Time Out São Paulo

62ª edição do Festival de Berlim

Repórter da Time Out São Paulo está na capital alemã, onde acompanha o festival de cinema da cidade

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Berlim, 18 de fevereiro de 2012 

Em nove dias de festival, Berlim conseguiu nos dar não só uma leva de filmes bons, mas também um clima mais ameno - o festival se encerra hoje, a uma temperatura positiva e com uma bela cerimônia de premiação e encerramento. Os jornalistas puderam acompanhar as entregas do Urso de Ouro em grande estilo: do interior de uma das salas de cinema em que passamos boa parte do festival, assistindo a um live streaming do evento, na telona. A premiação, aberta apenas a convidados, ocorreu no Berlinale Palast, o local de maior prestígio (completo com tapete vermelho!) do festival.

Apesar de boa parte dos críticos não ter considerado nenhum dos filmes algo verdadeiramente excepcional, havia alguns títulos muito bons e as vitórias foram merecidas. Para se ter uma noção do quão nivelados, em termos de qualidade, eram alguns títulos, dos 18 filmes na competição, nada menos que oito foram agraciados com algum tipo de prêmio.

Diferente de premiações que normalmente acompanhamos na TV, só havia a apresentadora bilingue, a atriz alemã Anke Engelke. De resto, as piadas que ela repetia em alemão e inglês eram do mesmo nível das gracinhas que vemos em Oscars e Globos de Ouro, e até os prêmios eram anunciados de modo semelhante: "And the Golden/Silver Bear goes to...".

Boa parte dos vencedores já eram esperados pelos críticos: muitos haviam previsto que o filme En Kongelig Affaere (A Royal Affair), que já mencionamos aqui, levaria para a Dinamarca o Urso de Prata de melhor ator, pela performance sutil, que oscilava entre o trágico e o cômico, de Mikkel Boe Følsgaard, como o perturbardo rei dinamarquês Christian VII. A surpresa foi En Kongelig Affaere ser premiado também como melhor roteiro, escrito por Rasmus Heisterberg e pelo diretor Nikolaj Arcel.

Alicia Vikander, a atriz principal do filme, também foi bastante elogiada, mas quem levou o Urso de Prata nessa categoria foi a iniciante Rachel Mwanza, de apenas 14 anos, pela produção canadense Rebelle (War Witch), de Kim Nguyen. No filme, ela interpreta uma menina que perdeu a família e se vê forçada a lutar em uma guerra civil na África.

Quanto ao troféu de melhor diretor, este foi para Christian Petzold, realizador de Barbara, filme sobre uma jovem médica no lado oriental da Alemanha dos anos 80, tentando escapar para a parte ocidental. O filme retrata uma personagem que ainda está esperando sua vida começar e que deixa sua paranoia afetar a maneira como vê e se relaciona com quem está à sua volta.

O Grande Prêmio do Júri ficou com o húngaro Csak a Szél (Just the Wind) de Bence Fliegauf. O filme, baseado em eventos reais, começa com o assassinato de uma família romena na Hungria e revela alguns preconceitos e problemas inerentes à sociedade húngara.

Já a grande vitória da noite, que muitos já haviam previsto: o Urso de Ouro foi para a produção italiana Cesare Deve Morire (Cesar Must Die), dos irmãos Paolo e Vittorio Taviani. O filme, uma mistura de documentário e ficção, mostra a montagem da peça de Shakespeare, Julius Cesar, dentro de uma prisão romana de segurança máxima, Rebibbia. O filme é estrelado pelos próprios presidiários e, para completá-lo, os diretores passaram seis meses no local.

Apesar do cunho social, de mostrar a situação deplorável dos cárceres lotados na Itália, o filme impressiona pelo modo como liga os temas abordados por Shakespeare à vida dos encarcerados e por mostrar como eles mesmos encontram nas próprias experiências um sentimento visceral, que colocam em sua atuação. Os diretores explicam como foi trabalhar com os criminosos e colocá-los sob uma luz diferente da visão que temos dalguém para ser punido e esquecido: "Nós demos a eles [os presos] a opção de usar ou não seus verdadeiros nomes no filme e todos eles quiseram usar. São pessoas que estiveram presas por muito tempo e continuarão por muitos anos. Eles perceberam que esse filme ia estar aqui fora e que seria uma maneira de mostrar para as pessoas, para os seus amigos que 'eu ainda estou aqui, continuo vivo'. Nós achamos que esse seria um jeito de trazer a atenção da mídia e do público para o estado das prisões italianas, para as condições em que esses seres humanos vivem. Porque eles podem ter feito coisas trágicas, mas ainda são seres humanos".

É um filme que mistura arte a um conteúdo essencialmente social e não tem medo de ir a fundo em um tema difícil. Uma vitória bem merecida, para este festival, cuja 62 ª edição pode não ter sido fantástica, mas trouxe alguns filmes que aconselhamos a assistir, se chegarem aos cinemas de São Paulo.


