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O Grande Gatsby

O Grande Gatsby

Estreia 7 Jun 2013

Diretor Baz Luhrmann

Elenco Leonardo DiCaprio, Tobey Maguire e Carey Mulligan.


Romeu + Julieta
e Moulin Rouge – Amor em Vermelho nos mostraram que o diretor australiano Baz Luhrmann sabe dar uma baita festa. Agora, após a monotonia épica de Austrália, ele tira o aparelho de som do armário e volta com tudo em O Grande Gastby. A melhor cena dessa leitura veloz e furiosa do clássico romance de 1925 de F. Scott Fitzgerald aparece logo, quando invadimos uma festa extravagante na casa do ricaço Jay Gatsby, em Long Island. Nick Carraway (Tobey Maguire), o embasbacado e pobre vizinho de Gatsby, corta caminho por entre as senhoras bem vestidas e a ostentação e encontra seu esquivo anfitrião (Leonardo DiCaprio, que, talvez corretamente, não passa de um enigma) em meio a uma multidão em um terraço elevado. A cena traz o melhor de Luhrmann: câmeras girando, um excesso maluco, figurinos chamativos e grandes apresentações musicais.

No mundo de Luhrmann, tudo é maior, mais barulhento, mais inteligente e mais rápido até mesmo que no universo da história de Fitzgerald, que por sua vez está longe de ser entediante. Tudo vai bem quando a festa está no auge, e a cena tem um pouco da excitação que sentimos com Claire Danes e DiCaprio no aquário, em Romeu + Julieta. Mas, quando a música para e as luzes se acendem, um brilho deselegante é lançado aos momentos mais calmos e intimistas do filme.

Um dos pequenos problemas do longa de Luhrmann é que ele não decide se seu tema é o amor malfadado entre Gatsby e a prima de Nick, a volúvel e bela sulista Daisy (Carey Mulligan), que mora do outro lado do rio com seu marido bruto, Tom (Joel Edgerton), ou se trata do olhar veemente, questionador e horrorizado de Carraway. Ele é um forasteiro em um mundo elitizado e teoricamente é aí que está a verdadeira força emocional da história de Fitzgerald. Mas há um trecho inteiro em que Carraway sai de cena e Luhrmann foca no vai e vem entre Daisy e Gatsby. É devagar como um romance e frio como uma tragédia.

O que o cineasta torna intoxicante é a noção de lugar – as casas, as salas, a cidade, as estradas. Tudo se desenvolve em uma bolha, como em uma fábula louca. Ele vacila em nos convencer de que isso é real, apresentando pessoas cujos destinos e experiências possam nos tocar.

Escrito por Dave Calhoun
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