Histórias de Transformação: Mostra de Cinema Polonês

15 Out 2015-19 Out 2015

Divulgação
Cena do filme 'Dívida', de Krzysztof Krauze

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Composta por seis filmes dirigidos por importantes cineastas poloneses, a mostra retrata as transformações ocorridas na sociedade e na cultura polonesa a partir dos anos 1940. O programa apresenta gêneros e linguagens diversos, como o filme de ficção científica filosófico de Piotr Szulkin, O-bi, o-ba: Fim da Civilização; Como Viver, sátira documental de Marcel Łoziński, Como ser Amada, de Wojciech Has, e Dívida, de Krzysztof Krauze.

A mostra dá enfoque às vozes mal representadas na cinematografia comercial e frequentemente excluídas da sociedade, como as mulheres (em Como ser Amada) e crianças (300 Milhas até o céu e Corvos). Há histórias e personagens periféricos, como os protagonistas do filme 300 Milhas até o céu, de Maciej Dejczer, que conta uma história emocionante de dois jovens que fogem para a Europa Ocidental.

Há também duas produções destacando a preocupação com o poder e com o bem material presentes na sociedade polonesa contemporânea. Como Viver, por exemplo, retrata de forma satírica um grupo de famílias em um acampamento recreativo na época comunista, que competem para ganhar uma máquina de lavar roupas. Já em Dívida, somos apresentados a uma história moralista contemporânea sobre a ilegalidade, a violência e a ganância.

No dia 15 de outubro haverá um debate com o crítico de cinema e jornalista brasileiro Sérgio Rizzo e a crítica polonesa Ela Bittencourt, co-curadora da mostra. O debate será dedicado a Como Viver (1977), de Marcel Łoziński, dentro do contexto da produção cinematográfica polonesa da época. Łoziński é o maior documentarista polonês vivo, conhecido por obras de cinema não-ficção criativo. Foi frequentemente censurado durante a ditadura militar na Polônia dos anos 1970 e 1980. O debate focará tanto o momento histórico representado no filme como a invenção estética do cineasta.

Confira a programação completa e sinopses:

Quinta, Dia 15/10
18h30 Como Viver (JAK ŻYĆ), 1977, 83 min
20h Debate com o crítico Sérgio Rizzo

Sexta, Dia 16/10
17h Como ser Amada (JAK BYĆ KOCHANĄ), 1962, 97 min
19h O-bi, O-ba: O Fim da Civilização (O-BI, O-BA: KONIEC CYWILIZACJI), 1984, 85 min

Sábado, Dia 17/10
15h 300 Milhas até o céu, 1989, 105 min
17h Corvos (WRONY), 1994, 63 min
19h Dívida (DŁUG), 1999, 97 min

Domingo, Dia 18/10
15h Como ser Amada (JAK BYĆ KOCHANĄ), 1962, 97 min
17h Como Viver (JAK ŻYĆ), 1977, 83 min
19h O-bi, O-ba: O Fim da Civilização (O-BI, O-BA: KONIEC CYWILIZACJI), 1984, 85 min

Segunda, Dia 19/10
19h Dívida (DŁUG), 1999, 97 min

COMO SER AMADA (JAK BYĆ KOCHANĄ), 1962
Direção Wojciech Jerzy Has (97 min)
Apesar da história se passar durante a II Guerra na Polônia ocupada pelos alemães, o filme não trata apenas do conflito militar e do terror nazista: a guerra é o pano de fundo para uma trágica história de amor não correspondido. A personagem principal, Felicja, é uma jovem atriz apaixonada pelo seu colega, Rawicz. Quando o rapaz é acusado pelo homicídio de um homem que colaborava com os alemães, Felicja decide escondê-lo em sua própria casa, alimentando-se da esperança de que ele se apaixonaria por ela. Entrelaçando a vida de Felicja no pós-guerra com as suas memórias, Has faz um delicado retrato de uma mulher poderosa e independente, que também é assombrada por seus medos. O filme ganhou o prêmio Golden Gate, do Festival Internacional de São Francisco, em duas categorias: melhor roteiro e melhor atriz (Barbara Krafftówna).