Berlim, 17 de fevereiro de 2012

Meninas adolescentes não são exatamente o público do Berlinale e, mesmo assim, hoje o festival foi responsável por arrancar gritos histéricos de algumas - o ator Robert Pattinson (ele mesmo, o vampiro cintilante da saga Crepúsculo) esteve na cidade para uma entrevista coletiva sobre seu filme, Bel Ami, que integra o festival fora da competição.

O filme é mais uma adaptação literária da obra homônima do escritor francês Guy de Maupassant e conta a história de Georges Duroy, um homem bonito e sem dinheiro, em uma obstinada escalada social da sociedade parisiense. Na tentativa de chegar ao topo, ele explora ligações e regras da burguesia local, sem se importar com quem destrói no caminho.

O material de origem é uma crítica bastante mordaz a um governo corrupto, escorado sobre uma mídia desonesta. Enquanto boa parte destes temas são abordados no filme, as ligações românticas do personagem de Pattinson prevalecem na tela.

Depois de Bel Ami, foi exibido outro filme de fora da competição: a produção chinesa Flying Swords of the Dragon Gates, que mostra que é possível fazer bom uso da tecnologia 3D. O filme mistura histórias do folclore chinês, sobre uma cidade perdida cheia de tesouros e um grupo de guerreiros que aterrorizava o país na época da dinastia Ming, mas o roteiro não é tão importante quanto a ação.

Dragon Gates é um filme de artes marciais - com um nome no elenco bastante familiar ao público ocidental, Jet Li -, com cenas de luta grandiosas e engrandecidas pelo 3D. São batalhas acrobáticas e emocionantes, em um filme de ação, com um bom senso de humor. Não vai muito além do entretenimento, mas vale a pena pra quem quer um filme de ação que tragam algum ingrediente diferente de heróis da Marvel ou robôs do tamanho de edifícios destruindo cidades americanas.


Berlim, 16 de fevereiro de 2012

Hoje foi dia de dois filmes ruins, um bom e de um momento constrangedor em Berlim. A primeira experiência ruim foi Cherry, do diretor de primeira viagem Stephen Elliot. O longa mostra a transformação de Angelina - uma menina de 18 anos com uma família complicada, com os problemas usuais nesse tipo de filme: mãe alcoólatra e pai abusivo -, em uma estrela de filme pornô, com o pseudônimo que dá nome à sequência. A premissa parece perfeita para o desenvolvimento de um drama que explore a indústria pornô, enquanto mostra a tragédia pessoal de uma garota indo ladeira abaixo para a mediocridade. O filme tinha potencial para isso, mas o que chega às telas são personagens mal trabalhados e um encadeamento dos eventos do enredo pior ainda.

O segundo filme ruim do dia, o chinês Love, se parece com aquelas comédias românticas que Hollywood não para de cuspir nos cinemas, com várias histórias paralelas e todos os personagens (forçadamente) interligados. O filme traz todos os clichês do gênero que os americanos aperfeiçoaram: do casal que se odeia no começo e, por alguma razão sem muito sentido, acaba junto, ao rapaz que prova seu amor a uma mulher da maneira mais absurdamente exagerada que os roteiristas puderam imaginar. O momento constrangedor veio quando os créditos rolaram e uma menina com forte sotaque chinês, possivelmente envolvida na produção, quis saber o que eu achei do filme. Saída diplomática: "um pouco comprido, não?".

Depois veio o lado bom do dia; o dinamarquês A Royal Affair, que faz parte da competição. Baseado em fatos históricos, o filme se passa no século XVIII e conta, de maneira bastante tensa, a história de um médico iluminista alemão se vê numa improvável posição de proximidade com o mentalmente instável rei da Dinamarca. Com o apoio da esposa do rei, a inglesa Carolina Mathilde, eles começam a fazer mudanças no governo dinamarquês, se envolvendo em uma espécie de braço de ferro pelo poder com a aristocracia insatisfeita. O filme foi dos poucos que chegaram a ser elogiado pelos jornalistas durante a coletiva de imprensa.


Berlim, 15 de fevereiro de 2012

 O dia em Berlim começou com um filme brasileiro: Xingu, de Cao Hamburger, parte da seleção Panorama do festival. No longa, Caio Blat, João Miguel e Felipe Camargo vivem os irmãos Villas-Bôas, que lutaram ao lado de comunidades indígenas pela criação do Parque do Xingu.

Mais do que um épico que busca resgatar um evento histórico que, segundo o próprio Cao Hamburger, "se perdeu na cultura brasileira", o filme também conta a história pessoal de uma família que se apaixonou por uma cultura ameaçada e precisa lidar com o fato de que tem pouquíssimas chances de vitória na batalha para preservá-la.

A sessão de Xingu foi seguida por a de um filme de tom completamente diferente, Haywire, o novo lançamento do diretor Steven Soderbergh. Estrelado pela atriz de Mixed Martial Arts, Gina Carano (que não está indo nada mal no departamento de co-estrelas, dividindo a tela com Antonio Banderas e Michael Fassbender), Haywire é um thriller de ação ágil, que acompanha uma agente do governo americano, lutando por sua sobrevivência em missões na Europa.

