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Cineminha hoje?

 As cinco estreias da semana, por André de Leones

Atualizada em 23/03/2012

O documentário Pina, de Wim Wenders, não é o primeiro a trazer Pina Bausch aos cinemas: ela já teve uma participação importante logo no começo de Fale com Ela, de Pedro Almodóvar. Ali, os protagonistas assistem a uma apresentação de Café Müller, e é interessante percebermos o quanto o pequeno trecho que vemos desse espetáculo de dança antecipa muito do que o filme desenvolverá. Wenders, agora, utiliza a dança para destacar a própria Pina. Não poderia haver homenagem maior à coreógrafa, falecida em 2009.
As telas paulistanas recebem, ainda, um outro documentário-tributo: Raul Seixas: O Início, o Fim e o Meio. Já os que nasceram há menos de dez mil anos atrás talvez prefiram a adaptação do best-seller Jogos Vorazes, primeiro capítulo de uma trilogia e, claro, o blockbuster da semana.

Pina | Raul Seixas - O Início, o Fim e o Meio |
Jogos Vorazes | As Flores de Kirkuk | Verão em L.A.


Pina

“Dance por amor”, costumava dizer a coreógrafa alemã Pina Bausch. Por mais que o cineasta Wim Wenders venha escorregando feio desde Asas do Desejo, seu último bom filme de ficção, ninguém duvida de que, a exemplo de sua conterrânea, ele “filme por amor”.

Tal sentimento, embora mal ilumine filmes fracos como O Hotel de Um Milhão de Dólares e O Fim da Violência, ainda brilha em alguns de seus documentários. Wenders, afinal de contas, é também o responsável, entre outras coisas, por um tributo a Yasujiro Ozu (Tokio-Ga), outro a Nicholas Ray (Um Filme para Nick) e por recuperar toda uma geração de grandes músicos cubanos (Buena Vista Social Club).

Pina (demos cinco estrelas para o filme), primeira experiência do diretor com o 3D, tem a inteligência de privilegiar a dança em detrimento da palavra. Embora há depoimentos dos bailarinos da Tanztheater Wuppertal, companhia dirigida por Bausch por quase quatro décadas, Wenders se concentra em exibir trechos de espetáculos como A Sagração da Primavera e Café Müller. É uma opção feliz. Graças a ela e ao bom uso do 3D, resulta em um filme que, além de estar à altura de Bausch, é também um convite à imersão.


Dir. Wim Wenders, Alemanha/França/Reino Unido, 2011. Pina Bausch, Regina Advento, Malou Airaudo, Ruth Amarante. 106 min.


Raul Seixas - O Início, o Fim e o Meio



Quem já passou dos trinta por certo se lembra de Raul Seixas naqueles videoclipes do Fantástico, cantando Gitâ ou Cowboy Fora-da-Lei. Para um cantor e compositor outrora tão presente no mainstream, em um tempo em que era ele – e não o seu parceiro letrista Paulo Coelho – a celebridade, é curioso o relativo ostracismo a que foi relegado de alguns anos para cá. (Clique aqui para ler a resenha).

É claro que seu trabalho nunca deixou de ser apreciado ou, vale dizer, cultuado por alguns fãs ardorosos, mas talvez seja correto afirmar que este documentário recupera dignamente a figura de Seixas, das mais importantes e controversas do rock nacional, para o público em geral e as gerações mais novas. Ele o faz por meio de imagens raras de arquivo e conversas com familiares, outros artistas e ex-parceiros, como o próprio Coelho.

Walter Carvalho, fotógrafo experimentado (são dele as imagens de filmes como Abril Despedaçado e Lavoura Arcaica), também co-dirigiu outra biografia de um ídolo pop brasileiro, Cazuza – O Tempo Não Para. Ao retratar Raul Seixas, ele se exime de reinventar a roda e coloca de pé um documentário que está sempre a serviço do biografado, e não o contrário. Nesse sentido, e a despeito do personagem em questão, trata-se de uma muito bem-vinda opção pela caretice.  

Dir. Walter Carvalho, Brasil/2011. Raul Seixas, Paulo Coelho, Caetano Veloso, Pedro Bial, Tom Zé. Tárik de Souza, Marcelo Nova. 120 min. 


Jogos Vorazes (The Hunger Games)



Jogos Vorazes é o primeiro de uma trilogia de best-sellers escritos por Suzanne Collins. A adaptação cinematográfica é de Gary Ross, mais conhecido como roteirista (todos nos lembramos de Quero Ser Grande, não? Não?) do que como diretor (Seabiscuit, aquela pornografia do coração (sic) estrelada por Tobey Maguire e um cavalo).

O enredo de Jogos Vorazes se passa em um mundo pós-apocalíptico, em que os EUA não existem mais e em seu lugar temos Panem, um país dividido em distritos e controlado por uma cidade chamada simplesmente Capital. A grande sacada de Collins foi enxergar um reality show no fim do mundo: todos os anos, são sorteados dois jovens de cada distrito a fim de participar dos tais jogos.

Claro, não é uma ideia nova. Há mais de duas décadas, tivemos o ainda hoje divertido The Running Man – O Sobrevivente, em que Arnold Schwarzenegger também era forçado a tomar parte de um reality mortífero.

Collins, por sua vez, escolheu uma garota de 16 anos como narradora e protagonista, Katniss Everdeen, coisa que em parte explica o enorme sucesso alcançado pelos livros. Nas telas, Katniss é interpretada por Jennifer Lawrence, o que em grande parte explicará o sucesso do filme. Para quem não se lembra, ela provou ser também uma excelente atriz em Inverno da Alma. 

Dir. Gary Ross, EUA/2012. Jennifer Lawrence, Wes Bentley, Woody Harrelson, Elizabeth Banks, Stanley Tucci, Willow Shields. 142 min. 


As Flores de Kirkuk (Golakani Kirkuk)



Na década de 1980, a médica Najla volta da Itália para o Iraque a fim de encontrar seu noivo, Sherko. Estamos em pleno regime de Saddam Hussein. Sherko é um membro da resistência, e o pano de fundo para seu reencontro com Najla é o genocídio curdo cometido por Saddam. A ideia era aliar o subtexto político ao enredo amoroso, mas nenhum deles funciona muito bem em As Flores de Kirkuk. Fica a curiosidade por ser um dos primeiros filmes iraquianos a abordar o passado recente do país. 

Dir. Fariborz Kamkari, Iraque/Suíça/Itália, 2010. Morjana Alaoui, Ertem Eser, Mohammed Bakri, Darbaz Dara. 118 min.


Verão em L.A. (August)



Em seu longa de estreia, Eldar Rapaport explora um triângulo amoroso envolvendo Jonathan, o imigrante argentino Raul e Troy, que acaba de voltar de uma temporada em Barcelona. Anos antes, Troy e Jonathan tiveram um envolvimento que não terminou bem ou, melhor dizendo, permanece inconcluso. Como um deles diz a certa altura, tiveram um verão maravilhoso seguido por um outono terrível. Assim, à medida em que as relações se embaralham, eles procuram um jeito de lidar com o passado e se ressituar no presente.

Dir. Eldar Rapaport, EUA, 2011. Murray Bartlet, Daniel Dugan, Adrian Gonzalez, Hillary Banks. 100 min.

Escrito por André de Leones
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