Zoe Kazan, a namoradinha

Nossa repórter conversa com Zoe Kazan, protagonista e roteirista do filme 'A Namorada Perfeita'

Divulgação

Em A Namorada Perfeita (leia a nossa resenha aqui), dos mesmos diretores de Pequena Miss Sunshine, Zoe Kazan é Ruby, uma jovem criada por um escritor frustrado. Aqui ela fala sobre a experiência de escrever o roteiro do filme e de trabalhar com seu namorado, o ator Paul Dano.

O que a inspirou para escrever esse roteiro?
Paul [Dano, namorado de Kazan, que faz Calvin no filme] e eu morávamos perto de uma [loja] Macy’s e havia um manequim jogado no lixo. Pensei que era uma pessoa. Isso me fez lembrar do mito do Pigmaleão, que fala de um escultor que se apaixona por sua escultura e lhe dá vida. Isso colocou uma sementinha no meu cérebro.

Calvin dá vida a Ruby, mas descobre que não a pode controlar. Você tentou explorar esse aspecto dos relacionamentos?
Sim, o fato de que as pessoas mudam, as pessoas são um mistério. E que amar de verdade significa amar o mistério e não amar a ideia concreta de uma pessoa ou de um romance, e ser capaz de aceitar as mudanças. Acho que é muito difícil fazer isso e me tocou a ideia de um personagem lutando com isso.

No início, Ruby surge como a garota dos sonhos. Ela é uma análise desse tipo de gente?
Tenho a forte sensação de que esse tipo de pessoa não é real. É um jeito de interpretar personagens femininas que as superficializa e as faz parecerem menos reais. Há personagens assim, mas quem as escreve é responsável por inventar esse arquétipo. É uma maneira de reduzir mulheres interessantes e complicadas a uma ideia administrável e, em parte, é disso que o filme trata – o perigo de fazer isso. Acho que Ruby é totalmente ela mesma desde o início.

Quando escreveu o roteiro, tinha você e Paul em mente para os papéis principais?
Definitivamente. Depois de umas cinco páginas escritas, dei para o Paul ler e ele disse: “Você está escrevendo isso para nós, certo?”. Assim que ele disse isso, pensei: “Ele está absolutamente certo”.

Foi um desafio trabalharem juntos?

É uma bênção e, ao mesmo, muito difícil. Depois do filme, realmente precisamos nos conhecer de novo e esquecer essa relação de trabalho. Mas ajuda muito ter um parceiro de cena que conhece você tão bem.

Você já escreveu peças antes, mas A Namorada Perfeita é o primeiro roteiro que também produziu. É diferente?
Acho que escrever é realmente doloroso. Adoro, senão não o faria, mas não amo o teatro tanto como o cinema. Adoro filmes ruins, enquanto que ir ao teatro e ver os atores fazendo algo ruim ao vivo é uma experiência dolorosa para mim. Acho que é muito difícil sentar e ver. É um processo colaborativo totalmente diferente quando você tenta criar um evento ao vivo e precisa cumprir um prazo. [Com A Namorada Perfeita], todo o trabalho de escrever foi feito basicamente antes de começarmos a rodar. Há tanta coisa além disso para criar um filme – desde os editores, os câmeras, os figurinistas, a decoração das casas, a escolha dos atores. Muito disso fica a cargo do diretor. Em uma peça, é claro que há os cenógrafos e iluminadores, e essas pessoas são realmente importantes para que a experiência funcione como peça. Mas são as palavras dos autores que colocam e tiram os atores do palco.

No filme, Calvin está passando por um bloqueio criativo difícil. Você já teve que enfrentar esse problema?
Não. Eu me sinto muito sortuda, pois tenho uma vida totalmente diferente como atriz, portanto não tenho que escrever se não quiser. Tenho outra coisa que realmente amo, então fica mais fácil. Quando me sinto sem inspiração, não me forço a sentar e escrever. Só o faço quando sinto o impulso. Adoro ir ao cinema em Nova York. Há algo de muito romântico em descer até o Angelika [Film Center] ou ao Film Forum ou subir ao Walter Reade [cinema do Lincoln Center]. Adoro meu bairro no Brooklyn. Há lugares como o restaurante Brucie, que é de propriedade de uns amigos. Gostamos de ficar por lá e comer comida italiana realmente boa. E temos uma ótima locadora de vídeos no bairro, a Video Free Brooklyn. É bobo, mas, para nós, uma noite em casa é algo realmente exótico, pois nunca estamos no mesmo lugar e nunca conseguimos fazer isso. Adoro andar em Nova York. Sinceramente, é a melhor coisa: andar pelo Park Slope e visitar minha amiga Betty e levar o cachorro dela para passear no parque ou atravessar a Brooklyn Bridge a pé. Realmente amo sair e ver todo mundo na rua.

Escrito por Amy Plitt
 

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