O filme não participa da competição do festival e, de qualquer forma, não é do tipo que vá faturar nenhum prêmio em lugar algum. Durante a coletiva de imprensa, ficou mais do que claro que Soderbergh está a par deste fato e perfeitamente feliz com isso. Diante da pergunta "você parou de fazer filmes sérios?", o diretor respondeu rindo: "mas esse é um filme muito sério e importante. Acho que deveria ser o único do festival, inclusive!", e, em seguida, esclareceu: "com esse filme e o dos strippers masculinos (Magic Mike, seu próximo projeto, com os atores Matthew McConaughey e Channing Tatum), estou numa fase mais divertida e isso é bom".

Durante a coletiva, ficou evidente que diretor e elenco se divertiram durante as filmagens. A única pena é isso não ter se traduzido para o resultado final. Haywire é um filme de ação consistente e eficiente, mas no qual transparece a falta de paixão de Soderbergh pelo projeto.

Se a Haywire, falta envolvimento pessoal por parte do cineasta, o último filme do dia não poderia ser uma obra mais pessoal. Para escrever a história de Keep the Lights On – longa que compete em Berlim pelo prêmio de melhor filme escolhido pelo público, na seção Panorama –, o diretor Ira Sachs diz ter se baseado em alguns eventos da própria vida.

O enredo acompanha, ao longo de quase uma década, entre idas e vindas, o casal gay Erik e Paul. É uma crônica sutil e lindamente filmada de duas pessoas que se recusam a desistir uma da outra, não importa o quão nociva a união seja para ambos. O enredo levanta a pergunta de até que ponto seria ir longe demais por uma pessoa amada, e desvia da opção fácil de contar uma daquelas histórias sobre como o amor a tudo vence.


Berlim, 14 de fevereiro de 2012

© Berlinale
Meryl Streep recebe o Urso de Ouro honorário


Apesar de o filme A Dama de Ferro não ter feito muito sucesso junto à crítica (você pode ver a resenha da Time Out aqui), ela continua adorando Meryl Streep. A atriz, que está sendo homenageada no Festival de Berlim com uma retrospectiva de seus melhores filmes e recebeu um Urso de Ouro honorário, falou aos jornalistas na tarde desta terça-feira, 14, após a cabine do longa em que interpreta a ex-primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher.

Quando falamos que a imprensa adora Meryl Streep, não usamos o termo levianamente. O número de jornalistas presentes na sala de imprensa poderia rivalizar com a concorridíssima coletiva de Angelina Jolie. O que não se pode comparar a nada é a admiração manifestada abertamente que todos têm por seu trabalho e carreira.

Dois jornalistas chegaram a usar seu tempo de pergunta para entregar presentes à atriz. Um deles, entregue por um repórter siberiano, era uma boneca russa feita sob encomenda: a maior tem o rosto de Streep e as duas de dento foram inspiradas por suas personagens em A Dama de Ferro e O Diabo Veste Prada. Isso sem falar que quase todos iniciavam suas questões com elogios, e a pergunta "meu Deus, qual é o segredo do seu talento?" apareceu mais de uma vez, fraseada de jeitos diferentes.

As respostas mostraram bom senso de humor, amor à profissão, ao cinema de modo geral e uma modéstia quase inesperada vindo de alguém tão talentosa.

A diretora de A Dama de Ferro, Phyllida Lloyd, e a co-estrela Jim Broadbent, que também participaram da coletiva, eram só elogios à atriz. Veja abaixo:

Meryl, você se sente nervosa quando escuta "o vencedor é" em uma premiação? Este ano, você pareceu bastante surpresa quando venceu o Globo de Ouro.

Como ator, você ainda se sente estranho quando alguém diz "acho que você vai ganhar algo" ou "suas chances não são muito boas esse ano". Você se sente como em um evento esportivo. Fez um filme que espera que as pessoas vejam e, de repente, parece que você está se preparando para o  Super Bowl.

Como você se preparou para o papel? Pode responder no impressionante sotaque britânico que fez no filme?

Não (em sotaque britânico). (Risos). Quando você faz algo que ama, não é árduo, se prepara, mas não é difícil. É difícil quando atua com efeitos especiais, em um mundo inventado. Nesse filme, o mundo inventado pela Phyllida e pelo Jim [Broadbent] parecia real.

Parabéns pela vitória no Globo de Ouro e no Bafta. Amo você e seu trabalho. Você sempre traz algo diferente a cada papel. Qual é o seu segredo? (Risos)

Eu acho que sempre interpreto a mesma pessoa, essencialmente. Eu me encontro em cada papel, vejo o que tem de mim na personagem, encontro um número de coisas que eu tenha em comum com elas. E não vou dizer o que tenho em comum com a Margaret Thatcher (risos). Me interessa achar esse ponto em comum com as personagens. Acho que muitos de nós temos mais em comum com a Margaret Thatcher do que gostaríamos de admitir.

