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Terapia de Risco

Terapia de Risco

Estreia 17 Mai 2005

Diretor Steven Soderbergh

Elenco Rooney Mara, Channing Tatum, Jude Law e Catherine Zeta-Jones


O mais recente filme de Steven Soderbergh, Terapia de Risco, é um thriller ágil que traz muito entretenimento, descaradamente beirando o suspense barato. Também é cheio de análises nas entrelinhas sobre o consumismo e a adoração ao dinheiro, e se apresenta como o último e atraente suspiro cinematográfico do cineasta que é, provavelmente, o mais intrigante de sua geração. Aos 50 anos, Soderbergh anunciou que vai se aposentar do cinema.

Channing Tatum é Martin, um ex-figurão de Wall Street que está prestes a sair da prisão. Rooney Mara é sua nervosa mulher, Emily; Jude Law é Jonathan, psiquiatra que a trata desde que ela jogou seu carro contra um muro; e Catherine Zeta-Jones é Victoria, a ex-psiquiatra de Emily, que sugere a Jonathan experimentar um novo antidepressivo na paciente.

Ambientado em uma Nova York observada friamente como um mundo de carreirismo, ambição e egoísmo, o filme coloca o casamento de Martin e Emily, e também o de Jonathan e sua mulher (Vinessa Shaw), como instáveis desde o início. Uma crise nos joga em um vai-e-vem de processos jurídicos, embustes da indústria farmacêutica e frenesis alimentados pela mídia. Então, uma sucessão de guinadas, blefes e puxadas de tapete nos leva a uma perseguição ao estilo gato e rato.

Como suspense aos moldes de Hitchcock, Terapia de Risco é muito divertido: os personagens são bem interpretados, sem serem inteiramente agradáveis, o que torna os riscos que correm muito mais interessantes, ainda que nos deixem tensos. O roteiro caminha com velocidade suficiente para não levarmos em consideração alguns diálogos complicados e um clímax explicadinho demais, por exemplo.

Devido à notícia de que Soderbergh vai se afastar de Hollywood, é tentador olhar para este filme como uma coleção das facetas de sua carreira tão diversificada. Nele, há a nauseante tensão interpessoal que fez sua fama (em Sexo, Mentiras e Videotape); o interesse pela doença mental que marcou sua carreira (Kafka, Schizopolis, O Desinformante); o pendor para narrativas capciosas (Irresistível Paixão, Onze Homens e um Segredo); a preocupação com o impacto de forças maiores sobre a vida de indivíduos (Erin Brockovich, Traffic, Contágio); e a disposição de transitar por tudo isso com velocidade. Mas o filme também nos avisa para não dar a saída de cena do cineasta como certa. Pode ser exagero.

Escrito por Ben Walters
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