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2 Dias em Nova York

2 Dias em Nova York

Estreia 26 Abr 2013

Diretor Julie Delpy

Elenco Vincent Gallo, Chris Rock e Julie Delpy.


Não, você não está tendo um déjà vu. O título Dois Dias em Nova York pode parecer familiar. Mas aqui se trata da atriz e cineasta francesa Julie Delpy levando ao pé da letra o que se diz sobre diretores que fazem o mesmo filme repetidas vezes. Em 2007, ela escreveu e dirigiu a comédia romântica mal-humorada Dois Dias em Paris, em que interpretou a protagonista, a fotógrafa Marion, que leva o namorado estressadinho de Nova York para conhecer seus pais em Paris. Cinco anos depois, Delpy inverteu os papéis: a família está nos Estados Unidos para conhecer o novo namorado, Mingus, vivido por Chris Rock. E é mais do mesmo, mas com alguns pontos negativos: menos inteligência e mais apelação para a esquisitice.

Desta vez, Marion e o jornalista Mingus vivem um sonho. Moram em um loft em Manhattan com dois filhos (cada um tem uma criança de um relacionamento anterior). A confusão se instala com a invasão francesa: o pai de Marion (Albert Delpy, pai da diretora), que é detido na alfândega por trazer linguiças coladas ao peito; a irmã ninfomaníaca Rose (Alexia Landeau); e o namorado chapado dela (Alexandre Nahon). Delpy tem uma mão boa para a comédia de erros: Mingus apresenta o pai de Marion para um funcionário de Obama. “Socialista!”, comemora o velho, simpatizante da esquerda. O funcionário se afasta, horrorizado.

No longa anterior, Marion era uma doidinha ao estilo de Woody Allen. Agora, ela fica louca de pedra assim que sua família pousa no aeroporto JFK (embora, se Woody assistir a esse filme, poderá ter boas ideias ao ver Rock tirando as neuroses de Mingus da cartola).
O que falta são as sacadas afiadas de Dois Dias em Paris, que também estavam presentes nos dois filmes que Delpy fez com o cineasta Richard Linklater (Antes do Amanhecer e Antes do Pôr do Sol).

‘Apaixonar-se é a parte fácil, o difícil é ficar junto’ é a mensagem ácida da atriz e diretora. A monogamia em série como um fato da vida moderna parece um rumo ousado para uma comédia romântica. Disparar contra os franceses – como maníacos por sexo que odeiam banho – não.
 

Escrito por Cath Clarke
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