(Pergunta para a diretora Phyllida Lloyd) Havia no filme a intenção de mostrar o que há de Denis e Margaret Thatcher em nós?

Eu não acho que decidimos humanizar os personagens conscientemente. Estávamos mais interessados nos temas de poder e a perda dele. Margaret Thatcher foi alguém que sempre teve poder, mas caiu e sentiu muito a perda. Nosso objetivo era mostrar isso. Queríamos fazer esse filme político que tivesse no centro essa velhinha, sofrendo de demência. Fomos criticados por isso, mas era o que queríamos mostrar.

(As perguntas voltam para Meryl) O você aprendeu com este papel?

Aprendi muita coisa que me surpreendeu. Sempe tive uma reação instintiva à Margaret Thatcher, sendo uma atriz liberal, em Nova York. Achava que ela era amiga do Ronald Reagan e que se importava demais com a imagem, com roupas e cabelo. Sabe? Daquele jeito que mulheres se julgam (risos). Agora estou no mesmo lado do espectro porque as pessoas dizem isso de mim.

Aprendi que ela surpreendia os conservadores americanosm, que era a favor do aborto, que reconheceu o risco do aquecimento global muito cedo e falou sobre isso nos Estados Unidos. Foram muitas surpresas.

Ao mesmo tempo, eu sei que pessoas têm opiniões sobre ela, e eu estava interessada em fazer um retrato tridimensional de uma pessoa que nadou contra a corrente, que teve excesso de autoconfiança. Ela fez coisas muito corajosas. Em 1979, o mundo era diferente.

O filme trabalha com a questão de Margaret Thatcher ser mulher. Você a considera feminista?

(Margaret Thatcher) ouviria essa pergunta protestando, mas ela era, querendo ou não, feminista. Ela abriu portas para mulheres, liderou o Tory (o Partido Conservador Britânico), que era muito restrito em termos de gênero e classe. Ela quebrou barreiras quando entrou nesse clube.

Hoje é difícil até para minhas filhas imaginarem um mundo assim, mas eu já vivi em uma época em que mulheres não se tornam presidentes de empresas, advogadas ou médicas – enfermeiras, talvez. Isso mudou por causa de gente como ela.

Qual é a maior dificuldade para um ator?


Ser novo, surpreender a você mesmo e a outras pessoas. Quando já está por aí há muito tempo, pensa "meus Deus, as pessoas vão enjoar de mim". Quando você é ator, presta atenção em tudo ao ser redor, bom e ruim. Lidar com a expectativa das pessoas também é difícil e, às vezes, você se sente intimidado para começar algo novo.

Começar é o mais dificil e, como ator, você aprende que a insegurança é sua amiga. Ela ensina sobre medo e que o medo é importante. É uma coisa real e humana, que te ajuda.

Você disse que entendia a Margaret Thatcher, mas o que acha de suas decisões políticas?


Quando um ator interpreta um personagem, assume a persona deles. Se você julga, está condenado artisticamente, está discriminando. É como julgar a si mesmo, não há objetividade.

Como papéis como em A Escolha de Sofia afetam sua vida?

O que me atrai para um projeto não é articulável. É algo como música: eu leio o roteiro e alguma coida ressoa. Eu penso: "tenho que fazer isso". Então, tem um sentimento em mim que já existe e o material desperta. Não sei bem se o roteiro me muda ou se eu já tinha certas coisas dentro de mim e encontro a obra no meio do caminho.

Quanto ao A Escolha de Sofia, eu tinha uns 10 anos quando minha mãe me levou a uma biblioteca e vi um livro com uma imagem mostrando uma imensa pilha de cadávares. Mais tarde, eu perguntei a ela o que era aquela figura. Foi a primeira vez que conheci o Holocausto.

Eu reparei que os sapatos pareciam os da minha mãe, que esse acontecimento era recente. Como isso acontecia em tempos modernos? Acho que era isso que eu tinha em mim e que a obra despertou.

Sobre expectativas e medo, você é considerada por alguns como a melhor atriz do mundo. Você às vezes se sente superestimada? Acha que atualmente tem atrizes que se equiparam a você?

Só umas 180. [risos]

Falaria o nome de alguma?


Não, porque vou acabar deixando alguém de fora. Mas todo mundo fala da 'idade de ouro' em Hollywood, mas eu sinceramente acho que a atuação é melhor agora, mais ousada. Muita gente tem feito grandes performances, esse ano, tiveram tantas e algumas nem foram indicadas.

Nossa atriz coadjuvante, Olivia Colman, fez um filme chamado Tyrannosaur, a Anna Paquin, o excelente Margareth, e são filmes que, em outra época, ganhariam tudo nas premiações.

E eu, no fim, acabei dando nomes! (Risos)

Todo ano, nos focamos em premiações e alguns filmes passam despercebidos. E é trabalho de vocês (jornalistas) falarem sobre isso e fazer barulho.

