Time Out São Paulo

mãe! – crítica do filme

Filme caminha no fio da navalha entre o óbvio disfarçado de profundidade e o ridículo.

Há dois significados para a palavra "pretensioso" no dicionário: “que ou aquele que pretende demasiadamente; ambicioso” e “que ou aquele que pretende ser mais do que é na realidade; presumido, vaidoso”. Mesmo que sejam distintos, esses significados juntos não poderiam explicar de forma mais precisa Mãe!, sétimo longa do diretor americano Darren Aronofsky.

Há aqui uma clara inspiração em O Anjo Exterminador (1962), de Luis Buñuel (coitado!). Porém, ao contrário da crítica contundente expressada pelo humor ácido tão característico do diretor espanhol, Aronofski segue uma linha de solenidade que parece ser obrigatória entre cineastas “respeitados” de Hollywood. Quanta bobagem...

Ele (Javier Bardem) é um poeta que sofre de bloqueio criativo desde que sua casa foi destruída em um incêndio. Tudo o que sobrou dos escombros é um cristal, que Ele guarda como muita reverência e cuidado no escritório de sua nova casa, ainda sendo reconstruída por sua jovem esposa, Mãe (Jennifer Lawrence). Um belo dia, Homem (Ed Harris) aparece e Ele o convida a se hospedar por lá. Logo chega a companheira do Homem, a... Mulher (Michelle Pfeiffer). O casal atrapalha a rotina da Mãe, mas instiga a inspiração d'Ele.

No afã de resumir a história do mundo repleta de alegorias cristãs em pouco mais de duas horas, Aronofsky acaba por transformar seu filme em um samba enredo de um desfile feito pelo Paulo Barros. Uma miscelânea pirotécnica de signos e significados que caminham no fio da navalha entre o óbvio disfarçado de profundidade e o ridículo.

Escrito por Rafael Argemon
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