Time Out São Paulo

Memórias de infância

 O diretor americano conta a Time Out como foi a refilmagem de Footloose , um clássico do cinema adolescente dos anos 1980

O diretor norte-americano Craig Brewer chegou a rejeitar o projeto de fazer um remake de um dos maiores sucessos dos anos 1980. Ms acabou cedendo. Com filmes como Ritmo de um Sonho e Entre o Céu e o Inferno no currículo, o cineasta nascido na Virgínia, nos EUA, agora assume uma tarefa mais difícil: reinventar Footloose para a nova geração.

Brewer tinha 13 anos em 1984, quando a primeira versão de Footloose foi lançada. Hoje, aos 39, decidiu que a melhor forma de homenagear o filme que definiu sua adolescência era refazê-lo da forma mais fiel ao original possível, embora com um toque atual. O diretor, que compartilha os créditos do roteiro com o escritor do original, Dean Pitchford, disse que não buscou refazer a trama, e sim melhorá-la.

TO Por que refilmar Footloose?
Craig Brewer Na verdade, não foi ideia minha. Recebi um telefonema do meu agente falando que Adam Goodman, da Paramount, queria que eu fizesse Footloose. Eu disse: “Não, não posso. É um clássico. Talvez seja o filme mais importante da minha juventude”. Porque 1984 foi um grande ano para mim – eu era um garoto de 13 anos.

Então você primeiro recusou?
Sim. Eu disse: “Muita gente vai ficar brava, porque o filme é um clássico”. Mas embora muitas pessoas, como eu, adorem o original, há muito tempo não aparece um filme para adolescentes com aquele tipo de personagem e de história. O cinema para adolescentes de hoje geralmente é feito de comédias grotescas ou de filmes de ação. Apesar de todos os motivos para não refilmar Footloose, encontrei duas boas razões para refilmá-lo. Primeiro, achei que seria um bom desafio. Fazer um bom filme, sem descartar o original, mas sim me apoiar nele. Depois, nós realmente queríamos fazer um filme adolescente significativo, como foi para mim aos 13 anos. Não é simplesmente para ganhar dinheiro. Não há nada como Footloose há muito tempo. Enfim, me toquei de que precisava encontrar uma maneira de fazer.

E qual foi essa maneira?
A maior diferença é que hoje sou pai. Senti que deveria fazer um Footloose em que a dança não fosse um “pecado”. Decidi mostrar uma cidade sofrendo por causa de uma tragédia. Achei que, se conseguisse colocar o acidente de carro no começo, humanizaria mais os pais e deixaria o filme mais contemporâneo. Os EUA têm o problema de exagerar na reação. Temos boas intenções, mas de vez em quando exageramos e as liberdades individuais são questionadas.

Você pensou em escalar Kevin Bacon para o papel do reverendo?
Não, de forma alguma. Se Kevin fizesse o reverendo, passaríamos a ideia de que o Ren MacCormack de 1984 perdeu. Gosto de que Kevin pertença à versão de 1984. Não estou aqui para substituir aquele filme ou aquela atuação. Houve boatos de que ele faria uma ponta, mas acho que Kevin fez certo em recusar.

Kenny Wormald foi a escolha certa para fazer o novo Ren?
Queria ter a liberdade de montar o elenco com gente nova. Vi Kevin Bacon e Sarah Jessica Parker pela primeira vez no Footloose original. Filmes assim são especiais. Hoje, se quiser vender o filme, você precisa colocar astros nele. Mas eles vêm com sua própria bagagem,. Então, fizemos uma grande busca pela Austrália, Londres e Estados Unidos, pois precisávamos de alguém novo. Kenny Wormald trabalhou com Justin Timberlake como dançarino e tinha algo especial: sua atitude própria. Se eu tivesse encontrado um ator que simplesmente encarnasse Kevin Bacon, teríamos estragado tudo.

Por que usar músicas do original?
Adoro a trilha original. Meus 13 anos foram marcados pela fita do Footloose, que eu ouvia no walkman. Sabia que haviam músicas que o público reclamaria se não estivessem no filme – ‘Footloose’, ‘Almost Paradise’, ‘Holding Out For A Hero’, ‘Let’s Hear It For The Boy’. Mas mudamos algumas sem tirar a magia original. Um bom exemplo é uma menina de 15 anos chamada Ella Mae Bowen, que fez uma demo acústica de ‘Holding Out For A Hero’ – uma música rápida, com batidas eletrônicas. A versão dela é lenta e emotiva, com um toque country. E me lembro de pensar: “Temos que, de alguma forma, fazer nosso filme como essa menina fez essa música”.
Footloose estreia em 25/11.

Escrito por Nick Dent
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