Peter Lord em close-up

Diretor do estúdio que criou os personagens Wallace e Gromit conta como deu vida a piratas no novo longa

Sony Pictures/ Divulgação

Se um inglês tivesse de listar os tesouros nacionais, não poderia deixar de fora o Aardman, o estúdio de animação localizado em Bristol, fundado no começo dos anos 1970 por Peter Lord em parceria com o colega de escola David Sproxton.

Afinal, os personagens Wallace e Gromit viraram embaixadores do modo britânico de ser: os Oscars conquistados por As Calças Erradas e Tosa Completa (melhores curtas de animação) e A Batalha dos Vegetais (melhor filme de animação) contribuiram para a popularidade.

Agora o estúdio singra os mares com o seu mais novo épico, o excêntrico Piratas Pirados!. Resultado de cinco anos de produção, o filme que é baseado nos livros de Gideon Defoe tem o seu protagonista dublado por Hugh Grant. Além disso, é a primeira incursão de Lord como diretor depois de A Fuga das Galinhas, realizado há 12 anos.

Como você acabou fazendo um filme sobre piratas?

Estávamos conversando sobre piratas havia muito tempo. Quando esses livros de Gideon Defoe foram lançados, todas as possibilidades se abriram. Não é apenas sobre piratas, mas também sobre um mundo ambientado em um passado não especificado – ou ‘nos velhos tempos’. Para mim, foi muito libertador ver o universo dos piratas tratado de uma maneira tão divertida e irreverente. Quando li os livros pela primeira vez, meu lado de diretor de criação saltou. Pensei: ‘Tenho de fazer isto’.

Vocês estavam decididos a fazer uma animação stop motion desde o começo? Ou consideraram seguir o rumo da animação computadorizada?

Em nosso estúdio, a animação stop motion está altamente desenvolvida. É o que fazemos melhor do que qualquer outro. Logo no início, cogitei fazer esse filme em animação computadorizada, por conta de seu potencial. Mas estou feliz com o que produzimos. E acho que fazer um filme em stop motion é mais divertido que fazer animação computadorizada. Mas não conte isso para ninguém.

O processo de animação stop frame se tornou mais fácil com o passar dos anos?

Na verdade, hoje é realmente fácil. Ontem mesmo eu estava sentado nesta sala olhando a gravação. E algo aconteceu no fundo: as luzes haviam se movido. Dez anos atrás, eu teria dito: ‘Ai, meu deus, as luzes se moveram! Prepare-se para começar tudo de novo’. Hoje, se isso acontece, nós damos risada. É algo que podemos consertar. No passado, quando eu estava verificando as tomadas, metade da minha atenção se voltava a vasculhar o quadro para ver o que havia saído errado, o que é uma maneira muito negativa de trabalhar. Hoje, você só tem de pensar sobre a performance. Todo o restante pode ser consertado.

Você sempre teve Hugh Grant em mente para o papel do Capitão Pirata?

Ele foi convidado muito cedo, mas o personagem não foi concebido para ele. Quando ele entrou a bordo, nós o deixamos improvisar um pouco, já que sempre é possível obter coisas boas dessa forma. Lembro que ele introduziu uma finalização adorável em uma das falas. Parecia audacioso ter Hugh como um pirata. Foi especialmente divertido experimentar entonações com ele. Nunca esquecerei suas tentativas de imitar o sotaque do West Country [sudoeste da Inglaterra].

Você assistiu a muitos filmes de pirata antes de realizar este?

Há vagas referências a filmes de piratas de uma certa era, como A Ilha do Tesouro (1950), da Disney, Capitão Blood (1935), de Michael Curtiz, e O Pirata Sangrento (1952). Mas eu tentei evitar muitas citações ou releituras de cenas. Nick Park adora fazer isso – foi assim especialmente com Wallace & Gromit –, mas eu não achei que fosse apropriado nesse filme.

Uma personagem diz ‘bunda’ e outra diz ‘merda’. Trata-se do alvorecer de um Aardman mais, digamos, picante?

Não, não, não! Quando David Tennant diz ‘bunda’, em uma voz muito fresca, soa muito engraçado. Outro dia nos disseram que o filme tinha obtido classificação livre. Todos dissemos: ‘O quê?! Eles dizem bunda e matam pessoas!’ Eu não sabia que se podia fazer tudo isso com classificação livre, mas aparentemente é possível. Em um corte anterior, usamos ‘Friggin’ in the Riggin’’ [algo como ‘transando no navio’], do Sex Pistols, como música tema, o que é não apenas rude, mas absolutamente obsceno. Mesmo aquilo pareceu engraçado e inocente. Acho que é muito difícil ofender as pessoas com esses personagens.

Escrito por David Jenkins
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