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Em Ritmo de Fuga: crítica do filme

Filme é uma aventura histriônica que perdeu o timing da década.

Um heist movie com trilha sonora marcante e fundamental na trama, diálogos cheios de sacadas espertas calcadas em referências pop, personagens que exalam uma aura cool... Seriam essas as características de um filme do Tarantino ou de algum genérico pós Cães de Aluguel/Pulp Fiction que inundaram os cinemas na transição dos anos 1990 para 2000? Não, isso é, basicamente, Em Ritmo de Fuga, novo filme do inglês Edgar Wright.

A chuva de citações a cada segundo de diálogo parece algo tão fora de moda. É claro que cinéfilos vão se divertir aqui e ali, como nerds tendo orgasmos em filmes de super-heróis, mas é curioso ver um filhote do cinema indie americano que perdeu o timing da década sendo tão aclamado pela crítica. Wright não traz absolutamente nada que já não tenha mostrado com muito mais verve em filmes anteriores, como em sua Cornetto Trilogy: Todo Mundo Quase Morto (2004), Chumbo Grosso (2007) e Heróis de Ressaca (2013). Só que em um pacote para americano ver. A ordem do dia segue sendo a mesma: o crossover de gêneros. Aqui, um filme de assalto com musical.

Por conta de um acidente que sofreu na infância, o jovem Baby (Ansel Elgort) escuta música o tempo todo para silenciar um zumbido intermitente em seus ouvidos. Motorista genial, ele se vê obrigado a ser piloto de fugas em assaltos engendrados por Doc (Kevin Spacey), gângster com quem possui uma dívida. Perto de pagar o que deve e largar a vida de crimes, Baby conhece a garçonete Debora (Lily James), por quem se apaixona perdidamente.

Em Ritmo de Fuga traz aspectos interessantes, como o uso da trilha sonora – arrasadora, por sinal! – marcando cada passo de cenas de ação muito bem coreografadas. No entanto, carrega consigo um maneirismo tão batido que o produto final é apenas uma aventura histriônica. Isso sem falar na falta crônica de talento do péssimo Ansel Elgort, um astro teen que logo se tornará tão obsoleto quanto um iPod. Vale mais baixar a trilha para ouvir no Spotify, Deezer ou qualquer outro seriço de música por streaming.

Escrito por Rafael Argemon
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