COMO VIVER (JAK ŻYĆ), 1977
Direção Marcel Łoziński (83 min)
Como Viver foi censurado e estreou nos cinemas apenas em 1981. A história se passa num acampamento de verão para recém-casados, organizado pela juventude comunista. De acordo com a ideologia do partido, o descanso no acampamento promove atividades educativas e a interação entre os participantes. As atividades propostas, contudo, chegam a ser grotescas e até perigosas. Em uma delas, as famílias participam de uma competição intitulada “família ideal socialista.” Seduzidas pelo prêmio – uma máquina de lavar roupas – elas se subordinam às regras absurdas e começam espionar umas às outras. O renomado provocador do cinema polonês, Łoziński, mistura as abordagens de cinema direto com a sua própria visão do mundo como um grande aquário, cuja verdadeira realidade só pode ser revelada quando o artista age para provocar e a transforma em metáfora. Neste sentido, Łoziński cria uma poderosa metáfora não só para as grandes utopias políticas, mas também para os nossos instintos primários. Faz isso com uma astúcia psicológica e, às vezes, com humor negro, que ajuda os espectadores a se identificar com as tolices dos outros.

O-BI, O-BA: O FIM DA CIVILIZAÇÃO (O-BI, O-BA: KONIEC CYWILIZACJI), 1984
Direção Piotr Szulkin (85 min)

O filme de ficção científica O-bi, O-ba: o Fim da Civilização, de Piotr Szulkin, conta a história de sobreviventes de uma guerra atômica, que vivem em um refúgio nuclear esperando a chegada da arca cósmica. Para subsistir, trabalham em condições indignas e brutais, sendo manipulados pela mídia e pelo regime em vigor. O personagem principal, Soft (Jerzy Stuhr), encarregado de reforçar a estrutura da cúpula que os protege, descobre em tempo os segredos terríveis que ameaçam os habitantes da comunidade. Com cinematografia deslumbrante, inspirada no gênero film noir americano, o intenso estudo psicológico de Szulkin desconstrói grandes questões da humanidade, como as ideias de martírio e fé. O profundo ceticismo de Szulkin, combinado com um mis en scene fantasioso, contribui para suas obras serem as mais inesquecíveis do cinema polonês.

300 MILHAS ATÉ O CÉU, 1989
Direção Maciej Dejczer (105 min)
Filme baseado em uma história verídica ocorrida em 1985, na Polônia. O drama sócio-político conta a vida de dois irmãos que vivem com a família em extrema pobreza e decidem fugir do país, escondendo-se debaixo de um caminhão. O pai, um professor de história, perde o trabalho por causa de suas opiniões políticas. Os irmãos querem ir a um país do Oeste europeu, em busca de um futuro melhor. Chegando à Dinamarca, são levados a um campo de refugiados. No entanto, as autoridades polonesas fazem de tudo para que os irmãos voltem à Polônia. Uma jornalista dinamarquesa, de origem polonesa, se interessa pelo caso e ajuda os irmãos a obter asilo. Em 1989, o filme foi premiado como o melhor filme europeu realizado por um diretor estreante.

CORVOS (WRONY), 1994
Direção Dorota Kędzierzawska (63 min)
Uma menina de nove anos chamada Corvo, é criada pela mãe solteira, sobrecarregada pelo trabalho e sem tempo para se dedicar à filha. Corvo demonstra agressividade na escola por conta dessa carência afetiva. Um dia, sequestra uma criança de três anos e, por uma noite, assume o papel de mãe, intercalando períodos de carinho e crueldade. A criança, que não entende o comportamento violento de Corvo, reage com humor. Áspero e lírico ao mesmo tempo, Corvos encanta com sua habilidade de evitar explicações simplistas. O filme foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, em 1994. 

DÍVIDA (DŁUG), 1999
Direção Krzysztof Krauze (97 min)
O filme é baseado em fatos reais e conta a história de dois amigos, Adam e Stefan, que tentam abrir uma empresa de vespas. Quando seus pedidos de empréstimo são negados pelo banco, depositam suas esperanças em um conhecido, Gerard. Quando descobrem que os termos exigidos por Gerard são absurdamente altos, mudam de ideia. Ele, porém, alega já ter tido gastos e faz de tudo para extorquir o pagamento da dívida imaginária, levando os dois amigos até o limite. Krauze, conhecido por sua aguda observação sociológica da sociedade polonesa pós-Guerra Fria, transforma uma história de crime em um intenso conto psicológico, cujas questões morais sobre impunidade, culpa e lei, evocam o clássico romance, Crime e Castigo, de Fíodor Dostoiévski. Em 2001, o filme ganhou o prêmio de melhor direção no Festival de Cinema da Filadélfia.

Serviço

Centro Cultural Banco do Brasil


Endereço Rua Álvares Penteado, 112

Centro, São Paulo

Estações próximas 1, Sé

Telefone (11) 3113 3651

Site de Centro Cultural Banco do Brasil

Data 15 Out 2015-19 Out 2015

Horário de abertura Confira os horários das sessões na programação.

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