Time Out São Paulo

Quando o amor acaba

Especialistas em expressar decepções amorosas

Michelle Williams e Ryan Gosling, os astros do antirromântico Namorados para Sempre, conversam com Time Out. 

Qual foi sua primeira impressão sobre o roteiro? Porque é um olhar cruel sobre se desapaixonar...

Michelle Williams Li o roteiro pela primeira vez quando tinha 22 anos; tinha acabado de sair de Dawson's Creek e ainda não tinha tido a oportunidade de fazer o tipo de filme que eu queria. Então, quando li o roteiro do Derek, foi como a luz no fim do túnel! (risos) Foi algo a que me agarrei por um bom tempo: "Se pelo menos eu puder fazer esse filme..." (pausa) Na verdade, eu me lembro de tudo do meu primeiro encontro com Derek. Ainda tenho o vestido que usei naquele dia. Não me serve mais, mas eu guardei, simplesmente porque eu queria me lembrar de tudo sobre aquele dia.
Ryan Gosling Uau, sério?
MW (Envergonhada) Sim. Eu queria ter alguma coisa que me transportasse imediatamente àquele momento. Foi um dia comum daqueles que acabam mudando sua vida, sabe?

Considerando que esse filme remete a um dia como esse, parece muito apropriado.

MW Isso! A gente se entendeu imediatamente. Derek e eu acabamos fazendo uma caminhada pelo sul de Manhattan e, em determinado momento, nós dois olhamos para o Brooklyn. E ele me disse: "Eu moro ali, e tenho um encontro com uma mulher amanhã, vamos ao cinema". Anos depois, acabei indo morar a algumas quadras dele no Brooklyn, e ele está casado com aquela mulher e eles têm dois filhos.
RG Então isso foi antes de o Derek conhecer a Shannon (a mulher dele)?
MW Eles começaram a sair assim que ele terminou os primeiros rascunhos.
RG Isso é incrível. Eu fui simplesmente golpeado pelas questões que ele colocava: o que acontece com o amor? Por que essas coisas murcham? Como duas pessoas que têm tanto carinho uma pela outra terminam querendo matar o outro? Sempre vi isso como o mistério de um crime, em que você fica esmiuçando as pistas e refazendo os passos para descobrir quem matou o relacionamento. Foi ele, ela, os filhos? Foi o trabalho, ou dinheiro, ou o tempo?
Em outras palavras, trata-se de achar o culpado.
RG Sim! Parece um gênero de livro... apesar de eu não saber qual o gênero.
MW Um suspense sobre relacionamento lentamente deteriorado... Acho que nós criamos nosso próprio gênero, Ryan. 

Vocês moraram em uma casa por quatro semanas com a filha de vocês no filme (Faith Wladyka), fingindo ser uma família, antes de filmarem as cenas de anos mais tarde, certo?

RG Você ouve falar dos fãs de Dungeons & Dragons fazendo esse tipo de coisa o tempo todo, né? (risos) Nós só nos colocamos numa fantasia da vida real, como eles fariam. "Ei, Michelle, acabei de tirar um 17 nesse dado de 20 lados..."
MW "… E Isso quer dizer que você tira o lixo hoje." (risos) Não acho que poderíamos ter feito aquelas cenas sem esse sentimento de confiança. Eu me lembro de passar mal o tempo todo em que filmamos aquelas cenas dos anos mais tarde. 
RG Sério? Todos os dias?
MW Sim. Principalmente quando a gente fazia as cenas mais pesadas (sente um calafrio), Mas, naquele momento, eu sentia que tinha alguém para segurar minha mão e me guiar pelo túnel.
RG Eu segurava sua mão e você segurava a lanterna. Nós saíamos de lá juntos.

Por que vocês acham que a Associação Americana de Cinema (MPAA) inicialmente deu a Namorados para Sempre (Blue Valentine) uma classificação etária de 17 anos?

RG Não faço ideia. Quero dizer, olha, ninguém do filme ficava dizendo que jovens menores de 17 anos deveriam ver esse filme. Mas muita gente não tem noção do que uma classificação 17 anos significa para um filme menor. Não dá para comprar anúncios de TV; seu filme não vai ser anunciado em alguns jornais. A mensagem que passa não é que "crianças não podem ver esse filme." É, na verdade, "Ninguém pode ver esse filme!" (risos) E não explicaram exatamente pra gente por que pegou essa classificação.

Porque tem uma cena de sexo oral, será?

RG Talvez, mas, se foi esse o caso, ainda há perguntas sem respostas: por que tudo bem um filme como, por exemplo, Cisne Negro (Black Swan) ter uma cena de sexo oral entre duas mulheres, e a gente não pode mostrar um homem e uma mulher casados fazerem sexo oral arriscando pegar uma classificação de 17 anos? 
Boa pergunta. Porque Cisne Negro trata isso com a ideia da fantasia…
Gosling …E Namorados Para Sempre trata esse momento mais realisticamente? A gente fica especulando. Mas eu não acho que seja muito pedir um pouco de responsabilidade da Associação em casos como o nosso. A gente poderia te contar todos os pensamentos que passaram pelas nossas cabeças em relação aos motivos de termos feito esse filme como fizemos, e ainda assim o comitê de classificação pode tomar todas essas decisões a portas fechadas. Vamos começar a dialogar sobre isso. Não apenas entregar o veredito lá do alto sem explicar os motivos aos cineastas. 
MW Minha reação imediata foi: é outro grupo de pessoas tomando decisões a portas fechadas sobre coisas que afetam a todos nós. Mas, quanto mais vocês falam sobre isso, mais isso me irrita. É ridículo.

O que vocês acham que o filme diz sobre a natureza dos relacionamentos no geral?

MW Nós sempre falamos disso em termos do que acontece quando duas pessoas se envolvem tanto com as minúcias da vida, que param de ter qualquer coisa para dar. Não acho que toda relação seja condenada, claro, mas essas coisas acontecem.
RG Para mim, eu ficava me lembrando da música que meu personagem canta enquanto eles estão paquerando: “Você sempre magoa a pessoa que ama.

Escrito por Time Out São Paulo editors
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