Você trabalha há mais de 35 anos na indústria e já trabalhou com alguns dos melhores diretores atualmente. Me pergunto se você sente o quanto contribuiu para construir a indústria cinematográfica americana de hoje.

Eu só vou de um trabalho para o outro, procurando onde devo colocar minha energia, o que me anima de novo. É uma vida estranha, atuar. Você não tem um objetivo, não é como um cientista que fica "ah, preciso conseguir isolar essa enzima e assim, vou curar o câncer". Como ator, vai de um ponto a outro. Eu não fico colocando objetivos. Penso no aqui e no agora. É o que é real.


Berlim, 13 de fevereiro de 2011
 

Van Redin/Divulgação
Jayne Mansfield's Car, de Billy Bob Thornton

O mais recente trabalho de Billy Bob Thornton como diretor, o longa Jayne Mansfield's Car, também participa da competição do Festival de Berlim. Ambientado no Sul dos Estados Unidos, em 1969, o filme usa como ponto de partida a união de duas famílias culturalmente diferentes (uma britânica, a outra sulista), mas lidando com problemas similares, para a discutir basicamente dois temas: a falta de comunicação entre pessoas que se amam e são ligadas por laços de sangue e o modo como cada geração lida com a guerra, aprendendo muito pouco com a anterior.

O filme retrata três gerações, em que todos os personagens masculinos têm alguma conexão com guerras (sejam as duas mundiais ou a do Vietnã) e estão (ou não, na maior parte das vezes) lidando com os efeitos da experiência. A sequência oscila entre um ponto de vista melancólico e pinceladas de humor negro que, em boa parte das vezes – como uma cena memorável em que o rígido pai de família tem uma viagem acidental de ácido – funcionam muito bem, obrigado, mas em outras parecem simpesmente não encaixar na história.

Uma novidade interessante da obra é o fato de ser uma produção americana e russa, colaboração rara na indústria cinematográfica. Em coletiva de imprensa, Thornton comentou a parceria: "dirigir esse filme foi muito especial para mim e aconteceu porque eu reclamava do estilo dos filmes na América: os mais fáceis de financiar são estrelados por modelos fantasiados de gladiador ou comédias com crianças. Acho que ninguém nos Estados Unidos financiaria meu filme, então os russos o fizeram".

E Thornton ainda tinha muito mais a dizer sobre indústria cinematográfica norte-americana contemporânea. O diretor acrescentou que pretende dirigir mais e continuar fazendo filmes com produtores que entendem que ter uma visão clara é o importante em um filme, não as estrelas. "Acho errado o que fazem hoje de tentar enfiar o máximo possível de estrelas em papéis errados para elas. Trabalho com atores conhecidos, mas são atores, não celebridades. Não vou dirigir o próximo Star Trek", concluiu.

De fato, Jayne Mansfield's Car tem nomes conhecidos no elenco como John Hurt, Robert Duvall e Kevin Bacon, além do próprio Thornton, mas todos carregam bem seu peso no filme e chegam a compensar por partes em que o roteiro falha um pouco.

O segundo filme do dia, a produção chinesa Flowers of War, também lida com a guerra, mas com o durante, ao invés do depois. O longa, fora da competição do Berlinale, se passa em 1937, na cidade chinesa de Nanking, pelo controle da qual os exércitos da China e Japão travavam uma sangrenta batalha. O enredo gira em torno de um grupo de meninas precariamente abrigadas em uma catedral católica, junto a um grupo de prostitutas e a um americano interpretado por Christian Bale.

Previsivelmente, Bale, que começa a sequência como um beberrão egoísta, acaba – em uma transição bastante abrupta – assumindo o papel improvável de protetor das meninas, e precisa planejar um modo de tirá-las da cidade. O problema do filme dirigido por Zhang Yimou e adaptado do romance 13 Flores de Nanjing, pode ser facilmente resumido: a necessidade quase desesperada de comover o espectador. 

Esmiuçando, o roteiro – carregado de personagens e subenrendos que contribuem muito pouco para história – busca mostrar para o espectador, em cenas fortes, o quão violento pode ser o conflito. Flowers of War, entretanto, decide inovar e ao invés de  seguir o caminho tradicional de construir uma história que leve a cenas de impacto emocional, o filme dá uma guinada súbita, que faz muito pouco sentido e com personagens que mal tiveram tempo de tela até então. Eventos mal se conectam ao enredo principal e estão na tela para nada além de mostrar a dimensão das atrocidades que acontecem em tempos de guerra.

E, para que realmente ninguém na plateia deixe de notar o quão comovente é o que está acontecendo, cada momento de impacto é acompanhado por música dramática e o ocasional efeito slow-motion.

