Cineminha hoje?

As 3 estreias da semana, por André de Leones

Divulgação
'Tão Forte e Tão Perto' mostra os atentados de 11/9 sob o ponto de vista de um garoto

Semana com poucas estreias é sempre uma boa oportunidade para ficar em dia com as novidades, sobretudo nesta época do ano. A cerimônia de entrega do Oscar é no próximo domingo, 26, e alguns dos principais filmes indicados já aportaram nos cinemas paulistanos: A Invenção de Hugo Cabret, O Artista, Os Descendentes, O Homem que Mudou o Jogo, Cavalo de Guerra, Histórias Cruzadas e, agora, Tão Forte e Tão Perto.

Bem distante da beleza de Hugo Cabret e da discrição de O Homem que Mudou o Jogo, Tão Forte e Tão Perto é um drama protagonizado por um garoto que perdeu o pai nos atentados de 11 de setembro. O filme escorrega aqui e ali no melodrama, mas terá seus admiradores (os mesmos que curtiram Histórias Cruzadas, provavelmente).
O outro destaque é menos o filme e mais a atuação de Glenn Close em Albert Nobbs. Uma semana depois de conferirmos uma forte atuação num filme fraco (Meryl Streep em A Dama de Ferro), surge algo parecido, ainda que Albert Nobbs não pareça tão ruim quanto a cinebio de Margaret Thatcher.
 

 

  

TÃO FORTE E TÃO PERTO (Extremely Loud & Incredibly Close)
 

O romance Extremamente Alto e Incrivelmente Perto, lançado no Brasil pela Rocco, confirmou Jonathan Safran Foer como um dos melhores ficcionistas surgidos neste início de século XXI. Foi também um dos primeiros a tocar numa ferida aberta: os atentados terroristas ao World Trade Center de Nova York, em 11 de setembro de 2001. Adotando o ponto de vista de um garoto de nove anos (onze no filme) cujo pai morreu em uma das torres gêmeas, Foer desenvolve uma narrativa pungente e das mais inventivas, recorrendo a imagens e outros grafismos para ilustrar a busca em que se engaja o personagem.
 
O diretor Stephen Daldry (de Billy Elliot e As Horas) procura recriar cinematograficamente a prosa vívida de Foer, mas Tão Forte e Tão Perto é, no geral, um dramalhão que não consegue ecoar tanto a tragédia coletiva dos atentados quanto a tragédia individual do protagonista. Este, depois de encontrar uma chave que pertencera ao pai, dentro de um envelope no qual se lê a palavra “black”, sai por Nova York numa “Missão de Reconhecimento”. Ele acredita que desvendar o segredo é uma forma de manter o pai por perto.
 
Como toda e qualquer viagem desde Homero,esta terminará onde começou. E, como todo e qualquer drama hollywoodiano, lições valiosas serão aprendidas no trajeto e alguma paz de espírito chegará com o desfecho.
 
Tão Forte e Tão Perto talvez agrade àqueles espectadores que, afeitos à emoção crua, não estejam interessados em quaisquer reflexões sobre o imenso abismo deixado por uma perda. Alguns chamariam (e chamam) isso de manipulação barata e chantagem emocional, coisas que estão a anos-luz da lucidez de seu original literário. Seja o que for e, sobretudo, como for, o filme foi indicado aos Oscar de Melhor Filme e Melhor Ator Coadjuvante (o veterano Max Von Sidow).
 
EUA, 2011. Direção: Stephen Daldry. Com Thomas Horn, Tom Hanks, Sandra Bullock, Max Von Sidow, Viola Davis, Zoe Caldwell, Jeffrey Wright. 129 minutos.
 

 

ALBERT NOBBS
 

 
Na Irlanda do século XIX, uma mulher se passa por homem a fim de conseguir trabalhar. A farsa se prolonga por três décadas. Baseado em um conto de George Moore, escritor irlandês muito influenciado pelos naturalistas franceses, como Émile Zola, o filme é quase que inteiramente sustentado por Glenn Close, indicada ao Oscar por sua atuação. Na verdade, desde que interpretou o papel numa montagem teatral Off-Broadway de 1982, Close vinha lutando para adaptar a história para as telas. Além de protagonista, ela também co-produziu o filme e o roteirizou junto com o premiado autor irlandês John Banville. O diretor é o colombiano Rodrigo García, com extensa experiência em séries de televisão (Carnivale, Six Feet Under, In Treatment) e esperto o bastante para não interferir nas atuações de Close e, para não sermos injustos, do resto do elenco. Preste atenção no trabalho de Janet McTeer como Mr. Page. Close, por sua vez, criou um ser dos mais interessantes, de uma androginia que ressalta esplendidamente a sua condição de mulher pobre travestida de homem numa sociedade machista e perversa. Seu medo e sua tristeza são palpáveis.
 
Inglaterra/Irlanda, 2011. Direção: Rodrigo García. Com Glenn Close, Janet McTeer, Mia Wasikowska, Aaron Johnson, Pauline Collins, Maria Doyle Kennedy, Mark Williams. 113 minutos.


 

A MULHER DE PRETO (The Woman in Black)
 

Para alguns, o maior atrativo de A Mulher de Preto é a presença de Daniel Radcliffe, celebrizado por viver Harry Potter no cinema. Aqui, ele interpreta um advogado londrino que viaja ao interior da Inglaterra para cuidar dos assuntos de um cliente recém-falecido. Providencialmente (para o público ávido por esse tipo de coisa, não para o personagem) isolado num casarão, ele começa a ter visões sinistras e acaba se deparando com a mulher do título, na verdade um espírito em busca de vingança. Este é o segundo longa de James Watkins, premiado no Fantasporto 2009 por O Lago Perfeito. A exemplo de seu predecessor, A Mulher de Preto surge como um exemplar digno do gênero, até por prezar mais o efeito aterrorizante de certa quietude em detrimento do estardalhaço rotineiro.
 
Inglaterra/Canadá, 2012. Direção: James Watkins. Com Daniel Radcliffe, Janet McTeer, Ciarán Hinds, David Burke, Shaun Dooley. 95 minutos.
Escrito por André de Leones
 

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