Nossa Incompetência Criativa em Copiar

29 Set- 2 Out

Divulgação
Cena do filme 'Laranja Mecânica', de Stanley Kubrick

Publicado originalmente no primeiro número da revista Argumento, em outubro de 1973, 'Cinema: trajetória no subdesenvolvimento' é um dos ensaios centrais da obra final de Paulo Emilio Sales Gomes, historiador, crítico de cinema e militante político brasileiro. Ele dizia no texto: "Não somos europeus nem americanos do norte, mas destituídos de cultura original, nada nos é estrangeiro pois tudo o é. A penosa construção de nós mesmos se desenvolve na dialética rarefeita entre o não ser e o ser outro. O filme brasileiro participa do mecanismo e o altera através de nossa incompetência criativa em copiar."

É com esse mote que a Cinemateca traz – com uma bosa dose de humor – a mostra 'Nossa Incompetência Criativa em Copiar'. O festival foca um gênero único do cinema brasileiro, a chanchada. Desta produção, são exibidos dois clássicos de Carlos Manga: Nem Sansão, nem Dalila (paródia do épico Sansão e Dalila, de Cecil B. DeMille) e O homem do Sputnik, filme que faz comédia em torno da Guerra Fria.

Durante a década de 1970 uma série de filmes nacionais brincava em seus títulos com sucessos internacionais – tivemos a Emanuelle Tropical, Costinha e o King Mong, O Exorcista de Mulheres, O Filho do Chefão, O Poderoso Garanhão, Essa Freira é uma Parada. Laranja mecânica, grande sucesso internacional de Stanley Kubrick estava interditado pela censura quando Braz Chediak lançou Banana Mecânica, comédia protagonizada por Carlos Imperial. Tubarão, de Steven Spielberg, um dos marcos inaugurais da era do blockbuster, teve inventiva paródia em Bacalhau, de Adriano Stuart. A comédia fez mais de um milhão de espectadores no seu lançamento em 1976. Outra excelente estratégia de lançamento foi a de Exorcismo Negro, de José Mojica Marins – neste filme de horror, o cineasta interpreta a si mesmo, tentando exorcizar seu popular personagem Zé do Caixão. Vestido a caráter, foi às ruas chamar o público que aguardava nas filas para assistir O Exorcista, de William Friedkin.

A programação da mostra permite reavaliar e comparar algumas de nossas releituras nacionais e – usando um termo de Paulo Emilio em Cinema brasileiro na universidade (publicado na revista Movimento, 1 de setembro de 1975) – a “alegria de entendimento” que estes filmes nos proporcionam.

Confira a programação completa:

SEXTA 16/09
SALA PETROBRAS
19h E Deus Criou a Mulher
SALA BNDES
21h O Homem do Sputnik

SÁBADO 17/09
SALA BNDES
18h Laranja Mecânica
21h Banana Mecânica

DOMINGO 18/09
SALA BNDES
17h O Exorcista
19h30 Exorcismo Negro

QUINTA 22/09
SALA BNDES
20h Laranja Mecânica

SEXTA 23/09
SALA BNDES
20h Banana Mecânica

SÁBADO 24/09
SALA BNDES
19h E Deus Criou a Mulher
21h O Homem do Sputnik

DOMINGO 25/09
SALA BNDES
17h Sansão e Dalila
19h30 Nem Sansão, nem Dalila

QUINTA 29/09
SALA BNDES
20h O Exorcista

SEXTA 30/09
SALA BNDES
20h Exorcismo Negro

SÁBADO 01/10
SALA BNDES
18h Tubarão
20h30 Bacalhau

DOMINGO 02/10
SALA BNDES
17h Tubarão
19h30 Bacalhau

Serviço

Sala Cinemateca


Endereço Largo Senador Raul Cardoso, 207

Vila Mariana, São Paulo

Telefone (11) 3512 6111

Site de Sala Cinemateca

Data 29 Set- 2 Out

Horário de abertura Confira os horários das sessões na programação.

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