Os roteiristas parecem também ter descoberto o efeito emocional de arcos narrativos de redenção, porque todo personagem do longa – de Christian Bale, às prostitutas – parece ter cometido pecados que compensam ao se sacrificar pelo bem-estar das meninas. E, mais uma vez, ninguém quer que a plateia deixe de notar o quão significativo são os eventos se desenrolando na tela, então muitas vezes os personagens enunciam, com todas as letras, até as motivações mais óbvias para o que estão fazendo.

Há potencial para um filme tocante sobre a quase impossibilidade de se preservar a inocência, no cenário infernal de uma batalha. A única pena é que isso se perde em meio a uma cacofonia de elementos simbólicos que, em momentos particularmente exagerados, conseguiram arrancar risadas de um público que queriam ver de olhos marejados.


Berlim, 12 de fevereiro de 2012
 

© Berlinale
Captive, de Brillante Mendonza


O primeiro filme do dia foi mais um no páreo pelo Urso de Prata: Captive, do diretor filipino Brillante Mendoza, que, inspirado em eventos reais, segue um grupo de reféns, composto por missionários e turistas cristãos. Os sequestrados passam mais de um ano nas mãos de um grupo terrorista muçulmano, se escondendo nas selvas filipinas. A ideia do longa, segundo o próprio Mendoza, era abordar a situação de modo jornalístico, documental, em que todas as partes – sequestradores, vítimas e os militares em seu encalço – pudessem ter sua motivação mostrada ao público.

"Na minha opinião, o dever do cineasta é tentar retratar a realidade, mesmo que ele não concorde como que está mostrando", comentou o diretor. Pena que o filme, justamente por querer mostrar muito, acabe desenvolvendo pouco os personagens.

O segundo filme do dia, Shadow Dancer, de James Marsh, diretor responsável pelo belíssimo documentário O Equlibrista, não fazia parte da competição, mas isso não quer dizer nada sobre sua qualidade. É um thriller psicológico emocional e tenso.

Tendo o conflito separatista da Irlanda do Norte como pano de fundo, a sequência começa de maneira chocante com a morte de um garotinho irlandês nas mãos das forças britânicas. A protagonista é a irmã do garoto, Colette (interpretada de modo comovente, pela britânica Andrea Riseborough), que se sente, ainda que indiretamente, culpada pela morte do irmão.

Anos depois, encontramos Colette crescida e capturada pela polícia britânica por atos terroristas feitos em nome do Exército Republicano Irlandês, o IRA. Colette, que agora é mãe, é colocada diante de uma escolha difícil: ser presa por 25 anos ou adotar a arriscada posição de agente duplo e informante dos ingleses.

Shadow Dancer trabalha menos com ações e mais com a ameaça – com explosões que a audiência fica esperando acontecer, enquanto roem as unhas. É thriller psicológico, no sentido literal da coisa:  preocupa-se constantemente em retratar o ponto de vista dos personagens, os dilemas morais e éticos e as tensões por que passam.

A maratona cinematográfica continua com mais um filme, o canadense Keyhole, de Guy Maddin, que faz parte da seleção Berlinale Special do festival. Enquanto a maioria das obras de festival de Berlim tem uma estrutura narrativa bastante clássica, Keyhole vai fundo no surralismo. 

Ambientado em uma casa de corredores tortuosos que sempre levam a caminhos diferentes, – e habitada por vivos e mortos que conversam, interagem e se misturam – o longa começa com o retorno do homem da casa, Ulysses, que volta sem memória, mas arrastando consigo o cadáver de uma garota afogada e um garoto amordaçado. O desenrolar da história é literalmente uma odisséia – a escolha do nome Ulysses não é acidental e o filme agrega vários elementos do poema de Homero – de sonhos e pesadelos, com elementos eróticos e edipianos, uma jornada pela psique humana, que lembra um pouco os filmes de Buñuel.

O diretor Guy Maddin não é um estranho no Berlinale, já esteve aqui com pelo menos outros dois filmes, My Winnipeg e Brand Upon the Brain, mas não é um cineasta que agrada a todos os gostos. Keyhole é uma jornada fascinante ao absurdo, que tem uma preocupação imensa com detalhes, mas é preciso assistir com a disposição certa, do contrário, muitos de seus elementos – como uma cadeira elétrica caseira armada no meio da sala, para não mencionar os mais absurdos – podem parecer simplesmente risíveis.

O último filme do dia foi o tcheco A Night Too Young, que faz parte da seção Forum do festival, reservada para os filmes mais ousados. O longa em questão é forte e conciso: em pouco mais de uma hora de duração, A Night too Young mostra dois garotos, ainda no limiar entre infância e adolescência, e um encontro fortuito com uma professora em sua escola, acompanhada de dois amigos. O desenrolar dos eventos faz com que todos passem a noite no flat dela e certas situações presenciadas pelos meninos vão deixá-los alguns passos mais próximos da maturidade e mais distantes da infância.

