foca questões muito parecidas às de A Árvore da Vida (2011), também de Malick, mas é menos sólido que o antecessor.

A narração sussurrada, a bela fotografia, a câmera em movimento, as cenas curtas e os cortes secos novamente dominam. O romance começa na França. Depois, vai até o subúrbio de Oklahoma, onde Neil trabalha. Mas o casal tem dificuldade em ficar em um só lugar. Marina se muda; Neil tem um caso; Marina volta, mas a ausência de compromisso e satisfação continuam.

Quase não há diálogos. A maior parte das falas aparece em narrações feitas por Neil, Marina e padre Quintana (Javier Bardem). O religioso oferece à confusa Marina um pouco de consolo e sua presença ajuda a enquadrar o debate. Se A Árvore da Vida parecia um filme espiritual com um toque de cristianismo, Amor Pleno atua de forma mais explícita no teatro do pensamento cristão.

Observamos fragmentos da vida a partir da perspectiva de Malick e a repetição exagerada dos tiques visuais do diretor começam a irritar. O amor de Neil e Marina é caracterizado por perambulações sem fim por jardins, campos ou parques. Marina dança constantemente. E poentes vistos através de árvores, mãos acariciando plantações de milho e esguichos de jardim parecem paródia. A luminosidade estéril também não ajuda o filme: interiores, exteriores, roupas e natureza parecem arrumadinhos demais. Como um contraponto a tanto brilho, Malick apresenta uma série de personagens cinzentos de Oklahoma, mas a presença deles conflita com a elegância e a beleza do elenco principal. Há uma falsidade nas pessoas e nos lugares do filme que nos mantém a uma distância fatal das grandes ideias nas quais Amor Pleno quer nos engajar.
 

Escrito por Dave Calhoun
Compartilhe

Comentários dos leitores

blog comments powered by Disqus