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Blade Runner 2049: crítica do filme

Filme de Villeneuve se distancia de seu antecessor. Para o bem e para o mal.

Fazer uma análise sobre Blade Runner 2049 sem compará-lo a Blade Runner, o Caçador de Androides é algo contraditório como a busca existencial dos replicantes. O filme de Ridley Scott é a razão de ser da obra de Denis Villeneuve. No entanto, o diretor canadense é muito bem sucedido em deixar suas digitais em cada cena de suas exageradas duas horas e quarenta e três minutos de duração.

Blade Runner, o Caçador de Androides e Blade Runner 2049 são dois filmes totalmente distintos. Para o bem e para o mal. A boa notícia é que cada um deles têm sua personalidade. Blade Runner 2049 é, definitivamente, um filme de Vileneuve, e não uma mera continuação caça níquel da obra de Scott. Até uma característica que incomoda nos trabalhos do canadense, a sua grandiloquência, aqui ganha o terreno perfeito para germinar.

Porém, alguns elementos que distanciam os dois filmes pesam contra Vileneuve, como a fotografia “limpinha” demais em contraponto ao neon noir de Blade Runner, o Caçador de Androides; a atuação monocromática de Ryan Gosling vs o carisma hipnotizante do jovem Harrison Ford, e a trilha de Hans Zimmer, que não chega nem aos pés da criada pelo grego Vangelis em 1982. Nesse caso, a disparidade pode ser comprovada in loco no instante que ‘Tears In Rain’ toca em uma das últimas cenas de Blade Runner 2049.

O fato é que o filme de Denis Villeneuve está muito longe de ser ruim, mas, ao mesmo tempo, não consegue igualar – quanto menos suplantar – a obra de Scott. Isso é, por um lado, bem injusto, já que o impacto da originalidade conta (e muito) a favor de Blade Runner, o Caçador de Androides. Mas não há como negar ele se beneficia bastante da grandeza de seu antecessor. Ou seja, por mais independente que seja de Blade Runner, o Caçador de Andróides, Blade Runner 2049 nunca será um marco na história do cinema. Será lembrado (apenas?) como um bom filme.

Escrito por Rafael Argemon
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