Cinema in black?

As estreias da semana (uma delas de terno preto básico), por André de Leones

Sony Pictures / Divulgação
O vilão de "MIB³" sorri para você.


Caso o seu médico olhe para você por sobre os óculos e diga, entredentes (bons médicos olham por sobre os óculos e falam entredentes), que você precisa se divertir mais, bem, fique em casa e leia um bom romance policial. Sugerimos Rex Stout, Lawrence Block ou Georges Simenon. Agora, se a saúde está boa, você tem tempo livre e já leu ou releu o Ulysses, de James Joyce, o lançamento de MIB³ - Homens de Preto 3 vem a calhar. O filme é rápido e rasteiro, muitíssimo bem humorado e gosmento na medida certa (o segundo era meio grotesco, não?).

Se o clima for outro, romântico-grandiloquente, a dica é Flores do Oriente, em que Christian Bale veste uma batina (ma non troppo) para tentar salvar um bando de mulheres durante o Massacre de Nanquim.

Homens de Preto 3 | Flores do Oriente  
Hasta la Vista! | A Delicadeza do Amor
 Mr. Sganzerla - Os Signos da Luz
 


MIB³ - HOMENS DE PRETO 3 (Men in Black III)
 

Que Lady Gaga é um alienígena, bem, todos já desconfiávamos disso, mas a melhor sacada ou, melhor dizendo, sacaneada em Homens de Preto 3 diz respeito a Andy Warhol. Não vem ao caso dizer do que se trata (não, ele não é um alienígena), mas a cena é, com certeza, o que há de mais engraçado no filme.

O enredo e seu desenvolvimento são acertadamente ligeiros: J. (Will Smith) precisa voltar no tempo, mais precisamente para 1969, a fim de salvar o couro de K. (Tommy Lee Jones nos dias de hoje, Josh Brolin lá atrás) e, de quebra, o mundo. Um alienígena sempre muito feliz por "concordar em discordar" com os outros está no caminho.

Barry Sonnenfeld assume mais uma vez o tom cartunesco da coisa, sempre flertando com o glorioso cinemão B dos anos de 1950 e 60. Mas, claro, isso não seria tão eficiente sem um elenco dos bons. Jones, personagem de si mesmo, está, como de hábito, cativante em sua casmurrice; e Brolin, encarnando Jones, é a presença ostensiva (no bom sentido) a que já nos acostumamos.

Dir. Barry Sonnenfeld, EUA, 2012. Will Smith, Tommy Lee Jones, Josh Brolin, Jemaine Clement, Emma Thompson, Michael Stuhlbarg. 100 min.


FLORES DO ORIENTE (The Flowers of War/Jin líng shí san chai)
 

Zhang Yimou conquistou notoriedade há pouco mais de duas décadas por meio de dramas ainda hoje potentes como Amor e Sedução e Lanternas Vermelhas. Depois, ganhou as plateias com releituras do gênero Wuxia, em que artes marciais e fantasia se misturam, como Herói e O Clã das Adagas Voadoras (o ápice dessas releituras é o filme de Ang Lee, O Tigre e o Dragão). Flores do Oriente é um drama romântico grandiloquente, aquele tipo de coisa BONITA que procura se impôr assim, pela suposta grandeza que possui e que já se anuncia desde o trailer. O problema é que grandeza não é algo, digamos, autoproclamável. O momento histórico é o do Massacre de Nanquim, iniciado em 1937 e que se prolongou até fevereiro de 1938. Christian Bale se junta a um bando de mulheres refugiadas em uma igreja e, passando-se por um padre, procura salvá-las e a si próprio. Enquanto isso, envolve-se romanticamente com uma delas, é claro.

Dir. Zhang Yimou, China/Hong Kong, 2011. Christian Bale, Paul Schneider, Ni Ni, Tong Dawei. 145 min.


HASTA LA VISTA: VENHA COMO VOCÊ É (Hasta la Vista!)
 

A premissa deste filme pode parecer absurda, mas talvez seja o caso de se deixar levar pelo diretor Geoffrey Enthoven tendo em mente a velha máxima de que não importa o quê, mas como, isto é, interessa menos a história em si e mais a forma como ela é contada. Os protagonistas são três sujeitos de vinte e poucos anos, todos com algum tipo de deficiência física, dispostos a embarcar em uma viagem para a Espanha com um objetivo muito claro: transar. Ou seja, exatamente porque levam vidas limitadas, eles sentem uma enorme urgência de experimentar algo tão básico quanto o prazer sexual. Nada mais humano.

Dir. Geoffrey Enthoven, Bélgica, 2011. Tom Audenaert, Isabelle de Hertogh, Gilles De Schrijver, Kimke Desart, Johan Heldenbergh. 115 min.


A DELICADEZA DO AMOR (La Délicatesse)
 

Nathalie (Audrey Tautou) perde o marido em um acidente e, pelos três anos seguintes, guardará luto, desviando-se de toda e qualquer tentativa de aproximação amorosa. Até o dia em que, inadvertidamente, beija um colega de trabalho (François Damiens) que sequer conhece. Com todas as hesitações e atropelos, eles embarcarão em uma relação improvável que, justamente por isso, talvez tenha alguma chance de funcionar. O filme é baseado no romance A Delicadeza, de David Foenkinos, um dos responsáveis pela adaptação. O tom geral é agridoce, bem distante de obras maiúsculas sobre perda como, por exemplo, A Liberdade é Azul, de Krzysztof Kieslowski. Mas, claro, isso não é um problema em si.

Dir. David Foenkinos, Stéphane Foenkinos, França, 2011. Audrey Tautou, François Damiens, Bruno Todeschini, Mélanie Bernier, Pio Marmaï. 108 min.

 


MR. SGANZERLA - OS SIGNOS DA LUZ
 

 

Documentário sobre o ícone do Cinema Marginal Rogério Sganzerla, diretor de O Bandido da Luz Vermelha e O Signo do Caos. Com inteligência, Joel Pizzini estrutura o seu documentário sem enfileirar depoimentos e cenas dos filmes de Sganzerla, mas por meio de uma apropriação de sua própria gramática aparentemente caótica e libertária. Assim, em vez de uma cinebiografia, temos um filme-ensaio. Sganzerla ficaria satisfeito com a abordagem.

Dir. Joel Pizzini, Brasil, 2011. 90 min.

Escrito por Time Out São Paulo editors
Tags: 
 

Comentários dos leitores

blog comments powered by Disqus
 

© 2011 - 2016 Time Out Group Ltd. All rights reserved. All material on this site is © Time Out.