O engraçado é que a iniciação vivenciada pelos dois jovens protagonistas do filme tem menos a ver com experienciar "coisas de adulto" que sempre aparecem nesse tipo de filme, como sexo ou álcool (apesar de ambos desempenharem um papel) e mais com a observação de jogos de poder e sedução entre os três adultos. O que é mostrado na tela é que esse tipo de comportamento talvez seja o rito de passagem mais marcante.


Berlim, 11 de fevereiro de 2012

© Berlinale
Cena de Marley, de Kevin Macdonald

 

O dia começou com uma coletiva de imprensa com Angelina Jolie e o elenco de seu novo filme, In the Land of Blood and Honey. Previsivelmente, a entrada do salão de conferências para entrevistá-la parecia cenário de um apocalipse zumbi a pleno vapor: uma horda munida de câmeras e blocos de anotações adentrava o local a passos lentos, todos vorazes por uma foto ou um lugar próximo à atriz e diretora.

Apesar de estar acompanhada por nada menos do que oito membros do elenco, Jolie monopolizou a atenção e respondia, com elegância, a perguntas nem sempre agradáveis – o jornalista que abriu a rodada de perguntas, por exemplo, perguntou basicamente por que o filme é maniqueísta. A atriz retrucou com "todos temos a nossa interpretação das coisas, mas acho que fica claro que minha intenção não foi essa". 

O dia continuou com duas exibições que não poderiam ser mais diferentes. A primeira, outra concorrente ao Urso de Ouro, é o thriller psicológico Dictado, que conta a história de Daniel, um professor que recebe a visita de um amigo de infância, com quem fica claro que ele divide um segredo pesado.

Quando o amigo comete suicídio e sua filha fica sozinha, a esposa de Daniel passa a querer adotá-la. A menina traz à tona sentimentos de culpa reprimidos em Daniel e acompanhamos seu comportamento cada vez mais apavorado e errático, sabendo que vai acabar em insanidade.

A seu favor, o longa tem a filmagem belissíma, que combinada à trilha sonora, consegue criar uma atmosfera de tensão, em que a audiência não sabe o quanto (ou se) pode confiar no protagonista.

Dito isto, o filme segue por um caminho já muito trilhado, a um ponto em que não há um elemento simbólico ou importante do enredo que um fã de suspense não vá prever, com horas de antecedência. A sequência tenta discutir culpa e as origens do mal em coisas inocentes, mas a narrativa, apesar de querer desesperadamente fincar a bandeira no território do "thriller psicológico", não consegue se desvencilhar de certos lugares-comuns do terror, mesmo.

A segunda exibição do dia, Marley, de Kevin Macdonald, o diretor responsável pelo documentário colaborativo feito com vídeos do YouTube, Life in a Day, retrata desta vez a vida do reggaeiro Bob Marley.

Estamos falando de um documentário em um panorama especial do festival, um evento que foi criado por razões políticas e que tem por característica selecionar filmes de forte conteúdo deste tipo. Tendo esta informação, já fica claro que a obra de Macdonald não é exatamente 'Bob Marley, o músico', é muito mais sobre os desdobramentos sociais e atitudes humanitárias do ídolo.

O viés é quase tão interessante quanto alguns dos depoimentos e descobrimos muito sobre aspirações religiosas e filantrópicas de um homem que aparentemente é conhecido pelos motivos errados – posso estar andando com as pessoas erradas, porque já ouvi mais de uma vez o comentário "sabia que o foram encontrados no cabelo do Bob Marley espécies de piolho que nunca foram encontradas em outro lugar?".

Então, sim, são ótimas as intenções do diretor e dos amigos e família de Marley, que falam no documentário, mas o filme, em alguns momentos, o retrata de modo quase messiânico. Chega a ser incômodo. Marley também tenta dar um insight sobre o que está por trás da filosofia Rastafári: a audiência chega a aprender alguns fatos interessantes a respeito, mas muitos depoimentos sobre o assunto, parecem um pouco generalizantes, passando apenas a noção pouco elucidativa de que o importante é 'curtir a vibe e ficar em paz'.

Uma coisa que é muito boa no documentário é o uso da música. São 50 canções de Bob Marley e umas dez de outros artistas, e há uma cena em especial, perto do fim, que fica muito bonita, ao som de Redemption Song.

Vale a pena conferir Marley se por mais nada, para ver um trabalho que foi claramente feito com cuidado e respeito. Só um conselho: assista ao filme com legendas e paciência – o documentário vai um pouco além da conta na duração (124 minutos) e os comentários com sotaque jamaicano são difíceis de entender.


Berlim, 10 de fevereiro de 2012
 

O segundo dia da Time Out São Paulo no Festival de Berlim foi de filmes fortes. O primeiro, o francês A Moi Seule – cujo título significa algo como 'sozinha' e foi erroneamente traduzido no inglês para Coming Home –, retrata o relacionamento de uma menina com o homem que a sequestrou e a manteve em cativeiro por anos e sua luta para descobrir como lidar com a vida em liberdade, quando ele finalmente a deixa ir.

