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Dunkirk: crítica do filme

Experiência visual se complica ao optar por narrativa confusa.

A Operação Dínamo foi um notável esforço de cooperação civil/militar que salvou quase trezentos e quarenta mil soldados aliados presos na costa de Dunquerque, na França, sob intenso bombardeio nazista. Naquele momento, a vitória alemã parecia uma realidade inevitável. Mas só parecia. A partir dessa fuga cinematográfica, a maré mudou e o exército de Hitler passou a acumular derrota atrás de derrota. Uma vitória que nasceu de um grande fracasso. E se algo é grandioso, retumbante, decisivo, Christopher Nolan está lá para retratá-lo em mais uma de suas obras grandiosas, retumbantes, decisivas.

Dunkirk é o novo integrante de uma filmografia que gera amor e ódio na mesma medida. Alguns anunciam o cineasta inglês como o “novo Kubrick”, enquanto outros como apenas um esteta sem qualquer conteúdo. O 10º longa de Nolan, porém, pode ser um divisor de águas nessa discussão. Ou não. Nem tanto a terra, nem tanto ao mar.

O filme é – como todas as obras do diretor – uma experiência visual. Não há como negar o talento técnico de Nolan. Enquanto sua história é contada de forma mais sensorial, com pouquíssimos diálogos, Dunkirk chega a empolgar. Mas cinema não é apenas imagem. Quando tenta explicar o que está acontecendo, o filme se embanana. Muito por conta da mania quase obsessiva do cineasta em trazer ao expectador tramas intrincadas.

Contar uma história por pontos de vista diferentes não é problema. Esse artifício pode, muitas vezes, deixar a narrativa mais rica. No entanto, Nolan mostra esses pontos de vista em linhas de tempo distintas, que caminham paralelas e que se cruzam de vez em quando. O resultado não é algo complexo, mas sim confuso. Uma massa disforme de personagens sem rosto. Tanto que é comum o público não saber quem é quem no meio do tiroteio.

É verdade que Dunkirk traz sequências impressionantes, mas peca no conteúdo. No entanto, a falta de objetividade, um pecado recorrente do diretor, aqui é mais bem resolvida que em boa parte de seus trabalhos. Pena que no final, Nolan mais complica que explica.

Escrito por Rafael Argemon
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