Time Out São Paulo

Fritz Lang - O Horror Está no Horizonte

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Fritz Lang - O Horror Está no Horizonte

Preço de R$ 2 até R$ 4

Data 20 Ago 2014-24 Ago 2014

Rua Álvares Penteado, 112, Centro

Telefone (11) 3113 3651

Estações próximas
1, Sé

A retrospectiva traz todos os filmes realizados pelo cineasta alemão entre 1919 a 1960, em película. Esse período mostra diversas fases da carreira de Lang, desde seu início no cinema silencioso alemão, com filmes como Metrópolis e Os Nibelungos, passando ao cinema sonoro com M - O Vampiro de Düsseldorf, seus anos em Hollywood (com clássicos como Fúria, Os Corruptos e Almas Perversas) e o retorno à Alemanha no final dos anos 1950, quando realiza sua obra derradeira, Os Mil Olhos do Dr. Mabuse. Além destes, o público terá a oportunidade de assistir obras bastante raras e menos conhecidas do diretor, como House by the River (1950), A Gardênia Azul (1953) e O Tesouro do Barba Ruiva (1956).

Nascido em 1890, em Viena, Lang começou sua carreira no cinema silencioso alemão em 1919, na época do Expressionismo, junto a diretores como F.W. Murnau e Robert Wiene, diretor de O Gabinete do Dr. Caligari (1919). Sabe-se que dois filmes dirigidos Lang deste primeiro período encontram-se hoje perdidos, sendo As Aranhas (1919) o primeiro filme de sua autoria hoje disponível. Dessa primeira fase de sua carreira, ainda durante o cinema mudo, destacam-se filmes como A Morte Cansada (1921), com seu visual expressionista, Os Nibelungos (1924) e principalmente Metrópolis (1927), épico futurista de grande esmero visual e arquitetônico.

Apesar de bem-sucedido durante a década de 1920, a carreira alemã de Lang não foi tão promissora quanto parecia. Em 1933, com a ascensão do nazismo, sua situação é desanimadora: seu filme O Testamento do Dr. Mabuse é censurado por Goebbels, Ministro da Propaganda do 3° Reich, e sua mulher, Thea von Harbou — com quem havia escrito grande parte dos seus filmes até então — acaba se convertendo ao nazismo. Lang então se divorcia e se exila, indo parar na França, onde realiza Coração Vadio (1934), filme perfeitamente coerente com o “realismo poético francês”, em voga naquela país através de diretores como René Clair.

Seu nomadismo só termina ao chegar em Hollywood, onde viveu mais de vinte anos. Este período inicialmente foi visto pela crítica da época como “convencional”, como se o cineasta tivesse “se vendido”. É verdade que Lang teve de se adequar ao ritmo de produção hollywoodiano, passando por diversos gêneros (western, guerra, romance), que não eram os seus preferidos. No entanto, mais tarde soube reconhecer a crítica francesa, Lang jamais deixou de ser um “autor”, sempre imprimindo a sua visão pessoal de mundo nos filmes.

Durante a fase americana, o diretor alemão manteve predileção por um gênero em especial: o filme noir. Produto das intrigas policiais da década de 1940, o noir é caracterizado por protagonistas anti-heróis e um contexto de submundo e degradação humana. Essa fidelidade de Lang, notável em filmes como Retrato de Mulher (1944), Almas Perversas (1945) ou Gardênia Azul (1953), não veio por acaso: relaciona-se diretamente ao mesmo diretor de M – O Vampiro de Düsseldorf, no qual a noite e a penumbra guardavam a manifestação de estados menos “apresentáveis” do homem. O linchamento público (M, Fúria), a pena de morte (Vive-se Só Uma Vez, Suplício de uma Alma), as sociedades secretas (Os Carrascos Também Morrem, Quando Desceram as Trevas) são alguns de seus temas, caracterizados por preferências por ambientes internos (tribunais, prisões, a própria noite como uma atmosfera fechada e pouco acolhedora) e por personagens que não se subordinam a Deus ou à moral. Segundo o diretor, ao recitar um poema de Hölderlin em O Desprezo, de Jean-Luc Godard, “é a ausência de Deus, e não sua presença, que agrada ao homem”.

Lang é frequentemente comparado a Hitchcock, o que é oportuno para compreender sua visão de mundo. Enquanto para o inglês normalmente o homem é culpado por algo que não fez e, assim, o espectador percebe o mundo como corrompido perante a integridade do caráter do herói, nos filmes de Lang, ao contrário, a inocência não existe de partida, ou então será destruída. Seu gosto, sua atenção, se voltam àqueles personagens que fazem o mal, que se movem pelo mal. Não porque são seres condenáveis, nem mesmo exóticos; são, ao contrários, muito próximos de nós e compõem um retrato pouco admitido do homem e da civilização.

Como se ainda não bastasse, aos 66 anos de idade, Lang retorna à Alemanha, onde realiza seus três últimos filmes. Mas tal retorno é ainda maior: ele tira da gaveta roteiros da década de 20 de sua ex-mulher Thea von Harbou, realizando filmes de aventura em paisagens exóticas, como os que realizara no início da carreira: são o díptico O Tigre de Bengala e O Sepulcro Indiano, ambos de 1959 e protagonizados por Debra Paget. Sua obra derradeira, Os Mil Olhos do Dr. Mabuse, é um retorno também a um antigo personagem, perverso e malvado, dos velhos tempos.

Acompanhe a programação completa no site culturabancodobrasil.com.br.

Escrito por Time Out São Paulo editors
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