O problema com a tradução Coming Home é que, enquanto o ponto de partida do filme é a volta de Gaëlle para casa e o caminho que ela percorre para se reajustar à vida fora de um porão, o foco real é o relacionamento da menina com seu sequestrador, Vincent, e a solidão que ambos compartilham. A dele, que é aludida mas nunca totalmente explicada, o leva a planejar o rapto de uma garotinha que ele possa criar como se fosse sua. A dela é ao mesmo tempo forçada e escolhida. No mundo em que Vincent cria apenas para os dois, ele é sua única companhia, mas a falta de opção não faz com que ela o aceite. Os anos passam e ela continua lutando, porque rejeitá-lo é a única maneira de sobreviver, de não sucumbir à fantasia.

Na coletiva de imprensa sobre o filme, o diretor Frédéric Videau disse querer mostrar a complexidade no relacionamento entre duas pessoas, especialmente quando uma quer educar a outra. O resultado é um estudo bem feito, em que a convivência entre sequestrador e cativa é feito de momentos de agressividade e antagonismo, salpicado por alguns de ternura e uma constante troca de poder entre ambos. Vincent é capaz de sobrepujar Gaëlle fisicamente, mas ela é importante para ele e sabe usar esse fato a seu favor.

A este  retrato da vida em cativeiro de Gaëlle, o filme justapõe seu estranhamento diante de uma recém-conseguida liberdade, indo e voltando de flashbacks. No presente, o retiro permanence. Ela está livre, mas cercada de pessoas que querem, mas não são capazes de entender o que ela viveu.

O caso da menina austríaca que viveu em cativeiro dos 10 aos 18 anos, Natascha Kampusch, como possível inspiração para A Moi Seule foi assunto recorrente durante a reunião com os jornalistas. O cineasta negou a comparação e explicou que tirou apenas a ideia de uma menina que só podia contar com uma enorme vontade de viver, mesmo em condições tão adversas, e disso escreveu sua própria e bem sucedida história.

Falo pouco sobre o segundo filme do dia, mas já posso antecipar o burburinho que o longa vai causar. In the Land of Blood and Honey é o primeiro trabalho de Angelina Jolie como diretora. Muitos tabloides (e, ok, a jornalista que vos fala) podem já ter feito pouco caso do lado humanitário da atriz, mas a sequência sobre o relacionamento entre um soldado sérvio e uma mulher bósnia, durante a guerra que resultou na dissolução da antiga Iugoslávia, mostra todos os horrores do conflito que um humanitário trabalharia para erradicar – e mais um pouco.

O longa retrata sem hesitação um cotidiano em que as pessoas saem de casa sem saber se vão ser atingidas por uma bala na testa, no meio do caminho, ou encontrar um cadáver na soleira da porta quando voltarem – e encaram essa rotina com uma espécie de terror resignado.

Fica impossível falar mais a fundo de In the Land of Blood and Honey por conta de um problema: o filme foi filmado em bósnio e a sessão foi legendada em alemão. Mas, mesmo sem entender completamente a história, muitas das ações falam por si – e dizem coisas fortes e horríveis.

Berlim, 9 de fevereiro de 2012

 

Se é verdade que tempo frio e úmido é perfeito para um cineminha, a abertura do Festival Internacional de Cinema de Berlim foi recebida pela cidade com o clima ideal – em uma refrescante temperatura de -3°C, acompanhada por uma camadinha de neve.

Apesar do frio, a 62ª edição do evento foi aberta com um (indispensável) festa de gala e, claro, um tapete vermelho no Berlinale Palast, localizada na movimentada região da Potsdamer Platz, onde também estão dois dos maiores complexos de cinema da capital alemã.

Por lá, desfilaram as estrelas da produção franco-espanhola Adeus à Rainha, filme na competição pelo Urso de Ouro, que retrata, com pitadas de ironia, os dias que antecederam a Revolução Francesa pela visão de uma serva próxima à rainha Maria Antonieta.

As protagonistas Diane Krueger (Bastardos Inglórios) e Lea Seydoux – quem não a viu na reflexiva e, ok, ligeiramente melodramatica, produção francesa de 2008, A Bela Junie, podem reconhecê-la de uma ponta no novo Missão Impossível – desfilavam com sorrisos prontos, típicos das estrelas de cinema, tentando esconder o frio que sentiam, com apenas um casaco sobre os vestidos de gala.

O primeiro dia contou também com uma coletiva de imprensa com o júri internacional. Presidido pelo diretor britânico Mike Leigh (da adorável, mas mordaz comédia Simplemente Feliz), também participam do time de jurados, Jake Gyllenhaal, Charlotte Gainsbourg, o francês Francois Ozon, a premiada atriz alemã Barbara Sukowa, o escritor algeriano Boualem Sansal, o cineasta e fotográfo holandês Anton Corbijn e Asghar Farhadi, diretor do elogiado A Separação, grande vencedor da edicão de 2011 do Berlinale, que ainda deve estar em cartaz nos cinemas paulistanos.

Escrito por Ana Cecília de Paula
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