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 As cinco estreias da semana, por André de Leones

Universal Pictures/Divulgação
Drew Barrymore é a protagonista em 'O Grande Milagre'

As estreias da semana são, em sua maioria, marcadas por um compromisso com o grande público. Se é para o bem ou para o mal, cada espectador que decida por si. Temos desde O Grande Milagre, típico filme vespertino envolvendo seres humanos de bom coração e baleias a serem resgatadas, até o romantismo de W.E.- O Romance do Século, dirigido por Madonna. Os que sentirem falta de testosterona podem conferir o thriller O Pacto, com o onipresente Nicolas Cage (ele continua em cartaz na cidade com Motoqueiro Fantasma - Espírito da Vingança), e John Carter - Entre Dois Mundos, ficção-científica sobre um soldado da Guerra Civil norte-americana que vai parar em Marte, no meio de uma... guerra civil.

Cairo 678 | O Grande Milagre |
John Carter - Entre Dois Mundos | O Pacto | W.E. - O Romance do Século

  


Cairo 678 (678)

 

Em seu primeiro longa como diretor, o roteirista Mohamed Diab retrata a busca por justiça de três mulheres contra o assédio sexual que muitas sofrem cotidianamente no Egito. Seba é violentada durante um jogo de futebol; Fayza, uma dona de casa assediada no ônibus que pega todos os dias; e Nelly, uma aspirante a comediante, torna-se a primeira mulher a processar alguém por abuso sexual naquele país. O filme é baseado em histórias reais.

Dir. Mohamed Diab. Egito, 2010. Bushra, Nelly Karim, Ahmed El Fishaw, Maged El Kedwany. 100 min.


O Grande Milagre (Big Miracle)

 

As melhores intenções espalham-se como câncer por O Grande Milagre. Um repórter chama a namorada, voluntária do Greenpeace, ao Alasca para iniciar uma campanha pelo salvamento de uma família de baleias presas no gelo. Ken Kwapis, diretor de Licença Para Casar e com extensa experiência em séries de TV, faz o tipo de coisa que muito em breve emplacará uma Sessão da Tarde, “inspirada em fatos reais”, está certo, mas cuja bem-aventurança é tão absurda que parece coisa de extraterrestres. Os mais velhos se lembrarão de O Resgate de Jessica, mas, convenhamos, baleias presas no gelo são muito mais legais do que uma criança entalada num poço, não é mesmo?

Dir. Ken Kwapis. EUA/Reino Unido, 2012. Drew Barrymore, John Krasinski, Kristen Bell, Dermot Mulroney. 107 min.


John Carter – Entre Dois Mundos (John Carter)

 

John Carter é um personagem criado pelo escritor Edgar Rice Burroughs, o mesmo de Tarzan. Ele já tinha aparecido no filme de baixo orçamento Princess of Mars, estrelado pela ex-atriz pornô Traci Lords. Agora, nós o reencontramos nesta superprodução da Disney, com toda a pirotecnia em computação gráfica a que tem direito. Inexplicavelmente transportado para Marte, Carter é um soldado da Guerra da Secessão que se vê em meio a um conflito entre os habitantes daquele planeta. O diretor Andrew Stanton foi muito bem-sucedido com suas animações da Pixar, como Procurando Nemo e o estupendo Wall-E, e é curioso pensarmos que havia mais verdade e sofisticação narrativa nesses filmes do que em John Carter.

Dir. Andrew Stanton. EUA, 2012. Taylor Kitsch, Lynn Collins, Samantha Morton. 132 min.


O Pacto (Seeking Justice)

 

A mulher de Nicolas Cage é estuprada e, com a sua anuência, um grupo de vigilantes trucida o marginal. O problema é que, depois, exigem que ele retribua o favor matando outro criminoso. A moral da história vem impressa no cartaz do filme: “A vingança sempre tem um preço”. Com um protagonista que deixaria o coração do ator Charles Bronson muito triste, O Pacto é exemplar desse subgênero que existe há décadas, no qual um homem comum é arrastado para uma situação extrema e, a certa altura, até por falta do que fazer, precisa revidar. O diretor Roger Donaldson tem experiência nesses jogos de gato e rato: são dele os competentes Sem Saída e Areias Brancas.

Dir. Roger Donaldson. EUA, 2011. Nicolas Cage, Jennifer Carpenter, Guy Pearce. 105 min.


W. E. – O Romance do Século (W.E.)

 

Em seu segundo longa-metragem como diretora (o primeiro foi Sujos e Sábios, de 2008, que trazia no elenco e na trilha a banda Gogol Bordello), Madonna adoça ao extremo a história de Wallis Simpson, a socialite norte-americana divorciada por quem Eduardo VIII abdicou do trono britânico em 1936. Uma história de amor contemporânea entre uma mulher casada e um segurança russo serve de paralelo ao suposto “romance do século”. É bom lembrar que W. & E. foram retratados de forma pouco lisonjeira no premiado O Discurso do Rei. Mas, claro, as intenções de Madonna são outras, bem como os resultados obtidos.

Dir. Madonna.Reino Unido, 2011. Abbie Cornish, Andrea Riseborough, James D’Arcy. 119 min.

Escrito por André de Leones
 

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